3º domingo do Tempo Comum - Ano C - A Boa Nova anunciada aos pobres

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Por: MpvM | 25 Janeiro 2019

"A fé na palavra de Jesus “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura” é um imperativo e uma esperança para os que somos ungidos e ungidas pelo seu Espírito. Imperativo de compromisso com a realização do Programa de Jesus e esperança na certeza de que o Espírito do Ressuscitado conduz a história."

 

A reflexão é de Maria Cristina Giani, religiosa da Congregação Missionárias de Cristo Ressuscitado, da qual atualmente é a Coordenadora Geral. Ela é graduada em teologia pela Universidade La Salle - Unilasalle (2006) e possui especialização em espiritualidade pela Università Pontifícia Salesiana - UPS (2000). Atua em pastorais sociais com mulheres em situação de vulnerabilidade social e como orientadora de retiros.

Referências bíblicas
1ª Leitura: Ne 8,2-4a.5-6.8-10
Salmo: 18B(19),8-10.15
2ª Leitura: 1Cor 12,12-30
Evangelho: Lc 1,1-4; 4,14-21

Aos amigos de Deus,

Neste terceiro domingo do tempo comum a Palavra de Deus nos introduz de uma maneira especial na celebração litúrgica da Palavra, do povo Israel, da qual somos continuadores.

Primeiro quero salientar que o evangelho hoje proclamado inicia com o prólogo de Lucas, no qual ele manifesta sua intenção, seu desejo de partilhar a vida de Jesus ao qual ele acedeu através de “testemunhas oculares e ministros da Palavra”.

Lucas não conheceu diretamente Jesus, não conviveu com Ele, mas através da vida e dos primeiros seguidores e seguidoras de Jesus, o conhece, o ama, e ele se converte em seu discípulo e comunicador. Dessa forma, através de seus escritos, outras gerações receberam e receberão, acolheram e acolherão a alegria da Boa Nova!

O texto nos disse que Lucas escreve para Teófilo, que significa Amigo de Deus, não sabemos se Teófilo realmente existiu, mas o que realmente importa é que as palavras deste livro são dirigidas para os amigos de Deus que querem seguir os passos de Jesus de Nazaré, são dirigidas a nós, amigos e amigas de Deus do século XXI.

Depois desta introdução somos levados/as à sinagoga de Nazaré, onde Jesus tinha se criado. Como bom judeu ele participa da celebração da Palavra de seu povo, que estava composta por duas leituras, uma do livro da Lei e outra dos Profetas, depois da qual se fazia um pequeno comentário. Somente homens judeus de trinta anos para cima podiam fazer a leitura.

Este é o contexto no qual, segundo o evangelho de Lucas, Jesus fala pela primeira vez publicamente. Até aqui tudo parece dentro do “previsto” ou “estabelecido”, mas a diferença está na presença do Espírito Santo do qual Jesus é portador e totalmente dócil a suas moções: o Espírito “o conduz ao deserto” (4,1) e o guia “com sua força” pelos caminhos da Galileia (4,14).

E é assim que Jesus se apresenta utilizando as palavras do Profeta Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres, libertar ao cativos, devolver a vista aos cegos, proclamar um ano da graça do Senhor”.

Nesta apresentação Jesus se identifica plenamente com Projeto do Deus de Israel, que viu a miséria de seu povo, que escutou seu clamor e por isso desceu para libertá-los e conduzi-los a uma nova terra (cfr Ex3,6). Ele é o enviado do Pai, seu Ungido para levar adiante sua missão, sua revolução onde os últimos são os primeiros, onde os que têm preferência são os pobres, doentes e pecadores, a revolução da Misericórdia de Deus.

E para confirmar as palavras do profeta, Lucas coloca nos lábios de Jesus as seguintes palavras: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabaste de ouvir”. Desta maneira, na pessoa de Jesus, se inaugura e estende pelos séculos esta nova proposta de vida e liberdade para toda a humanidade.

Poderíamos dizer que nestes versículos do evangelho está condensado o programa de vida de Jesus. O restante das páginas do evangelho vai narrar como Jesus leva adiante este programa, e as consequências de sua fidelidade ao mesmo!

À luz do evangelho podemos entender melhor as palavras da primeira leitura do livro de Neemias (Ne 8,2-4a.5-6.8-10): “Este é um dia consagrado ao Senhor, vosso Deus. Não fiqueis tristes, nem choreis!”. Porque Deus cumpre sua promessa, não esquece seu povo, em nenhum momento, Ele vem a seu encontro através de sua Palavra feita carne, Palavra que transforma, liberta, cura, encoraja, perdoa, abre caminhos mesmo na escuridão... E isso tem que ser lembrado, celebrado e vivido com a fé do salmista (Salmo 18B): “Vossas palavras, Senhor, são espírito e vida”.

Agora este projeto de Jesus, esta revolução da Misericórdia continua levando adiante ao longo da história pelo mesmo Espírito de Jesus através de seu Corpo, como nos disse a segunda leitura (1Cor 12,12-30). Um corpo que se define pela unidade na diversidade: judeus, gregos, escravos, livres batizados no mesmo Espírito! Movidos pelo mesmo Espírito de Jesus, fonte de vida, comunhão e missão.

Se bem que cada membro é importante na sua originalidade com a qual enriquece o corpo e merece ser respeitado, os membros isolados não têm sentido se não fazem parte de um Corpo. Mas não estamos falando de qualquer corpo, é o Corpo que o constituem aqueles e aquelas que foram batizados no Espírito de Jesus, é o Corpo animado pelo seu Espírito.

Esse mesmo Espírito que ungiu Jesus para “anunciar a Boa Nova aos pobres, libertar aos cativos, devolver a vista aos cegos, proclamar um ano da graça do Senhor”, unge Seu Corpo para viver o mesmo para levar adiante seu Programa, seu Projeto não mudou.

Precisamos então nos perguntar como estamos servindo a este Projeto que tem como eixo central o cuidado dos pobres e mais pequenos?

Os mesmos têm rosto e nomes bem concretos: são nossos irmãos e irmãs migrantes, são os povos originários e quilombolas, são as mulheres mais vulneráveis, são as crianças abandonadas de tantas formas, são os idosos esquecidos... é nossa Mãe terra que continua gemendo... e assim poderíamos seguir nomeando tantas realidades de nosso dia a dia.

A fé na palavra de Jesus “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura” é um imperativo e uma esperança para os que somos ungidos e ungidas pelo seu Espírito. Imperativo de compromisso com a realização do Programa de Jesus e esperança na certeza de que o Espírito do Ressuscitado conduz a história.

Gostaria de finalizar rezando juntos o poema de Dom Pedro Casaldáliga, pedindo que o Espírito de Jesus nos conduza a sua Igreja neste tempo.

VENTO DE DEUS

Tu que sopras onde queres,
Vento de Deus dando vida,
sopra-me, sopro fecundo!
Sopra-me vida em teu sopro!
Faze-me todo janelas,
olhos abertos e abraço.
Leva-me em boa Notícia
sobre os telhados do medo.
Passa-me em torno das flores,
beijo de graça e ternura.
Joga-me contra a injustiça
em furação de verdade.
Deita-me em cima dos mortos,
boca-profeta a chamá-los.
Dom Pedro Casaldáliga

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