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07 Fevereiro 2019

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 5,1-11 que corresponde ao 5° Domingo de Tempo Comum, ciclo C, do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto. 


Eis o texto

O episódio de uma pesca surpreendente e inesperada no lago da Galileia foi relatado pelo evangelista Lucas para encorajar a Igreja quando sente que todos os seus esforços para comunicar sua mensagem falham. O que nos é dito é muito claro: devemos colocar nossa esperança na força e atratividade do Evangelho.

A história começa com uma cena insólita. Jesus está em pé na margem do lago, e as pessoas vão-se aglomerando à volta Dele para ouvir a Palavra de Deus. Não veem movidas pela curiosidade. Não se aproximam para ver prodígios. Eles só querem ouvir de Jesus a Palavra de Deus.

Não é sábado. Eles não estão reunidos na sinagoga próxima de Cafarnaum para ouvir as leituras que são lidas às pessoas durante todo o ano. Eles não subiram a Jerusalém para ouvir os sacerdotes do Templo. O que os atrai tanto é o Evangelho do Profeta Jesus, rejeitado pelos vizinhos de Nazaré.

Também a cena da pesca é insólita. Quando à noite, na hora mais favorável para pescar, Pedro e seus companheiros trabalham por sua conta, não obtêm resultados. Quando, de dia, eles lançam suas redes confiando apenas na palavra de Jesus que guia seu trabalho, produz-se uma pesca abundante, contra todas as suas expectativas.

Na análise dos dados que mostram cada vez mais evidente a crise do cristianismo entre nós, há um facto inegável: a Igreja está perdendo de forma imparável o poder de atração e de credibilidade que ela tinha apenas alguns anos atrás. Não nos devemos enganar.

Nós, cristãos, temos verificado que nossa capacidade de transmitir a fé às novas gerações diminui constantemente. Não tem havido falta de esforços e iniciativas. Mas, aparentemente, não se trata apenas nem primordialmente de inventar novas estratégias.

Chegou o momento de lembrar que no Evangelho de Jesus há uma força de atração que não há em nós. Esta é a questão mais decisiva: continuamos a «fazer as coisas» a partir de uma Igreja que está a perder a atratividade e a credibilidade, ou colocamos todas as nossas energias na recuperação do Evangelho como a única força capaz de gerar fé nos homens e mulheres de hoje?

Não deveríamos colocar o Evangelho no primeiro plano de tudo? O mais importante nestes momentos críticos não são as doutrinas elaboradas ao longo dos séculos, mas a vida e a pessoa de Jesus. O decisivo não é que as pessoas venham participar das nossas coisas, mas que possam entrar em contato com Ele. A fé cristã só se desperta quando as pessoas encontram testemunhas que irradiam o fogo de Jesus.

 

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