Jesuítas da América Central denunciam a represália econômica do orteguismo contra a UCA da Nicarágua

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11 Janeiro 2019

Os jesuítas da América Central denunciaram mediante um comunicado a "redução substancial" do orçamento constitucional recebido pela Universidade Centro-americana (UCA) de Manágua, determinado em 6% para as universidades que integram o Conselho Nacional de Universidades (CNU) da Nicarágua.

A reportagem é de Israel González Espinoza, publicada por Religión Digital, 10-01-2018. A tradução é de Graziela Wolfart.

"Manifestamos ao povo nicaraguense e à comunidade internacional nossa preocupação pela redução substancial do orçamento que, por prescrição constitucional, a Universidade Centro-americana (UCA) recebe desde o ano de 1990 enquanto membro do Conselho Nacional de Universidades, em reconhecimento pela sua ativa e positiva participação na vida nacional, de 6% do orçamento nacional, atribuído anualmente pelo Estado ao desenvolvimento da educação superior, e com a finalidade de integrar e beneficiar à maior quantidade possível de jovens de escassos recursos em sua preparação profissional", destaca o comunicado da Província Centro-americana da Companhia de Jesus.

A UCA – lembram os jesuítas –, é uma instituição que sempre zelou pela promoção da justiça e da fé cristã, através da pesquisa, ensino e projeção social; fato pelo qual asseguram que a redução significativa do orçamento estatal para a Universidade católica repercutirá de forma inevitável no desempenho da referida casa de estudos.

"Em sintonia com o respaldo internacional que universidades e instituições jesuíticas do mundo lhe vieram brindando, lamenta que por prejuízos ideológicos e inclinados interesses políticos se prejudique o aporte de uma instituição acadêmica que, inspirada nos valores éticos do cristianismo, se comprometeu em colocar a razão, a ciência e o pensamento a favor do desenvolvimento humano integral da Nicarágua", enfatizam os jesuítas do istmo centro-americano.

Pedem respeito às garantias constitucionais do povo nicaraguense

No comunicado de denúncia, os jesuítas da América Central, renovam sua oração pelo povo nicaraguense e pedem que se restabeleça o Diálogo Nacional para que se possa iniciar um processo democrático, no qual se respeitem as garantias democráticas e sociais do povo; conseguindo deter o que consideram "um processo de destruição econômica ao qual, segundo especialistas, o país está sendo empurrado".

"Que a reconciliação pedida pelo Papa Francisco nas celebrações de Natal recém passadas seja resultado de um diálogo que restabeleça o Estado de direito, que restitua todas as liberdades constitucionais, que garanta o respeito irrestrito dos direitos humanos da população", pontuam os eclesiásticos.

UNEN pediu para excluir os 6% da UCA

No último dia 4 de dezembro, Luis Andino, representante da pró-governamental União Nacional de Estudantes da Nicarágua (UNEN), pediu em um ato ao presidente Daniel Ortega a exclusão da Universidade Centro-americana (UCA) jesuíta, devido ao fato de que a tal Alma Mater apoiou os protestos realizados por seus estudantes contra as fracassadas reformas de corte neoliberal que o regime orteguista pretendia executar, via decreto, ao Instituto Nicaraguense de Segurança Social (INSS).

A UCA foi a primeira universidade vítima do assédio governamental. Na noite de 18 de abril, foi atacada por membros da Juventude Sandinista e policiais, que agrediram dezenas de universitários que protestavam contra as reformas no INSS em frente à casa de estudos jesuíta.

No último mês de maio, a universidade denunciou em um comunicado assinado pelo sacerdote José Idiáquez, reitor da UCA, que caminhonetas cheias de tropas paramilitares a serviço do regime orteguista lançaram explosivos contra os portões de referida instituição.

"A UCA, fiel a seus princípios cristãos, continuará exigindo o que o nosso povo exige: justiça para as dezenas de assassinatos no massacre de abril, que continuam em maio; e uma democracia que garanta a todos os cidadãos de nosso país a verdadeira paz e o desenvolvimento, hoje em grave risco pela irresponsabilidade do desgoverno atual", enfatizava o comunicado do reitor Idiáquez.

Em 2 de junho, o provincial jesuíta da América Central, Rolando Alvarado, responsabilizou o regime orteguista pela segurança do reitor José Idiáquez, diante de uma série de ameaças anônimas que revelavam um complô para atentar contra a vida do sacerdote jesuíta.

Idiáquez, que foi convocado pela Conferência Episcopal da Nicarágua (CEN) na qualidade de representante das universidades para o Diálogo Nacional mediado pela Igreja, também faz parte da opositora Aliança Cívica pela Justiça e pela Democracia.

O religioso revelou ao Semanário Universidade da Costa Rica, em junho, que desde o início de seu mandato como reitor em 2014, a instituição que ele dirige estava sob a lupa do regime por ser considerada uma "universidade opositora".

"O que aconteceu é que desde 2014, quando os bispos publicaram a primeira carta pedindo o diálogo, a situação era muito ruim. O fato de ter contato com estudantes, camponeses e a costa Caribenha me dava uma visão global de que estava se acumulando muitos problemas. (...) O da reserva biológica Índio Maíz e o da Segurança Social foi a gota d’água e o Governo cometeu o erro de pensar que podia continuar reprimindo os protestos sociais e difundindo medo", destacou o reitor Idiáquez.

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