1º domingo da Quaresma - Ano C - Escolhas que dão sentido à vida

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Por: MpvM | 08 Março 2019

“No primeiro domingo da quaresma, a Igreja nos propõe refletir sobre as escolhas que dão sentido à vida. É um tempo propício para pensar como temos atravessado os nossos desertos e enfrentado os dias de prova. A liturgia nos convida a voltar-nos para Deus e discernir à luz da sua Palavra as nossas ações e escolhas, pois ela pode iluminar o nosso caminho quando somos tentados a deixar-nos levar por falsas seguranças, abrindo mão da liberdade de filhos de Deus”.

A reflexão é de Maria Goretti de Oliveira, fsp, religiosa da Congregação das Irmãs Paulinas. Ela é licenciada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP (2003), bacharel em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia - FAJE (2011) e mestra em Teologia Sistemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP (2018). É membro do Conselho Editorial da Paulinas Editora.

Referências bíblicas
1ᵃ Leitura: Dt 26, 4-10
Salmo 90(91), 1-2.10-15 (R/. cf. 15b)
2ᵃ Leitura: Rm 10, 8-13
Evangelho: Lucas 4, 1-13

No primeiro domingo da quaresma, a Igreja nos propõe refletir sobre as escolhas que dão sentido à vida. É um tempo propício para pensar como temos atravessado os nossos desertos e enfrentado os dias de prova. A liturgia nos convida a voltar-nos para Deus e discernir à luz da sua Palavra as nossas ações e escolhas, pois ela pode iluminar o nosso caminho quando somos tentados a deixar-nos levar por falsas seguranças, abrindo mão da liberdade de filhos de Deus.

A primeira leitura (Dt 26, 4-10), extraída do livro do Deuteronômio, traz o credo do israelita. O Deus da promessa é o Deus que ouve a voz de clamor do oprimido, seus cansaços e angústias e o liberta de toda escravidão, cumprindo o que prometeu. É a ele que se deve adorar.

A segunda leitura (Rm 10, 8-13), da Carta de São Paulo aos Romanos, mostra que é a Palavra de fé que salva e que Deus atende a quem o invoca: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo (Rm 10, 13)”. A força para vencer toda prova está na Palavra de Deus.

O salmo 90 assegura a proteção de Deus aos que nele confiam, pois o Deus de Israel cumpre as suas promessas e não abandona o fiel.

No Evangelho, o relato das tentações de Jesus (Lc 4, 1-13) deve ser lido à luz da pregação de João Batista, do Batismo de Jesus, da sua genealogia (3,1-20.21-38) e do início do seu ministério na Galileia. Os três relatos precedentes destacam a identidade de Jesus enquanto Messias e Filho amado do Pai, deixando o leitor ciente do seu messianismo.

No relato, o diabo é a personificação do inimigo de Deus, seu adversário e opositor cuja ação busca colocar em dúvida o agir de Deus na história. Ele se coloca como aquele que tem poder sobre os reinos do mundo e, por isso, quer ser adorado, fazendo-se passar por representante de Deus.

Ele é o adversário que tem como propósito fazer com que Jesus traia a sua missão e abandone o Deus verdadeiro, assumindo atitudes de superioridade e domínio, fazendo assim uma opção diferente da que o Reino de Deus propõe, o serviço e o amor.

O relato é construído por meio de uma linguagem simbólica e de palavras cuidadosamente escolhidas pelo autor bíblico, revelando que as tentações que Jesus padece o impelem a usar seu poder divino, colocando em xeque o seu estilo messiânico.

A narrativa da tentação está localizada no deserto, lugar de prova, mas também de silêncio, encontro com Deus e discernimento. Jesus passa quarenta dias no deserto e é provado assim como foi provado o povo de Deus, após a saída do Egito.

Na primeira tentação, após longo jejum (os quarenta dias lembram a experiência de Moisés (Ex 34,28) e a de Elias (2Rs19,8)), Jesus está com fome e o diabo lhe propõe transformar uma pedra em pão: “Se és filho de Deus, ordena a esta pedra que se transforme em pão”.

O diabo sugere que Jesus tire proveito da sua filiação divina, que use seu poder para saciar a fome. É a tentação do agir por si mesmo, a busca por satisfazer suas necessidades pessoais, servindo-se do seu privilégio de filho, sem depender de Deus. O diabo tenta persuadir Jesus a cair na tentação adâmica, querer ser como Deus. Na raiz dessa tentação está a autossuficiência.

Jesus responde afirmando a sua confiança na Palavra de Deus: “Está escrito: ‘Não somente de pão viverá o homem’.” (Dt 8,3). Desse modo, Jesus reafirma sua esperança e confiança filial.

Na segunda tentação, o diabo, ao mostrar a Jesus todos os reinos do mundo, diz: “Dar-te-ei todo esse domínio, com sua glória, porque a mim foi entregue e posso dá-lo a quem quiser. Portanto, se te prostrardes diante de mim, tudo será teu”.

A glória e a posse de todos os reinos do mundo em troca de um ato de adoração é o que é proposto a Jesus. A narrativa dialoga com o leitor e o leva a refletir sobre a quem pertencem os verdadeiros tesouros e quem merece adoração. A tentação é a de colocar Deus num segundo plano e deixar-se conduzir por interesses pessoais e humanos, como a busca pelo prestígio e pelo poder e a submissão àqueles que se consideram deuses dignos de serem adorados. O poder e as riquezas acumuladas ameaçam o relacionamento com Deus, motivando a confiar somente naquilo que se possui.

Jesus, ao perceber o que lhe é proposto, responde: “Está escrito: ‘Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e a ele só prestarás culto’” (Dt 6,13; 10,20). Ele reconhece que Deus é Deus e a verdadeira riqueza vem dele. Jesus rejeita as pretensões de dominação do diabo e reafirma sua fidelidade e obediência de filho.

A terceira provação acontece em Jerusalém. O diabo tendo levado Jesus ao ponto mais alto do Templo disse-lhe: “Se és filho de Deus, atira-te daqui para baixo, pois está escrito: ‘Darás ordens a seus anjos a teu respeito para que cuidem de ti’, e: ‘Levar-te-ão em seus braços, para que teu pé não tropece em alguma pedra’. Essa tentação consiste em colocar Deus à prova, ao tentar fazê-lo realizar milagres fora de seus propósitos. É a tentação de evitar o sofrimento e a morte por ser o filho de Deus e, ao mesmo tempo, ter sucesso e prestígio sobre o povo.

Jesus não aceita tentar a Deus exigindo dele uma intervenção que não esteja de acordo com a sua vontade e responde: “Foi dito: ‘Não tentarás o Senhor, teu Deus’” (Dt 6,16), rejeitando, desse modo, questionar a fidelidade de Deus.

As três tentações colocam em xeque a sua identidade de filho e o sentido do seu messianismo. Ao vencê-las, Jesus reafirma a sua filiação divina por meio da obediência e da irrestrita confiança em Deus. Graças à força do Espírito e da Palavra, Ele está preparado para realizar sua missão no caminho da pobreza, da simplicidade, do serviço.

Nesses tempos em que a vida é dominada por pressões externas e ambições internas, pelo esforço em conseguir glória, poder e projeção pessoal, algumas questões são relevantes:

- Será que em nosso dia a dia buscamos de fato fazer a vontade de Deus, ou nos enganamos a nós mesmos?

- O que anunciamos ou defendemos vem de fato de Deus, ou da nossa pretensa sabedoria?

- Discernimos profundamente a Palavra, deixando-nos iluminar por ela, antes de tomarmos decisões que comprometem a nossa vida ou a vida daqueles que nos são confiados?

- E quanto aos nossos julgamentos, eles acontecem segundo as aparências ou segundo a verdade?

São questionamentos essenciais para nós que nos colocamos no seguimento de Cristo.

Que esta Quaresma nos ajude a refletir sobre nossas escolhas, projetos e ações.

 

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