5º domingo do Tempo Comum – Ano C - Discípulos missionários pela graça de Deus

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08 Fevereiro 2019

Irmãs e irmãos, hoje nos reunimos como comunidades de fé ao redor da mesa da Palavra e da Eucaristia. O Senhor nos dá a oportunidade de alimentar nossa alegria e nossa esperança de que a graça de Deus não nos falte em nenhum de nossos dias e em nenhuma de nossas tarefas e ações pastorais. É confiando nessa graça que desejamos contar para outras pessoas a alegria evangélica que é seguir Jesus pelos caminhos da vida, como discípulos-missionários, fazendo parte da família de Deus que é por Ele cuidada. No entanto, isso não deve ser encarado como honra ou privilégio, antes, conforme rezamos na oração depois da comunhão, como oportunidade para “produzir muitos frutos para a salvação do mundo”.

A reflexão é de Tânia da Silva Mayer, leiga. Ela possui graduação em Teologia (2012) e é mestra em Teologia Sistemática (2015) pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia - FAJE/BH. É editora de textos da Comissão de Publicações do Vicariato Episcopal para a Ação Pastoral, da Arquidiocese de Belo Horizonte e articulista no Portal Dom Total. Assessora paróquias, comunidades e grupos, com formação teológica e litúrgica, em Belo Horizonte e demais cidades.

Referências bíblicas
1ª leitura: Is 6,1-2a.3-8
Salmo: Sl 137
2ª leitura: 1Cor 15,1-11
Evangelho: Lc 5,1-11

Irmãs e irmãos, alegrias e esperança!

A liturgia deste 5º domingo do Tempo Comum é um convite à adoração do Senhor, o nosso Deus, que encontra na ação ritual da comunidade celebrante o seu cume e fonte.

A antífona de entrada abre a nossa reunião com este convite: “Entrai, inclinai-vos e prostrai-vos: adoremos o Senhor que nos criou, pois ele é o nosso Deus”. Precisamente, a adoração verdadeira é aquela que impele ao seguimento de Jesus, fazendo-nos passar da liturgia à vida e, consequentemente, da vida à liturgia. Nesse sentido, as leituras bíblicas deste domingo nos ajudam a perceber nossa condição de mulheres e homens convocados para tomar parte na família de Deus.

A primeira leitura (Is 6,1-2a.3-8), tirada da profecia de Isaías, consiste em um tipo de relato chamado de “vocação do profeta”. Nele, Isaías está diante de uma teofania, isto é, uma revelação de Deus, na qual Ele é reconhecido liturgicamente como o Santo por excelência, o único que é três vezes santo (Cf. v.3). Diante deste louvor, o profeta se entende como “apenas um homem de lábios impuros”, e que, portanto, não merece contemplar tamanha glória. Mas o serafim enviado a Isaías provocará a própria consciência do profeta: participar da glória de Deus não é um privilégio que se obtém por mérito ou competência, mas por graça e como missão. Nesse sentido, a vocação do profeta é uma convocação, isto é, ele deve ser o proclamador das coisas maravilhosas que Deus fez e continua fazendo em favor do seu povo.

O Evangelho deste domingo (Lc 5,1-11) também será lido nessa perspectiva. É característica da teologia de Lucas ensinar que a salvação é para todas as pessoas e sem distinções. Por isso, a cena diante da qual estamos mostra-nos o projeto de Jesus de reunir consigo pessoas disponíveis para anunciar ao mundo a alegria da salvação. No trecho do Evangelho em questão, Jesus vai ter com Simão, que será chamado Pedro, e seus companheiros, também pescadores. Após uma noite de insucessos na pescaria, o grupo é surpreendido por uma ação maravilhosa. Em atenção à palavra do Mestre Jesus, lançam as redes mais uma vez e as barcas não são capazes de suportar a quantidade dos pescados. Diante desta manifestação divina, Simão, assim como Isaías, também se vê indigno de tamanha graça. Prostrado aos pés de Jesus, está na sua boca a confissão: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador!”.

É importante ressaltar que a lógica da convocação de Deus não segue pelos mesmos caminhos que as nossas. Ela não tem nada a ver com a meritocracia e os privilégios que constantemente causam em nós sentimentos de superioridade sobre outras pessoas. O convite de Jesus que segue após a confissão de Pedro comprova que Deus convoca seus escolhidos por graça, não por merecimento. Essa inversão no pensamento é decisiva para que o convite, inclusive, seja aceito. É isso que faz com que Simão, mesmo sabendo-se pecador, deixe tudo e siga atrás de Jesus para ser um pescador das gentes.

Nessa perspectiva, a segunda leitura (1Cor 15,1-11) emoldura o quadro da vocação cristã que está em destaque nesta liturgia. Paulo é o modelo de discípulo e missionário no qual devemos nos espelhar. O apóstolo faz uma espécie de recordação da vida com a comunidade de Coríntios, trazendo à memória da comunidade o conteúdo fundamental sobre o qual está alicerçada a fé: o anúncio do Mistério Pascal de Jesus Cristo, paixão, morte e ressurreição. Esse anúncio, quando acolhido e vivido, revela como a comunidade recebe e comunica a salvação que lhe foi garantida na Cruz. Precisamente, a leitura deste trecho da Carta aos Coríntios nos ajuda a perceber como essa recordação revela o amadurecimento da fé de Paulo, pelo qual também todos devemos passar: da contemplação do Mistério Pascal para o seu testemunho no dia a dia da vida. Mas para que isso aconteça, é importante também uma mudança de consciência-atitude, sinal de uma adoração profunda de quem se decide por seguir a Jesus, tal como Paulo: somos o que somos pela graça de Deus. Sem o auxílio da graça, tornar-se-ia infrutífero o anúncio do Reino e do Evangelho da alegria.

É a sensibilidade e a abertura à ação de Deus, entendendo-a como colaboradora da ação humana, que faz como que as mulheres e homens acolham o convite e o envio para comunicarem ao mundo a salvação que experimentam por graça. É isso que faz Isaías dizer: “Aqui estou! Envia-me”; que permite Lucas indicar: “deixaram tudo e seguiram a Jesus”; e que faz Paulo declarar: “Sua graça para comigo não foi estéril: a prova é que tenho trabalhado mais do que os outros apóstolos - não propriamente eu, mas a graça de Deus comigo”.

Irmãs e irmãos, hoje nos reunimos como comunidades de fé ao redor da mesa da Palavra e da Eucaristia. O Senhor nos dá a oportunidade de alimentar nossa alegria e nossa esperança de que a graça de Deus não nos falte em nenhum de nossos dias e em nenhuma de nossas tarefas e ações pastorais. É confiando nessa graça que desejamos contar para outras pessoas a alegria evangélica que é seguir Jesus pelos caminhos da vida, como discípulos-missionários, fazendo parte da família de Deus que é por Ele cuidada. No entanto, isso não deve ser encarado como honra ou privilégio, antes, conforme rezamos na oração depois da comunhão, como oportunidade para “produzir muitos frutos para a salvação do mundo”.

 

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