Uma fé que se manifesta em gestos concretos

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01 Março 2019

Jesus contou uma parábola aos discípulos: “Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois num buraco? Nenhum discípulo é maior do que o mestre; e todo discípulo bem formado será como o seu mestre. Por que você fica olhando o cisco no olho do seu irmão, e não presta atenção na trave que há no seu próprio olho? Como é que você pode dizer ao seu irmão: ‘Irmão, deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando você não vê a trave no seu próprio olho? Hipócrita! Tire primeiro a trave do seu próprio olho, e então você enxergará bem, para tirar o cisco do olho do seu irmão”.

Não existe árvore boa que dê frutos ruins, nem árvore ruim que dê frutos bons; porque toda árvore é conhecida pelos seus frutos. Não se colhem figos de espinheiros, nem se apanham uvas de plantas espinhosas. O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração, mas o homem mau tira do seu mal coisas más, porque a boca fala daquilo de que o coração está cheio.”

Leitura do Evangelho de Lucas 6,39-45. (Correspondente ao 8° Domingo Comum, do ciclo C do Ano Litúrgico).

O comentário é de Ana Maria Casarotti, Missionária de Cristo Ressuscitado.

Uma fé que se manifesta em gestos concretos

Jesus continua o discurso da planície dirigido às pessoas que foram até esse lugar para escutá-lo. Fazendo um pouco de história da narrativa dos diferentes episódios descritos no capítulo 6 de Lucas, aprecia-se a liberdade de Jesus a respeito da Lei. Num primeiro momento ele desatende e liberta o ser humano da lei: “O Filho do Homem é senhor do sábado” (Lc 6, 5).

A seguir, “em outro sábado” (6,6) tinha entrado na sinagoga para ensinar e realiza a cura do homem que tinha a mão seca. Isso gera raiva entre os doutores e fariseus que “o espiavam” e “começaram a conversar sobre o que poderiam fazer contra Jesus” (6,11). Logo ele dirige-se à montanha para rezar e ao amanhecer escolhe doze discípulos (Lc 6, 12-16).

Ao descer se detém num lugar plano e “promulga seu programa ‘com’ vida, fundado não numa ética de “deveres e obrigações”, mas numa ética de ‘felicidade e ventura’”. (Texto completo: Felicidade escondida nas bem-aventuranças)  

Sua mensagem é aparentemente contraditória, mas há nela uma “proposta libertadora na qual são exaltados os pobres, os desfavorecidos, os desvalidos. Ser bem-aventurado e feliz pelo evangelho não é ter ou não ter muitos bens ou riquezas. Ser bem-aventurado é ser discípulo do Senhor, é viver o Espírito de Reino que é justiça, paz, igualdade e fraternidade. (“Felizes de vocês, os pobres, porque o Reino de Deus lhes pertence”).

No domingo anterior meditamos a proposta de amor que traz Jesus que é realmente desconcertante: amar aos inimigos, fazer o bem aos que nos odeiam, desejar o bem aos que nos amaldiçoam, dar sem esperar receber! Um chamado a amar como Deus nos ama e um convite para ser misericordioso como o Pai é misericordioso.

Nos versículos seguintes Jesus expressa uma necessidade substancial que é o fundamento da Boa Notícia do Reino: “Não julguem, e vocês não serão julgados; não condenem, e não serão condenados; perdoem, e serão perdoados”; e também dirá que: “a mesma medida que vocês usarem para os outros, será usada para vocês”.

Neste domingo continua-se a leitura do capítulo 6 de Lucas e Jesus segue dando orientações para os que desejam viver a Boa Notícia do Reino. A narrativa inicia-se com uma parábola em forma de pergunta: pode um cego guiar a outro cego?

É uma pergunta que pode parecer quase sem sentido porque sua resposta é quase óbvia. Então podemos perguntar-nos o que está apresentando Jesus? Qual é a forma de viver nosso relacionamento com os irmãos e irmãs? Qual é meu olhar a respeito das outras pessoas? Como me considero a mim mesmo? Acho-me superior porque imagino que sei mais, que conheço mais do que os outros, que tenho mais experiência?

Jesus deixa claro que se uma pessoa considera-se maior e até melhor que as outras, ou pensa que é mestre porque seus critérios são mais adequados e justos, está caindo num “buraco”, está caminhando como um cego. É uma pessoa que não vê a realidade, que sua soberba gera cegueira e do seu interior contaminado pelo orgulho só germinam frutos maus: “Não existe árvore boa que dê frutos ruins, nem árvore ruim que dê frutos bons; porque toda árvore é conhecida pelos seus frutos”.

Cada ser humano é um mistério, uma pessoa desconhecida por cada um e cada uma de nós. Muitas vezes olham-se as pessoas que nos rodeiam a partir de critérios pobres e até com desprezo. Jesus pergunta de novo: “Por que você fica olhando o cisco no olho do seu irmão, e não presta atenção na trave que há no seu próprio olho?”.

Uma pessoa que age assim é alguém que não vê, porque sua cegueira impede-o. Essa cegueira está constituída por diversas situações ou ações que geram um olhar a si mesmo como superior. Alimentam a ideia e o orgulho interior de considerar-nos com capacidade para julgar ao outro/a e até sugerir caminhos como se fôssemos mestres que sabem a necessidade profunda de cada pessoa.

Jesus conclui seu relato afirmando que “a boca fala daquilo de que o coração está cheio”. As atitudes, as falas, as conversas, os pareceres ou mensagens de uma pessoa expressam o que há no seu coração. Seu interior não permanece encoberto porque fica manifesto nas expressões e na vida de cada ser humano, no seu relacionamento com as outras pessoas.

Neste domingo somos convidados a perguntar-nos como é nosso olhar sobre as pessoas que estão perto de nós. Somos capazes de descobrir cada dia uma novidade no meu vizinho, nas pessoas que formam minha comunidade, naqueles/as que trato periodicamente? Posso descobrir o mistério que em cada pessoa se esconde e que vai se revelando ao longo da sua vida?

Peçamos ao Senhor ter uma mirada cheia de compaixão e ternura que perceba a novidade e originalidade de cada pessoa!

Oração

Quem me dera ver

Quem me dera ver
quanto tem de mendigo,
o ouro no pulso,
a maquiagem no espelho,
a assinatura no cheque,
o título emoldurado na parede.

Quem me dera ver
quanto tem de mendigo,
o ouro no pulso,
a maquiagem no espelho,
a assinatura no cheque,
o título emoldurado na parede.

Quem me dera ver
quanto tem de infinito,
uma mão esgotada,
um rosto atrás das grades,
um sorriso sem retribuição,
o aroma partilhado do café.

Quem me dera olhar
com olho simples
as pessoas
e as coisas
como são!

Quem me dera ver

Benjamin González Buelta SJ
Salmos para sentir e saborear as coisas internamente

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