Dolan crê que facilitar denúncias civis de abusos históricos 'quebrará' a Igreja

Revista ihu on-line

Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

Edição: 546

Leia mais

Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

Edição: 545

Leia mais

Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

Edição: 544

Leia mais

Mais Lidos

  • Liberdade e igualdade não bastam: uma cartilha sobre a Fratelli tutti. Artigo de Charles Taylor

    LER MAIS
  • A Economia Anticapitalista dos Franciscos e das Claras

    LER MAIS
  • “O racismo estrutura a sociedade brasileira, está em todo lugar”. Entrevista com Djamila Ribeiro

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


07 Janeiro 2019

 

O cardeal Timothy Dolan não dá uma dentro no que se refere à prevenção da pederastia ou à justiça para as vítimas. O arcebispo de Nova Iorque crê que uma proposta de lei naquele estado norte-americano "romperá" a Igreja se for aprovada a ideia de abrir uma "janela retroativa" para que sobreviventes de abusos prescritos possam processar a instituição.

A reportagem é de Cameron Doody, publicada por Religión Digital, 05-01-2018. A tradução é de Graziela Wolfart.

"A ênfase tem que estar em ajudar as vítimas a se curar, não em romper as organizações e instituições governamentais, educacionais, de saúde, de bem estar ou religiosas", advertiu o cardeal Dolan em uma coluna no NY Daily News. A nova legislatura de Nova Iorque – já de maioria democrata - atualmente está se preparando para aprovar a Child Victims Act ('Lei das Crianças Vítimas'), com suas medidas-chave retroativas, depois de anos de bloqueio desde a bancada republicana.

É que desde que foi proposta pela primeira vez há anos, o purpurado sempre se opôs à janela retroativa para vítimas dos abusos do clero. Em março do ano passado, por exemplo, taxou-a de "tóxica" e "estranguladora" para a Igreja, e advertiu que faria com que as dioceses de Nova Iorque fossem à bancarrota pela avalanche de processos que provocaria, tal como aconteceu, por exemplo, com os Escoteiros dos Estados Unidos. No passado também vítimas até o vaiaram por sua hipocrisia e por sua defesa, alegam, dos pederastas e não das vítimas.

Em vez da Lei de Crianças Vítimas tal como está redigida – janela retroativa incluída - o cardeal Dolan propôs em seu artigo uma série de "princípios essenciais" que devem guiar a nova legislação pró-sobreviventes. Esta, afirmou o purpurado, deve ser modelada segundo o exemplo do Programa Independente de Reconciliação e Compensação que o mesmo implementou na arquidiocese de Nova York em 2016, o qual, como recorda, pagou mais de 200 milhões de dólares a mais de mil vítimas e como tal é "um modelo para uma compensação rápida e segura em todo o estado de Nova York".

Cabe recordar, não obstante, que vítimas alegaram que a principal base do Programa para o cardeal é que recuse aos sobreviventes a oportunidade de denunciar seus casos à justiça civil. Eventualidade esta, afirma Dolan em sua coluna, que pode conduzir à "possibilidade real" de "quebrar a Igreja".

Como se ainda não bastasse, o cardeal Dolan proporciona em sua coluna outra bofetada às vítimas dos padres pederastas, e alude a "reservas" que se tem sobre a "confiança de denúncias de eventos passados há tempo, baseadas em lembranças obscuras". Todo um retrocesso para as vítimas de sacerdotes pedófilos com as quais Religión Digital falou, que denunciam que esta nova coluna do cardeal lhes caiu como ainda mais sal em suas feridas abertas.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Dolan crê que facilitar denúncias civis de abusos históricos 'quebrará' a Igreja - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV