O silêncio, a contemplação e a poesia. Etty Hillesum e a mística em tempos complexos. Entrevista especial com Eduardo Losso

Auschwitz | Foto: Ron Porter/Pixabay

Por: João Vitor Santos | 20 Dezembro 2018

Em geral, quando se fala que Etty Hillesum esteve diante da face do mal por ter vivido a Shoá, a afirmação é aceita. Entretanto, quando se diz que esse mal que nutriu uma guerra é composto de sentimentos presentes ainda hoje, um estranhamento pode se estabelecer. “Se não estamos pensando radicalmente o nosso mal, é porque ele está vencendo. Bem, diante dos fatos recentes, isso é uma evidência”, aponta o professor Eduardo Losso, que quer chamar atenção justamente para esse ponto. Afinal, a maldade da Shoá não surge do nada, mas de sentimentos bem humanos que se convertem em ações perversas. “Hoje, contudo, temos bons motivos para dizer que o abismo de nosso niilismo é bem mais grave que o de nossos antecessores modernos, mas não vejo ninguém encarando o assombroso alcance dele, isto é, o nosso mal”, observa. “Isso significa que, por mais que tenhamos lido Nietzsche, Kierkegaard, Benjamin, Adorno, Cruz e Sousa, Augusto do Anjos, Machado de Assis, Drummond, não estamos à altura dos abismos de nosso tempo como eles, no seu tempo, estiveram, talvez precisamente porque o nosso é bem maior”, completa.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line, Losso se propõe a refletir acerca de formas de fazer resistência ao mal de nosso tempo. Para tanto, reitera, é preciso conhecer esse mal. “Todo ser humano é um nazista diante de outros animais, dito famoso de Isaac Bashevis Singer. Nunca houve tantos corpos dóceis, tantos trabalhadores produtivos, logo, tanta riqueza detida por tão poucos, proporcionalmente, e nunca houve uma nobreza tão poderosa e intocável quanto a atual elite financeira global”, reconhece.

Segundo o professor, o ser humano é livre, “nosso corpo deseja ambientes naturais, não cubículos emparedados, nem prédios gigantescos, luzes ofuscantes, barulhos gritantes, ruas apinhadas e carros numerosos”. Ou seja, é na natureza que o ser humano se completa. Mas, no nosso tempo, nos movemos para cada vez mais longe desses ambientes naturais. “O mercado, essa mão invisível, inquestionável e soberana, quer eliminar as poucas reservas naturais que sobram, multiplicar mais seres como nós retirando todos os seus direitos mínimos e engordar cidades: isso não tem como dar certo”, analisa. Assim, das muitas possibilidades de buscar essa reconexão, está o silêncio. Aquele mesmo que faz Etty encontrar a paz dentro de si num ambiente tão inóspito. Para Losso, o desafio é buscar essa conexão. “O silêncio diz mais do que todos os sons que incessantemente nos perseguem, e é e será cada vez mais, sem dúvida, um dos maiores luxos da contemporaneidade”.

Eduardo Losso (Foto: Arquivo Pessoal)

Eduardo Guerreiro Brito Losso é professor adjunto de Teoria da Literatura do Departamento de Ciência da Literatura da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, membro permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Literatura da UFRJ e coeditor da Revista Terceira Margem, do PPG-CL da UFRJ. É graduado em Letras, mestre e doutor em Ciência da Literatura pela UFRJ, com estágio na Universität Leipzig, Alemanha. Entre os livros que organizou, destacamos Diferencia minoritaria en Latinoamérica (Georg Olms, 2008), O carnaval carioca de Mário de Andrade (Azougue, 2011) e Música Chama (Circuito, 2016). Ainda é autor de Renato Rezende por Eduardo Guerreiro B. Losso (EdUERJ, 2014).

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Etty Hillesum encarou de frente as faces mais perversas do mal. O que é o mal do nosso tempo? E como resistir a ele?

Eduardo Losso – Ao longo da história de diferentes civilizações dominantes, a humanidade desenvolveu orgulho por suas habilidades e conquistas, que levaram, no período moderno, à crença no progresso: social, tecnológico e espiritual. O capitalismo é um sistema que se alimenta de suas próprias crises. Houve muitos questionamentos a respeito de seus perigos, houve muita luta contra seus princípios, houve a crise dos mais caros valores ocidentais, cristãos e iluministas, mas mesmo tal crise engendrou uma eufórica transvaloração de todos os valores.

Hoje, contudo, temos bons motivos para dizer que o abismo de nosso niilismo é bem mais grave que o de nossos antecessores modernos, mas não vejo ninguém encarando o assombroso alcance dele, isto é, o nosso mal. Isso significa que, por mais que tenhamos lido Nietzsche [1], Kierkegaard [2], Benjamin [3], Adorno [4], Cruz e Sousa [5], Augusto do Anjos [6], Machado de Assis [7], Drummond [8], não estamos à altura dos abismos de nosso tempo como eles, no seu tempo, estiveram, talvez precisamente porque o nosso é bem maior. Se não estamos pensando radicalmente o nosso mal, é porque ele está vencendo. Bem, diante dos fatos recentes, isso é uma evidência.

Não estamos mais diante do niilismo nietzschiano, que serve de base para a afirmação trágica da vida e a descoberta libertadora da vontade de poder. Não estamos mais diante da crítica da burguesia que resulta numa utopia revolucionária. Não estamos mais diante da descoberta abissal do inconsciente e do entusiasmo modernista diante de mundos desconhecidos a serem revelados pela inovação artística da forma, de uma autodestruição criativa e radicalmente renovadora da arte. Tampouco estamos no período de revolta dos jovens diante das inúteis mortes da guerra do Vietnã, nos EUA, que levou à descoberta de toda uma geração do pacifismo, da liberação sexual, da alteração da percepção, motivando o projeto de colocar a “imaginação no poder”, no maio de 68 francês, assim como na possibilidade de transformar antropofagicamente a cultura de massa internacional numa modernização complexa em que o local só enriquece uma perspectiva global, no tropicalismo brasileiro.

Não temos mais motivo de nenhum grande entusiasmo metafísico, pós-metafísico, existencial, artístico e político. Todo ser humano é um nazista diante de outros animais, dito famoso de Isaac Bashevis Singer [9]. Nunca houve tantos corpos dóceis, tantos trabalhadores produtivos, logo, tanta riqueza detida por tão poucos, proporcionalmente, e nunca houve uma nobreza tão poderosa e intocável quanto a atual elite financeira global.

Etty Hillesum (Foto: thewisdomdaily.com)

Morte de Deus e do homem

Nunca na história da humanidade setores progressistas tiveram uma consciência tão clara das ilusões de sua superioridade frente a outros seres. O ser humano escraviza animais, extingue várias espécies, desequilibra profundamente a biosfera e multiplica a sua população – para quê, afinal? Para emburrecer passando horas na timeline das redes? Para assistir insultos e piadinhas de youtubers? Para aumentar a desigualdade dentro de sua própria espécie, para manter o bem-estar de cada vez menos pessoas e agravar o estresse e o sofrimento de uma maioria crescente?

Se todo o polo progressista sabe muito bem aonde esse monumental empreendimento levará – para o fim dos recursos naturais, o fim das grandes florestas, o completo desequilíbrio ecológico e, por conseguinte, o aquecimento global, a tragédia anunciada das mais terríveis catástrofes –, não estamos mais somente diante da morte de Deus e da consequente morte do homem, da qual falava Foucault [10]. Estamos diante da inversão de todo motivo de orgulho em vergonha de ser homem. Homem: nos dois execráveis e interligados sentidos da palavra. Nunca na história chegamos à conclusão de que era melhor não termos existido. Somos baratas mamíferas fazendo porcarias no único planeta que temos. Uma certa leitura da metamorfose de Kafka [11] se tornou o nosso retrato. Os poucos índios que ainda e sempre resistem têm toda razão em sentirem nojo de nós. Se o homem branco via-se a si mesmo como o paladino da racionalidade e, consequentemente, da responsabilidade, que fazer diante da descoberta de que sua racionalidade instrumental é a destruidora da vida no planeta, incapaz de frear a ânsia exterminadora de gerar lucro a todo custo?

Banalização das pautas

Podemos afirmar aqui e ali que temos novos projetos pela frente: sustentabilidade, movimentos identitários, democratização das mídias. Apesar de serem pautas urgentes e extremamente necessárias, a própria lógica propagandística do escândalo do dia, perpetrada pela estrutura conjunta da grande mídia, mídias alternativas oportunistas e Facebook, banaliza tais pautas, para, como resposta, propagar a ascensão das mentiras que a contrariam, das ilusões favoráveis ao sistema, e desagregam o árduo trabalho formativo, prático e crítico que deveríamos ter nelas. As pautas da esquerda viram pequenas crenças, uma separada da outra, brigando por espaço.

Talvez os evangélicos sejam mais sinceros em sua fé do que a fé dos progressistas. As diferentes modalidades de culto ao escândalo se tornam, então, manifestações de nossa cegueira fundamental: estampa-se o nosso fracasso, mas ele é tão definitivo e gritante que, justamente, não somos capazes de assumi-lo, aí podemos inventar o simulacro substitutivo que quisermos para tampar o vazio.

A revolta progressista, que continuamente conclama um novo slogan, retira uma nova hashtag do bolso para reivindicar suas pautas, só responde à agenda prévia de notícias do dia ditadas pela mídia e impostas pela estrutura programática das redes sociais. Em suma, ela é tão niilista quanto o desejo de grandeza nacional da extrema direita. Uma reage impotente diante da catástrofe, outra alucina, potente, e torna a catástrofe o seu triunfo. Essa sede de grandeza, tanto dos ideólogos de Trump [12] quanto do atual ministro das Relações Exteriores do novo presidente, é uma reação compreensível à derrocada de todos os valores passados que a esquerda hoje só pode entender como mentira, e não consegue encontrar outro valor senão nos oprimidos por essa mentira, naqueles tidos como fracos, que agora devem se tornar fortes.

O mal

Um é o fundamentalista da grandeza, outro não deixa de idolatrar o oprimido. Ambos fogem, do mesmo modo, do niilismo, isto é, do mal de nosso tempo. Entendo o mal não como a força de atração do pecado, mas como a consequência da fragilidade diante da poderosa treva da falta de sentido. Tal abismo leva à proliferação de culpas e dívidas infinitas, concretas ou imaginárias, monetárias ou morais, que se pode atribuir aos dominantes, por seus privilégios, ou aos dominados, por sua suposta incapacidade meritocrática, mas que não serve a outro motivo senão dar sentido ao que não tem.

Só ganhamos força diante do vazio, primeiro, descobrindo que ele faz parte de nós; segundo, o quanto somos pequenos diante dele, sendo partes dele; terceiro, o quanto tal pequenez tem sua grandeza. Uma lição dos grandes pensadores do niilismo foi sempre a seguinte: não existe a mínima perspectiva de resposta a ele senão reconhecendo e assumindo toda a extensão de seu alcance. Antes de passar para qualquer proposta de solução, que já deve ser entendida de saída como parcial, é preciso demorar-se mais tempo no insolúvel. Ora, é precisamente isso que não estamos fazendo.

IHU On-Line – Como o mal se perfaz no totalitarismo? E como ele se revela no tecido social em nosso tempo, em que também somos atravessados pelas tecnologias?

Eduardo Losso – Nunca setores dominantes, como celebridades da política e do entretenimento, foram tão atacados e injuriados. Toda e qualquer pessoa, por mais respeitada ou querida que seja ou tenha sido, pode ser vítima de escracho nas redes sociais. Esse fenômeno não está desligado daquele, da vergonha de ser homem. O destronamento da humanidade e de suas personalidades modelares cria, naturalmente, uma histeria moral, pois todo mundo quer apontar os defeitos dos outros, as qualidades perderam o atrativo. Manipuladores de opinião perceberam que o ódio deve ser estimulado e direcionado para os seus interesses.

Contudo, essencialmente, esse império do ódio, essa impossibilidade de admiração substancial, vem de uma vergonha de toda a espécie, que não está sendo nem pode ser dita. Mas, na prática, a sensação de asco do ser humano por outros seres humanos existe, especialmente nas cidades cada vez mais numerosas, e vai aumentar, e vai buscar justificativas ideológicas advindas de orgulho ferido, preconceito, bolhas, polarização, moralismo, do que seja, para se expressar e agir.

Nosso corpo deseja ambientes naturais, não cubículos emparedados, nem prédios gigantescos, luzes ofuscantes, barulhos gritantes, ruas apinhadas e carros numerosos. Nossos olhos desejam olhar paisagens de verdade, não telas durante horas por dia. Nosso olfato deseja respirar o ar de vegetação exuberante, não cheiros de comida por todo lado só para atrair clientes, perfumes artificiais, poluição. Não preciso dizer que nosso sistema nervoso deseja andar tranquilo e não com medo de agressores e assaltantes. Mas o mercado, essa mão invisível, inquestionável e soberana, quer eliminar as poucas reservas naturais que sobram, multiplicar mais seres como nós retirando todos os seus direitos mínimos e engordar cidades: isso não tem como dar certo.

Para alienar-se de suas necessidades reais, as pessoas se deixam atrair não pelo remédio, mas pelo veneno. A lógica dispersiva da notícia e da propaganda, que já era parte integrante da grande mídia, é agravada mil vezes com as postagens e os encaminhamentos das redes sociais. Muitos acreditaram piamente no potencial de informação e democratização da internet, que, de fato, seria enorme, se o seu potencial destrutivo não fosse maior, se o último pudesse ser alertado, aplacado, e não estimulado, como é o caso.

Renovação bem-sucedida do totalitarismo

Enquanto os técnicos da internet estavam testando e sofisticando novas modalidades de controle com seus complexos algoritmos, intelectuais progressistas vips estavam rebatendo alegremente os teóricos da manipulação de cinquenta anos atrás com sorriso no rosto. Enquanto argumentos da teoria pós-moderna estavam se regalando com relativismos, o cinismo dos manipuladores atuais estava se servindo deles para uma renovação muito bem-sucedida do totalitarismo.

Sabe aquela tese de Lyotard [13] de que as metanarrativas dominantes deram lugar a micronarrativas fragmentadas, e cujo conceito de “narrativa” se tornou tão onipresente? Bem, talvez estejamos vendo justamente o avanço de metanarrativas que se alimentam de polarização recíproca. O mais confortável é sempre estar, inclusive, do lado de uma vituperando outra. Quem critica ambas e busca algo genuinamente diferente vive no meio do tiroteio, desprotegido. A hipótese das micronarrativas, nos locais mais globalizados, não é senão mais uma metanarrativa.

IHU On-Line – Em meio à dor do campo de concentração, Etty Hillesum encontra espaço para agradecer a vida e enxerga o céu azul em meio ao cinza. Poderia esse ser um exemplo da poesia como exercício espiritual que valoriza a arte do viver, apesar de toda adversidade?

Eduardo Losso – O que não faltam são exemplos da poesia como uma forma moderna de prática espiritual, por mais que críticos literários pós-modernos impliquem com a palavra “espiritual” e não saibam como um Pierre Hadot [14] a utilizou em relação à filosofia antiga. A poesia moderna, especialmente desde o simbolismo, não foge do niilismo, pelo contrário, ela dedica boa parte de suas energias a ele e, ao mesmo tempo, exercita a fundo vias sutis de reencantamento do mundo, através de experiências embriagadoras que ela mesma pode originar, sem apelar nem para drogas, nem para grandes rituais ou festas.

Do mesmo modo, em vários casos ela se propõe a estabelecer um novo tipo de prática de vida material e espiritual em meio à apoteose da produtividade, do consumo e da desigualdade. Um traço característico da poesia moderna é, antes de mais nada, ser uma nova medida de sobrevivência ascética, nunca fuga ou passatempo intimista. É a resistência da experiência que deseja se tornar uma reexistência do encantamento.

IHU On-Line – A mística de Etty Hillesum é revelada nos escritos de seus diários e cartas. De que forma a relação com a escrita é capaz de fornecer um caminho para o transcendente?

Eduardo Losso – Não há nada transcendente sem que não ganhe existência no imanente, assim como não há nada espiritual que não se dê senão a partir e por meio do material, daí o conceito de Hadot se intitular prática espiritual. De fato, o ato de escrever é uma das principais atividades da história da ascese, isto é, da prática de si, cuja meditação demorada e registrada se dá nas anotações pessoais, quando a escrita serve ao desenvolvimento espiritual do sujeito, e não a trabalhos meramente burocráticos. A escrita sai do âmbito utilitário e entra no terreno da autotransformação e, sempre quando imerge em si mesmo, necessariamente serve para outros que estejam numa busca, numa quête.

Evidentemente, a investigação espiritual que ocorreu no terreno da filosofia antiga, do monasticismo e, no renascimento, dos filósofos herméticos da natureza, influenciou profundamente a imersão subjetiva da poesia nos mesmos períodos até a modernidade, bem como vice-versa. Isto é, a poesia também influenciou tais movimentos. A conexão entre os dois é uma das pesquisas comparatistas mais importantes de se fazer hoje em dia, e esse é um foco central do meu trabalho.

IHU On-Line – Etty Hillesum também fala da necessidade dos silêncios. Qual o espaço do silêncio e da contemplação na mística moderna?

Eduardo Losso –O silêncio me diz muito mais, muito mais/ do que todos os sons: diz-me aos ouvidos da alma”, afirma a poeta simbolista, feminista e negra e ainda hoje infelizmente pouco conhecida Gilka Machado [15], em 1917, no fabuloso livro Estados da alma.

Quando alguém vive na cidade grande, mesmo num bairro residencial relativamente tranquilo, quando se mora num prédio de sete andares ao lado de outros de dez, ouvirá ininterruptamente ruídos de obras, músicas de alto-falantes estridentes de pessoas que não sabem escutar sem incomodar os outros, latidos de cães infelizes porque vivem dentro de apartamento, festas, brigas, TVs no máximo volume. Dificilmente teremos a perspectiva social de uma reeducação para o respeito ao espaço acústico do outro e para a apreciação do silêncio. Tenho insistido muito nesse ponto.

O que poetas e místicos mais fizeram ao longo da história foi evidenciar uma verdadeira recherche do silêncio, interior e exterior, inclusive da complexa interpenetração espacial entre o material e o espiritual que se dá na ambiência, na Stimmung, dentro do fora e fora do dentro. O silêncio diz mais do que todos os sons que incessantemente nos perseguem, e é e será cada vez mais, sem dúvida, um dos maiores luxos da contemporaneidade. Feliz de quem possui a dádiva rara de algum tempo de silêncio em sua residência. Alceu Amoroso Lima [16], no livro Meditações sobre o mundo interior, de 1953, reflete já naquele tempo sobre a dificuldade do amante do silêncio viver na cidade grande, no caso, no Rio de Janeiro. Imagine então o que ele não diria hoje, já que a maioria da população vive em cidades e não mais no campo, estando os centros urbanos brasileiros certamente entre os mais barulhentos e hostis do mundo?

Poesia e espaço para quietude

A violência social não está só no âmbito mais grosseiro da ameaça à integridade física, ela também se dá no estresse ininterrupto do desconforto físico e psíquico, que poderíamos chamar de tortura suave, soft torture. A poesia, nesse sentido, é mais, repito, do que um passatempo de pessoas instruídas, ela pratica um modo de vida que já é uma forma de sobrevivência. Ela abre um espaço de quietude que permite observar a ansiedade exterior e interior de longe, de modo semelhante a meditações budistas.

Tenho escrito frequentemente sobre essa questão, justamente porque quase ninguém reflete sobre isso em termos históricos, concretos e contemporâneos. Louvar o silêncio abstratamente, sem ter em mente essa dimensão concreta, é insatisfatório.

IHU On-Line – De que forma a Modernidade reconfigura a poesia e como isso impacta no místico, no transcendente?

Eduardo Losso – A Modernidade deu à poesia a possibilidade de sua autonomia, de seu destaque de ideologias e doutrinas religiosas. Como a mística, inclusive a poesia mística, especialmente desde o século XII, tinha sido uma ameaça ao controle eclesiástico, a mística deu à poesia moderna a chave de como perseguir o reencantamento do mundo num mundo desencantado, sem ignorar o abalo dos valores doutrinários e, mesmo que a mística tradicional não pretenda romper com autoridades doutrinais, são elas que rompem com a mística, devido a sua incorrigível ousadia.

As variadas místicas do século XII ao XVII deram à poesia moderna tanto uma lição de rebeldia quanto de prática de si, tanto de disciplina quanto de indisciplina extática. Recomendo a audição da canção “Indiscipline”, do King Crimson [17] dos anos 80, um bom exemplo de peso dionisíaco pós-psicodélico, feita de uma estrutura contrastiva, cheia de jogos rítmicos internos, que ilustra musicalmente o assunto.

A outra questão que a sua pergunta toca é o que seria, afinal, uma mística da própria poesia moderna, não é?

IHU On-Line – O senhor trabalhou a secularização da mística na arte moderna. No que consiste essa secularização? Podemos considerar que o transcendente foi esvaziado? Por quê?

Eduardo Losso – Foi. A crença numa transcendência eterna foi completamente abalada, sim, no setor mais avançado da poesia moderna, mas isso não se deu sem muitas perturbações coletivas e pessoais. Baudelaire [18] e Rimbaud [19] expõem um conflito interior muito intenso com seu destino de pecadores. Lautréamont [20] assume a maldição, Huysmans [21] produziu um decadentismo maldito para depois se converter de novo ao catolicismo. Depois, muitos escritores católicos defendem o catolicismo de Baudelaire e Rimbaud; outros, especialmente os surrealistas, defendem seu caráter anticlerical. Essa briga fica evidente, aqui no Brasil, nas diferentes leituras que Mário [22] e Oswald de Andrade [23], de um lado, e Murilo Mendes [24], Jorge de Lima [25] e Alceu Amoroso Lima, de outro, fazem dos precursores, e como os desdobram em suas poéticas.

Uma coisa é a rebeldia anticlerical que é explícita nos movimentos simbolista e surrealista, outra é a proximidade de ambos com o esoterismo. A presença constante do esoterismo no século XIX e em boa parte do século XX nos movimentos artísticos sempre foi vista com extrema repulsa tanto por católicos e protestantes quanto por ateus anarquistas, comunistas, socialistas e liberais. Tal esoterismo tem raízes antigas, mas suas bases floresceram no hermetismo renascentista e ele explodiu, tornando-se moda, na segunda metade do século XIX, e não se entende o simbolismo sem ele. No modernismo, o esoterismo foi uma presença central em todas as suas vertentes, especialmente em figuras como Kandinsky [26] e Breton [27]; em seguida, todo um espiritualismo da vida alternativa, fora da cidade, vai mobilizar beatniks e hippies. O belo filme Hilda Hilst pede contato (2018) [28], de Gabriela Greeb [29], deste ano, exemplifica o lado paranormal dessa vertente.

Na briga entre ateus e cristãos, escritores ateus ou supostamente ateus ou disfarçadamente ou discretamente religiosos são bem aceitos para críticos literários laicos, enquanto escritores orgulhosamente cristãos são bem aceitos em terrenos teológicos, e menos aceitos do outro lado. Muitos escritores que flertaram com o esoterismo ou tiveram esse seu lado menosprezado (como é o caso de Hugo [30], Baudelaire, Rimbaud, Mallarmé [31], Nerval [32], Breton [33], entre tantos outros), ou foram quase apagados da história (é o caso do grande poeta e intelectual simbolista brasileiro Dario Vellozo [34]). O que nossa academia pós-moderna não quer ver é que o esoterismo pode ter tanto tentáculos progressistas quanto os mais temerariamente conservadores. Se você não reconhece os progressistas, se você teima em manter o tabu de não falar dele, de não estudá-lo, o resultado é lógico: ele vai prosperar lá no outro lado.

Tudo isso para dizer que existe uma problemática nessa questão que está puramente atrelada a meros conflitos de influência política, em que os terrenos de saber e poder se digladiam e criam forças de atuação no reconhecimento de escritores modernos. Quando se fala levianamente de “cânone”, dever-se-ia pensar nessas relações de força mais específicas de sua configuração.

O abismo do niilismo

O outro lado da questão é o drama do sujeito diante da morte de Deus – o abismo do niilismo – que foi experimentado intensamente por todos esses nomes que citei aqui e que motivou idas e vindas de todos eles entre os três territórios que eu mencionei: cristianismo, ateísmo e esoterismo, e que, inclusive, deu margem a incursões em religiões orientais, hinduísmos e budismos, especialmente.

Não podemos desconsiderar o fato de que a política se tornou, estruturalmente, a verdadeira religião, com direito a fidelizações inabaláveis ou conversões extremas, demonizações do lado oposto, cismas, projetos messiânicos, e a maior prova disso é, justamente, como a importância da religião na política só tem crescido. Deveríamos pensar num outro fenômeno: escolas de pensamento dentro de formações profissionais, tanto na universidade como fora dela, contêm uma estrutura que tem suas modalidades de conversão, iniciação e sacerdócio secular. Certamente que elas convivem entre si, seja com discussões amigáveis, seja com formas de blindagem e tipificação recíprocas. Pessoas podem pertencer a uma, ou a duas escolas, ou áreas de conhecimento, ou de estudo (studies), podem criar espaços de mediação metodológica ou “interdisciplinar”, ou mesmo podem existir pessoas híbridas, “contemporâneas”, perdidas ou não, mas essas possibilidades de afrouxamento não diminuem seu poder de estabelecimento não só no plano mental, mas no âmbito de todo um modo de vida. Uma pode estar em baixa e diminuir sua influência e voz, outra pode estar em alta e obrigar todas a ser levada em consideração. Chegando a esse ponto, ela vai incidir em costumes, comportamentos, modos de existência.

Recentemente, no plano político, houve, para um grande número de pessoas, uma experiência radical de conversão ao feminismo, ou ao ativismo ecológico, ou ao veganismo, em que o mundo se revelou completamente diferente do que havia sido outrora. Essa capacidade de transformação profunda de subjetividades que movimentos políticos, intelectuais, ideológicos e culturais possuem molda a visão de mundo dos envolvidos. No elevado nível de promessa e potencial de autotransformação, escolas de pensamento laicas e ordens esotéricas não estão nada distantes umas das outras.

Os conservadores reagem religiosamente a um fenômeno que, de fato, não pode ser excluído do âmbito religioso, mesmo que advindo de um terreno tido como secular. O que geralmente é trabalhado no plano discursivo, em cursos, palestras, artigos e livros, tendo um projeto de expansão ideológica, depois pode chegar em notícias, memes, posts, vídeos, compartilhamentos e encaminhamentos de WhatsApp e Facebook. Vivemos hoje uma espécie de hiperpenetração de ideologias na vida virtual dos usuários. O nível de constância e intensidade de informação, advinda de diversas mídias e interatividades, pode compor um indivíduo tão preenchido por uma visão de mundo quanto o monge mais devoto e o ativista mais empenhado.

IHU On-Line – No Brasil de hoje, há espaço para a arte em meio a tantas crises? Por quê?

Eduardo Losso – Deve haver, não tem como não haver. Depende de nossa saúde mental, de nossa medida de sobrevivência, hoje, não ficar só dando importância a eternas discussões sobre política partidária, que geralmente nos tornam reféns de projetos de poder dos políticos e dos partidos, e destituem nossa própria autonomia e espaço de circulação enquanto produtores culturais, isto é, ofuscam a nossa política. O holofote constante na polarização apagou a cena artística de tal forma que geralmente as únicas manifestações culturais que se destacam são aquelas que se referem a ele. Isso já é um certo silenciamento da cultura, justamente na sua capacidade única de singularização de vozes. A espetacularização da guerra moral (que é chamada, ironicamente, de “cultural”) retira a atenção para outras dimensões do olhar. Trata-se de um dos efeitos da cultura do déficit de atenção, sobre a qual filosofa o grande teórico crítico Christoph Türcke [35], cujo último livro lançado no Brasil José Pedro Antunes [36] traduziu e eu revisei: ela leva a um empobrecimento inédito da percepção, uma tremenda cegueira para sutilezas. Francisco Bosco [37], importante figura da política cultural de hoje, é um dos poucos pensadores conscientes desse problema.

Então, se artistas, críticos e produtores culturais de alto nível não param de trabalhar, devemos é dar espaço a eles, e não duvido que, junto com o árduo esforço de educadores, essa é a melhor coisa que podemos fazer para lidar com os terrores contemporâneos, por isso vou aqui citar alguns nomes. Thiago Amud [38] acabou de lançar o CD O cinema que o sol não apaga. Junto com os dois outros, a obra de Amud tem se revelado como a melhor coisa que já ouvi da MPB nos últimos 30 anos, não é à toa que Caetano tem falado dele em quase toda entrevista que dá recentemente.

Ainda insisto no CD do Pedro Sá Moraes [39], Além do princípio do prazer, de 2013, que merece mais atenção do que teve. Tanto o CD de Amud quanto o do Pedro tiveram a inventiva produção de Ivo Senra. O trabalho de incursão na Amazônia profunda de Thiago de Mello , na voz da divina cantora Ilessi, também me entusiasma. O livro que organizei com Pedro Sá Moraes, Música chama, fala sobre essa produção.

Além da MPB

Já não sei se seria fora da MPB, mas de qualquer modo mais dentro do rock alternativo, as composições solos de ex-integrantes da histórica banda dos anos 90 de “rock regressivo”, Zumbi do Mato, refiro-me a Löis Lancaster e Marlos Salustiano, estão simplesmente no auge de sua criatividade e produtividade e revelam-se a fina flor do melhor que o rock brasileiro produziu em toda sua história, motivo pelo qual eu os considero, junto com Amud, os principais nomes de uma construtiva ousadia artística na música popular.

A banda Dos Cafundós foi, a meu ver, a grande revelação de 2012, mas, por ser um trabalho sofisticado demais para atrair um público mais extenso (é o que sempre lamento na vida…), um de seus integrantes, Pedro Carneiro [41], por vezes com o nome artístico “Vovô Bebê”, passou para o terreno da MPB e aí tem sido mais reconhecido, e nos últimos dias fez um quarteto com Amud, Sylvio Fraga [42] e Luiza Brina, cujo show recente foi lindo de se ver, aliás, o trabalho poético, musical e cancional de Sylvio Fraga é especial. Nos últimos anos também se sobressaíram as belíssimas composições mineiras de Kristoff Silva, que recomendo expressamente. Gosto também de Rômulo Fróes [43] e Bruno Cosentino [44].

Poesia

Poetas em atividade não faltam: merecem especial louvor os veteranos que sempre aparecem com grandes surpresas, como Afonso Henriques Neto, o verdadeiro mago surreal da geração marginal, que em breve vai lançar seu primeiro épico; a vida no estranho mundo natural de Leonardo Fróes [45] e seu último livro, Trilha; a incansável e ininterrupta produção de Armando Freitas Filho [46]; impressionam também os últimos livros de Salgado Maranhão.

O trabalho crítico e poético de Alberto Pucheu [47], também intenso e numeroso, tem sido uma voz singular ao pensar sobre política a partir de seu desguarnecimento poético-filosófico. Também impressiona o nosso acadêmico Marco Lucchesi [48], um dos maiores pensadores e praticantes da contemporaneidade da mística na poesia hoje. Dessa geração, sempre acompanho Claudia Roquette Pinto [49], Carlito Azevedo [50] e Eucanaã Ferraz [51]; vale destacar a extravagante poesia de Waldo Motta [52].

A mais incansável e ativa de todas as pessoas que conheço é Sergio Cohn [53] e sua Azougue Editorial, cujo trabalho crítico é imprescindível, revigorador de um viés do pensamento poético pouco visível antes dele e do qual sinto fazer parte. Sua produção encantadora tenho estudado como o ponto de chegada daquilo que chamamos de tradição delirante na poesia brasileira, bem como o trabalho editorial e poético de Renato Rezende [54], sobre o qual já escrevi um livro. Da minha geração, também destaco a produção de André Luiz Pinto, Tarso de Melo [55], Rodrigo Petronio [56] e Mariana Ianelli [57].

Agora cito novos poetas que têm me chamado atenção. Em primeiro lugar, uma explosão de mulheres, o que todos estão comemorando com razão: Ana Paula Simonaci, Danielle Magalhães, Gab Marcondes, Mariana Basílio e Bruna Mitrano; além delas, Nuno Rau, Rafael Zacca e o jovem monge Tito Leite, cujo livro Digitais do caos, me surpreendeu.

Na prosa, gosto especialmente dos romances de Marcia Tiburi [58] e os contos de Evando Nascimento.

Por que não lembrar do meu recém-lançado livro, Sublime e violência. Ensaios sobre poesia brasileira contemporânea, em que reflito sobre todas essas questões e analiso a obra de alguns dos autores que citei?

IHU On-Line – Depois da experiência de 2013, o Brasil vive um avanço da extrema direita. Como o senhor vê esse atual cenário? O que ficou das resistências e dos sonhos de 2013?

Eduardo Losso – Acho que a esquerda (não somente o PT, a esquerda como um todo) deve fazer uma profunda autocrítica de todos os erros que levaram a dar de mão beijada a vitória a eles. A meu ver, ela se enganou gravemente em quatro aspectos: desprezo pela classe média, desprezo pela religião (dos setores mais culturais e intelectualizados), desconsideração pelas preocupações morais da população e fragmentação dos movimentos identitários.

Por tudo isso, eu poderia ficar aqui falando do pavor que todos sentem pela ascensão de um pensamento extremista e nada respeitado por todos os nossos critérios. Ao contrário, o que eu vou dizer é que precisamos ouvi-los. Nossas humanidades foram criando, ao longo do tempo, uma redoma em que só se lê mais ou menos as mesmas escolas, as mesmas tradições e vive-se sempre no mesmo espectro ideológico. Um Benjamin, um Adorno, um Foucault, um Leandro Konder [59], um Antonio Candido [60] não tinham esse entrave: liam o outro lado, discutiam com muitas alteridades epistemológicas e sabiam, inclusive, apreciá-las.

Eu sou um ateu que fiz de todo o meu esforço intelectual um espaço de diálogo com estudiosos de religião, e sinto muita falta desse empenho no meu campo. Não é sem motivo que meu grupo de pesquisa seja de estudos interdisciplinares de mística, o Apophatiké, e que estejamos sempre publicando e produzindo eventos e discussões. Merece menção um deles, organizado por Marcus Reis Pinheiro [61] e pela direção do Instituto de Ciências Humanas e Filosofia da Universidade Federal Fluminense - UFF, em que compus a mesa com Maria Clara Bingemer [62], e falamos sobre a fundamental relação entre cristianismo e universidade hoje.

Este ano houve eventos necessários e produtivos dentro dessa área: participei do VII Congresso ALALITE Rio 2018. Teopoética: Mística e Poesia, que foi organizado por Alex Villas Boas, Marcio Capelli e Maria Clara, na PUC-Rio; e de outro que destaco: Teopoética - Presenças do Sagrado na Literatura, no Sesc São Paulo, organizado por Leandro Garcia. Além desses amigos citados que admiro, o trabalho de mística comparada de Faustino Teixeira, que além do mais é um leitor voraz de poesia, confirma-se a meu ver como central.

Repensando questões morais

Acho que intelectuais de esquerda precisam repensar questões morais, precisam ler mais sobre religião, precisam parar de menosprezar a classe média e precisam parar de se subdividir, de se magoar uns aos outros e ter algum horizonte de união, para além das disputas partidárias. E quando digo união, é para expandir mesmo: com religiosos, evangélicos inclusive e, naturalmente, com a classe média que ridicularizam, enfim, é preciso reconhecer os progressistas de setores que podem não estar dentro dos tipos ideais que a esquerda passou a cultuar. Eles podem ser a ponte para se chegar à base perdida.

A maior parte do povo brasileiro se considera classe média, mesmo sendo classe C, então falar mal de classe média é um disparate, como já demonstrei em um artigo que teve alguma repercussão. A maior parte do povo brasileiro gosta de moral e religião. Se quiser sensibilizá-los, é preciso deixar que eles nos sensibilizem.

Mano Brown [63] deu um recado a esse respeito, falta seguirmos a sua indicação. Enquanto isso não ocorrer, verei o retumbante fracasso como perfeitamente natural. Se a única esperança da esquerda se reduzir a aguardar o fracasso deles, fico com a sensação de que ninguém mais sabe aprender com as derrotas, isto é, que ninguém mais sabe aprender.

IHU On-Line – Como nutrir esperança através da arte, especialmente poesia e literatura, mobilizando um conhecimento de si mesmo? E como levar esse conhecimento individual à transformação coletiva?

Eduardo Losso – Eis a questão.

 

Notas: 

[1] Friedrich Nietzsche (1844-1900): filósofo alemão, conhecido por seus conceitos além-do-homem, transvaloração dos valores, niilismo, vontade de poder e eterno retorno. A Nietzsche foi dedicado o tema de capa da edição número 127 da IHU On-Line, de 13-12-2004, intitulado Nietzsche: filósofo do martelo e do crepúsculo. A edição 15 dos Cadernos IHU em formação é intitulada O pensamento de Friedrich Nietzsche. Confira, também, a entrevista concedida por Ernildo Stein à edição 328 da revista IHU On-Line, de 10-5-2010, intitulada O biologismo radical de Nietzsche não pode ser minimizado, na qual discute ideias de sua conferência A crítica de Heidegger ao biologismo de Nietzsche e a questão da biopolítica, parte integrante do Ciclo de Estudos Filosofias da diferença - Pré-evento do XI Simpósio Internacional IHU: O (des)governo biopolítico da vida humana. Na edição 330 da revista IHU On-Line, de 24-5-2010, leia a entrevista Nietzsche, o pensamento trágico e a afirmação da totalidade da existência, concedida pelo professor Oswaldo Giacoia. Na edição 388, de 9-4-2012, leia a entrevista O amor fati como resposta à tirania do sentido, com Danilo Bilate. Na edição 513, de 16-10-2017, leia a entrevista Uma política de vida ao invés de uma política sobre a vida. A biopolítica afirmativa de Nietzsche. A edição 529 da IHU On-Line teve como tema de capa Nietzsche. Da moral de rebanho à reconstrução genealógica do pensar. (Nota da IHU On-Line)

[2] Soren Kierkegaard (1813-1855): filósofo existencialista dinamarquês. Alguns de seus livros foram publicados sob pseudônimos: Víctor Eremita, Johannes de Silentio, Constantín Constantius, Johannes Climacus, Vigilius Haufniensis, Nicolás Notabene, Hilarius Bogbinder, Frater Taciturnus e Anticlimacus. Filosoficamente, faz uma ponte entre a filosofia de Hegel e o que viria a ser posteriormente o existencialismo. Boa parte de sua obra dedica-se à discussão de questões religiosas como a natureza da fé, a instituição da igreja cristã, a ética cristã e a teologia. Autor de O Conceito de Ironia (1841), Temor e Tremor (1843) e O Desespero Humano (1849). A respeito de Kierkegaard, confira a entrevista Paulo e Kierkegaard, realizada com Álvaro Valls, da Unisinos, na edição 175, de 10-4-2006, da IHU On-Line. A edição 314 da IHU On-Line, de 9-11-2009, tem como tema de capa A atualidade de Soren Kierkeggard. Leia, também, uma entrevista da edição 339 da IHU On-Line, de 16-8-2010, intitulada Kierkegaard e Dogville: a desumanização do humano, concedida pelo filósofo Fransmar Barreira Costa Lima. (Nota da IHU On-Line)

[3] Walter Benjamin (1892-1940): filósofo alemão. Foi refugiado judeu e, diante da perspectiva de ser capturado pelos nazistas, preferiu o suicídio. Associado à Escola de Frankfurt e à Teoria Crítica, foi fortemente inspirado tanto por autores marxistas, como Bertolt Brecht, como pelo místico judaico Gershom Scholem. Conhecedor profundo da língua e cultura francesas, traduziu para o alemão importantes obras como Quadros parisienses, de Charles Baudelaire, e Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust. O seu trabalho, combinando ideias aparentemente antagônicas do idealismo alemão, do materialismo dialético e do misticismo judaico, constitui um contributo original para a teoria estética. Entre as suas obras mais conhecidas, estão A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica (1936), Teses sobre o conceito de história (1940) e a monumental e inacabada Paris, capital do século XIX, enquanto A tarefa do tradutor constitui referência incontornável dos estudos literários. Sobre Benjamin, confira a entrevista Walter Benjamin e o império do instante, concedida pelo filósofo espanhol José Antonio Zamora à IHU On-Line nº 313. (Nota da IHU On-Line)

[4] Theodor Wiesengrund Adorno (1903-1969): sociólogo, filósofo, musicólogo e compositor, definiu o perfil do pensamento alemão das últimas décadas. Adorno ficou conhecido no mundo intelectual, em todos os países, em especial pelo seu clássico Dialética do Iluminismo, escrito junto com Max Horkheimer, primeiro diretor do Instituto de Pesquisa Social, que deu origem ao movimento de ideias em filosofia e sociologia que conhecemos hoje como Escola de Frankfurt. (Nota da IHU On-Line)

[5] João da Cruz e Sousa (1861-1898): foi um poeta brasileiro. Com a alcunha de Dante Negro ou Cisne Negro, foi um dos precursores do simbolismo no Brasil. Segundo Antonio Candido, Cruz e Sousa foi o "único escritor eminente de pura raça negra na literatura brasileira, onde são numerosos os mestiços". (Nota da IHU On-Line)

[6] Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos [Augusto dos Anjos] (1884-1914): poeta paraibano, identificado muitas vezes como simbolista ou parnasiano, mas muitos críticos, como o poeta Ferreira Gullar, concordam em situá-lo como pré-moderno. Entre seus autoepítetos, se destacam “Poeta da morte”, “Poeta do hediondo” e “Poeta da Anti-Hipocrisia”. (Nota da IHU On-Line)

[7] Machado de Assis [Joaquim Maria Machado de Assis] (1839-1908): escritor brasileiro, considerado o pai do realismo no Brasil, escreveu obras importantes como Memórias póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro, Quincas Borba e vários livros de contos. Também escreveu poesia e foi um ativo crítico literário, além de ser um dos criadores da crônica no país. Fundador da Academia Brasileira de Letras. Sobre o escritor, há duas edições da IHU On-Line: 262, de 16-6-2008, intitulada Machado de Assis: um conhecedor da alma humana, e 275, de 29-9-2008, intitulada Machado de Assis e Guimarães Rosa: intérpretes do Brasil. (Nota da IHU On-Line)

[8] Carlos Drummond de Andrade (1902-1987): poeta brasileiro, nascido em Minas Gerais. Além de poesia, produziu livros infantis, contos e crônicas. (Nota da IHU On-Line)

[9] Isaac Bashevis Singer (1902-1991): escritor judeu-americano. Nasceu na Polônia, mas viveu muitos anos nos Estados Unidos, onde escreveu e publicou sua obra. (Nota da IHU On-Line)

[10] Michel Foucault (1926-1984): filósofo francês. Suas obras, desde a História da Loucura até a História da sexualidade (a qual não pôde completar devido a sua morte), situam-se dentro de uma filosofia do conhecimento. Foucault trata principalmente do tema do poder, rompendo com as concepções clássicas do termo. Em várias edições, a IHU On-Line dedicou matéria de capa a Foucault: edição 119, de 18-10-2004; edição 203, de 6-11-2006; edição 364, de 6-6-2011, intitulada 'História da loucura' e o discurso racional em debate; edição 343, O (des)governo biopolítico da vida humana, de 13-9-2010, e edição 344, Biopolítica, estado de exceção e vida nua. Um debate. Confira ainda a edição nº 13 dos Cadernos IHU em formação, Michel Foucault – Sua Contribuição para a Educação, a Política e a Ética. (Nota da IHU On-Line)

[11] Franz Kafka (1883-1924): escritor tcheco, de língua alemã. Considerado pela crítica um dos escritores mais influentes do século 20. A maior parte de sua obra, como A metamorfose, O processo e O castelo, está repleta de temas e arquétipos de alienação e brutalidade física e psicológica, conflito entre pais e filhos, personagens com missões aterrorizantes, labirintos burocráticos e transformações místicas. Albert Camus, Gabriel García Márquez e Jean-Paul Sartre estão entre os escritores influenciados pela obra de Kafka. O termo "kafkiano" popularizou-se em português como algo complicado, labiríntico e surreal, como as situações encontradas em sua obra. (Nota da IHU On-Line)

[12] Donald Trump (1946): Donald John Trump é um empresário, ex-apresentador de reality show e atual presidente dos Estados Unidos. Na eleição de 2016, Trump foi eleito o 45º presidente norte-americano pelo Partido Republicano, ao derrotar a candidata democrata Hillary Clinton no número de delegados do colégio eleitoral; no entanto, perdeu no voto popular. Entre suas bandeiras estão o protecionismo norte-americano, por onde passam questões econômicas e sociais, como a relação com imigrantes nos Estados Unidos. Trump é presidente do conglomerado The Trump Organization e fundador da Trump Entertainment Resorts. Sua carreira, exposição de marcas, vida pessoal, riqueza e modo de se pronunciar contribuíram para torná-lo famoso. (Nota da IHU On-Line)

[13] Jean-François Lyotard (1924-1998): filósofo francês, autor de uma filosofia do desejo e significado representante do pós-modernismo. Escreveu, entre outros, A fenomenologia (Lisboa: Edições 70, 1954), O inumano: considerações sobre o tempo (Lisboa: Estampa, 1990), Heidegger e 'os judeus' (Lisboa: Instituto Piaget, 1999) e A condição pós-moderna (8ª ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2004). (Nota da IHU On-Line)

[14] Pierre Hadot (1922-2010): filósofo francês, é um dos coautores do livro Dicionário de ética e Filosofia Moral (São Leopoldo: Unisinos, 2003). Suas pesquisas concentraram-se primeiramente nas relações entre helenismo e cristianismo, em seguida, na mística neoplatônica e na filosofia da época helenística. Elas se orientam atualmente para uma descrição geral do fenômeno espiritual que a filosofia representa. Em português, pode ser lido o livro de sua autoria O que é a filosofia antiga? (São Paulo: Loyola, 1999). Para uma resenha da obra, confira a revista Síntese 75 (1996), p. 547-551. A resenha do original francês é de Henrique C. de Lima Vaz. Em português, foi publicado, em novembro de 2014, o seu livro Exercícios Espirituais e Filosofia Antiga (É Realizações Editora). (Nota da IHU On-Line)

[15] Gilka Machado (1893-1980): foi uma poetisa brasileira. Seu trabalho geralmente é classificado como simbolista. Machado ficou conhecida como uma das primeiras mulheres a escrever poesia erótica no Brasil; também foi uma das fundadoras do Partido Republicano Feminino (em 1910), que defendia o direito das mulheres ao voto. (Nota da IHU On-Line)

[16] Alceu Amoroso Lima (1893-1983): nascido no Rio de Janeiro, crítico literário, professor, pensador, escritor e líder católico. Adotou o pseudônimo de Tristão de Ataíde. (Nota da IHU On-Line)

[17] King Crimson: é um grupo musical inglês formado pelo guitarrista Robert Fripp e pelo baterista Michael Giles em 1969. O estilo musical da banda costuma ser categorizado como rock progressivo, mas a sua sonoridade carrega vários estilos, como jazz, música erudita, new wave, heavy metal e folk. (Nota da IHU On-Line)

[18] Charles-Pierre Baudelaire (1821-1867): poeta e teórico da arte francês. É considerado um dos precursores do Simbolismo e reconhecido internacionalmente como o fundador da tradição moderna em poesia, juntamente com Walt Whitman, embora tenha se relacionado com diversas escolas artísticas. Sua obra teórica também influenciou profundamente as artes plásticas do século XIX. Em 1857 lança As flores do mal, contendo 100 poemas. O livro é acusado de ultrajar a moral pública. (Nota da IHU On-Line)

[19] Jean-Nicolas Arthur Rimbaud (1854-1891): poeta francês. Produziu suas obras mais famosas quando ainda era adolescente, sendo descrito por Paul James, à época, como "um jovem Shakespeare". (Nota da IHU On-Line)

[20] Isidore Lucien Ducasse, mais conhecido pelo pseudônimo literário de Conde de Lautréamont (1846-1870): foi um poeta uruguaio que viveu na França. É o autor dos Cantos de Maldoror. Sua poesia também era apreciada por André Breton, que o considerava, de certa forma, como um dos precursores do surrealismo. (Nota da IHU On-Line)

[21] Joris-Karl Huysmans (1848-1907): foi um escritor e crítico de arte francês, primeiramente associado a Émile Zola e ao grupo de naturalistas. Depois, juntou-se ao Movimento Decadente Francês. Huysmans era "um artista maior do que Zola", segundo o crítico Ford Maddox Ford, no Marchas da literatura (1938): "deixou as catedrais e as estradas deste mundo em 1907, e não suponho que se ouvirá, ao menos uma vez, em qualquer época, seu nome mencionado em reuniões literárias." A conversão de Huysmans, do Satanismo ao Catolicismo, da obsessão por sensações bizarras à busca da vida espiritual, pode ser seguida em livros como A rebours (1884), Là-bas (1891) e La cathèdrale (1898). (Nota da IHU On-Line)

[22] Mário de Andrade (1893-1945): nascido em São Paulo, poeta, romancista, musicólogo, historiador, crítico de arte e fotógrafo brasileiro. Um dos fundadores do modernismo brasileiro, praticamente criou a poesia moderna brasileira com a publicação de seu livro Pauliceia desvairada, em 1922. Foi a força motriz por trás da Semana de Arte Moderna, evento ocorrido em 1922 que reformulou a literatura e as artes visuais no Brasil. Exerceu uma influência enorme na literatura moderna brasileira e, como ensaísta e estudioso (foi um pioneiro do campo da etnomusicologia), sua notoriedade transcendeu as fronteiras do Brasil. Andrade foi a figura central do movimento de vanguarda de São Paulo por vinte anos. Seu romance Macunaíma foi publicado em 1928. (Nota da IHU On-Line)

[23] Oswaldo de Camargo: poeta e escritor brasileiro, estudou no Seminário Menor Nossa Senhora da Paz, em São José do Rio Preto. Ainda aprendeu a tocar piano e harmonia no Conservatório Santa Cecília, em São Paulo. Intitula-se herdeiro de buscas culturais de negros do País que, no início do século XX, começaram a reavaliação da situação do elemento afro-brasileiro e partiram para uma tentativa de inseri-lo social e culturalmente, tendo como armas sobretudo agremiações de cultura, jornais alternativos para a coletividade, teatro negro, a literatura, sobretudo a escrita por poetas de temática afro-brasileira, como Lino Guedes e Solano Trindade. (Nota da IHU On-Line)

[24] Murilo Mendes (1901-1975): um dos mais importantes poetas brasileiros, nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais. Publicou seu primeiro livro, Poemas, em 1930, ano em que também estreia o poeta Carlos Drummond de Andrade. Recebeu, em 1972, o prêmio internacional de poesia Etna-Taormina. Nesse ano veio ao Brasil pela última vez. Ao lado de seus livros, Murilo Mendes também publicou muito na imprensa, em especial artigos sobre artes plásticas, tendo ainda escrito muitos textos para catálogos de exposições de arte. (Nota da IHU On-Line)

[25] Jorge de Lima (1893-1953): escritor brasileiro, alagoano. Suas obras se dividem em três fases mais notórias: a primeira, de cunho parnasianista/simbolista; a segunda, quando aderiu ao movimento modernista; e a terceira, quando seus livros exibiam um profundo traço surreal e religioso, notadamente católico. (Nota da IHU On-Line)

[26] Wassily Kandinsky (1866-1944): artista russo, nacionalizado francês, professor da Bauhaus e introdutor da abstração no campo das artes visuais. (Nota da IHU On-Line)

[27] André Breton: criador do movimento artístico e literário conhecido como Surrealismo, surgido na França, no início do século XX. Em 1924, André Breton publica o Primeiro Manifesto Surrealista. A sua pretensão é conseguir a escrita automática, o fluxo do subconsciente liberado de todas as pressões sociais e culturais. A influência da psicanálise e das obras de Freud é evidente, e na sua base reside a ideia de conseguir mudar a sociedade. Para isso, a escrita deve ser pura, refletindo unicamente aquilo que pensamos, sem correções nem retificações impostas pela "autocensura" que todos exercemos. (Nota da IHU On-Line)

[28] Documentário sobre a escritora, poeta e dramaturga Hilda Hilst, considerada uma das mais importantes vozes da língua portuguesa do século 20. Com arquivos pessoais, depoimentos, encontros e intervenções, o filme revela sua memória e presença na Casa do Sol, chácara onde vivia em Campinas. (Nota da IHU On-Line)

[29] Gabriela Greeb: diretora e roteirista de cinema, estudou Filosofia, Letras e Ciências Humanas na PUC e na USP. Deixou o Brasil em 1989 para estudar línguas na Europa, onde ficou por 12 anos entre Londres, Barcelona e Paris. Autora de curtas de ficção, documentários e vídeo instalações, Greeb realizou seu primeiro documentário em 1996, Le Baiser, que foi exibido em mais de mil salas de cinema da França. Em 2003, fundou o estúdio independente Homemadefilms, com o objetivo de produzir documentários autorais e instalações audiovisuais. (Nota da IHU On-Line)

[30] Hugo von Hofmannsthal (1874-1929): foi um escritor e dramaturgo austríaco e um dos instituidores do Festival de Salzburgo. Hofmannsthal alcançou prestígio internacional graças a sua colaboração com o compositor e maestro alemão Richard Strauss e foi um dos mais importantes representantes do movimento Fin de Siècle da língua alemã. (Nota da IHU On-Line)

[31] Stéphane Mallarmé (1842-1898): poeta e crítico literário francês. Mallarmé se utilizava dos símbolos para expressar a verdade através da sugestão, mais que da narração. Sua poesia e sua prosa se caracterizam pela musicalidade, a experimentação gramatical e um pensamento refinado e repleto de alusões que pode resultar em um texto às vezes obscuro. Seus poemas mais conhecidos são L’aprés-midi d’un faune (1876), Herodias (1869) e Un coup de dês (1897). Outras obras importantes de Mallarmé são a antologia Verso e prosa (1893) e o volume de ensaios em prosa Divagações (1897). Mallarmé destacou-se por uma literatura que se mostra ao mesmo tempo lúcida e obscura. É, por isso, considerado um poeta difícil e hermético. Sobre Mallarmé, confira a entrevista A quase-arte de Mallarmé, concedida por André Dick, doutor em Literatura Comparada pela UFRGS. O material pode ser acessado aqui. (Nota da IHU On-Line)

[32] Gérard de Nerval (1808-1855): poeta francês. Desde cedo foi atraído pela literatura alemã, em especial "Contos Fantásticos", de Hoffmann, e "Fausto", de Goethe, que começou a traduzir em 1828. (Nota da IHU On-Line)

[33] André Breton: criador do movimento artístico e literário conhecido como Surrealismo, surgido na França, no início do século XX. Em 1924, André Breton publica o Primeiro Manifesto Surrealista. A sua pretensão é conseguir a escrita automática, o fluxo do subconsciente liberado de todas as pressões sociais e culturais. A influência da psicanálise e das obras de Freud é evidente, e na sua base reside a ideia de conseguir mudar a sociedade. Para isso, a escrita deve ser pura, refletindo unicamente aquilo que pensamos, sem correções nem retificações impostas pela "autocensura" que todos exercemos. (Nota da IHU On-Line)

[34] Dario Persiano de Castro Vellozo (1869-1937): poeta e escritor brasileiro. (Nota da IHU On-Line)

[35] Christoph Türcke: filósofo alemão, professor de filosofia na Hochschule für Grafik und Buchkunst em Leipzig. Dentre suas principais publicações, destacam-se: Der tolle Mensch. Nietzsche und der Wahnsinn der Vernunft (4a ed., 2000), livro que foi traduzido para a língua portuguesa com o seguinte título: O louco: Nietzsche e a mania da razão (Rio de Janeiro: Vozes, 1993); Sexus und Geist: Philosophie im Geschlechterkampf (3a ed., 2001); e Rückblick aufs Kommende: Altlasten der neuen Weltordnung. (Nota da IHU On-Line)

[36] José Pedro Antunes: possui graduação em Letras pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1972), mestrado em Teoria Literária pela Universidade Estadual de Campinas (1989) e doutorado em Teoria Literária pela Universidade Estadual de Campinas (2001). Atualmente é professor assistente doutor da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Temas de interesse: tradução literária, teoria literária, vanguardas históricas, literatura alemã do século XX, teatro, cinema, poesia, língua alemã, entre outros. (Nota da IHU On-Line)

[37] Francisco de Castro Mucci (1976): conhecido como Francisco Bosco, é um poeta, compositor e filósofo brasileiro. Em 2015, foi nomeado presidente da Funarte. Em 2016 foi exonerado. Filho do músico João Bosco, fez doutorado em Teoria Literária pela UFRJ. Foi coordenador da Rádio Batuta e colunista do jornal O Globo. Suas primeiras composições em parceria com o pai foram registradas por este no CD As mil e uma aldeias, de 1997. A dupla voltou a funcionar nos álbuns Na esquina (2000) e Malabaristas do sinal vermelho (2003). Também compôs com Guinga (Noturno Copacabana) e Fred Martins (Sem aviso, gravado por Maria Rita). (Nota da IHU On-Line)

[38] Thiago Amud (1980): cantor, compositor, arranjador e violinista brasileiro. (Nota da IHU On-Line)

[38] Pedro Sá Moraes: cantor e compositor carioca de MPB. (Nota da IHU On-Line)

[40] Thiago de Mello (1926): poeta brasileiro, ícone da literatura do Amazonas. Tem obras traduzidas para mais de trinta idiomas. Preso durante a ditadura, exilou-se no Chile, encontrando em Pablo Neruda um amigo e companheiro por toda a vida. Com o fim do regime militar voltou à sua pequena cidade natal, Barreirinha, onde vive até hoje. (Nota da IHU On-Line)

[41] Pedro Carneiro: músico, percussionista, compositor e maestro. Pedro Carneiro é um dos poucos músicos de percussão que fez carreira internacional como solista e se estabeleceu como um dos principais percussionistas solo do mundo, apresentando-se regularmente por toda a Europa, Ásia e Estados Unidos. (Nota da IHU On-Line)

[42] Sylvio Fraga: poeta e compositor carioca, formado em Economia pela PUC-Rio, diretor do Museu Antônio Parreiras, em Niterói. Também é mestre em poesia na New York University. (Nota da IHU On-Line)

[43] Romulo Fróes (1971): cantor e compositor brasileiro, iniciou sua carreira na banda Losango Cáqui, com quem lançou de forma independente, dois discos: Losango Cáqui_1997 e Losango Cáqui #2_1999. (Nota da IHU On-Line)

[44] Bruno Cosentino: é cantor e compositor brasileiro. (Nota da IHU On-Line)

[45] Leonardo Fróes (1941): é um poeta, tradutor, jornalista, naturalista e crítico literário brasileiro. (Nota da IHU On-Line)

[46] Armando Martins de Freitas Filho (1940): é um poeta brasileiro. Foi pesquisador na Fundação Casa de Rui Barbosa, secretário da Câmara de Artes no Conselho Federal de Cultura, assessor do Instituto Nacional do Livro, no Rio de Janeiro, pesquisador na Fundação Biblioteca Nacional, assessor no gabinete da presidência da Funarte, onde se aposentou. (Nota da IHU On-Line)

[47] Alberto Pucheu (1966): filósofo, poeta e ensaísta brasileiro, professor doutor do curso de Teoria Literária da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro. (Nota da IHU On-Line)

[48] Marco Lucchesi: mestre em História pela Universidade Federal Fluminense e em Letras (Ciência da Literatura) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Doutor em Letras (Ciência da Literatura) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal do Rio de Janeiro. (Nota da IHU On-Line)

[49] Claudia Roquette-Pinto (1963): poeta brasileira. (Nota da IHU On-Line)

[50] Carlito Azevedo (1961): é um editor, tradutor, crítico e poeta brasileiro. (Nota da IHU On-Line)

[51] Eucanaã Ferraz (1961): poeta brasileiro. Publicou, entre outros, os livros de poemas Desassombro (7 Letras, 2002 - Prêmio Alphonsus de Guimaraens, da Fundação Biblioteca Nacional, melhor livro de poesia de 2002), Rua do mundo (Companhia das Letras, 2004), Cinemateca (Companhia das Letras, 2008), Sentimental (Companhia das Letras, 2012 - Prêmio Portugal Telecom 2013) e Escuta (Companhia das Letras, 2015): para o público infanto-juvenil, Poemas da Iara (Língua Geral, 2008). (Nota da IHU On-Line)

[52] Edivaldo Motta (1959): é poeta, ator, numerólogo, curador, místico e agitador cultural brasileiro, comumente ligado à geração marginal da década de 1980 e, mais especialmente, à de 1990, apontado como uma das mais representativas vozes da poesia brasileira no final do século XX e início do século XXI, ao lado de Fabrício Carpinejar, Angélica Freitas, Micheliny Verunschk, Frederico Barbosa, Cláudia Roquette-Pinto e Cuti. (Nota da IHU On-Line)

[53] Sergio Cohn (1974): poeta e editor. Dirige a revista Azougue desde 1994 e coordena a Azougue Editorial desde 2001. (Nota da IHU On-Line)

[54] Renato Rezende (1964): escritor, tradutor e artista visual. Graduou-se em Estudos Hispânicos pela Universidade de Massachusetts, Estados Unidos. Sua obra Ímpar venceu o Prêmio Alphonsus de Guimaraens da Biblioteca Nacional como melhor livro de poesia de 2005. (Nota da IHU On-Line)

[55] Tarso de Melo (1976): é um advogado e poeta brasileiro. (Nota da IHU On-Line)

[56] Rodrigo Petronio (1975): escritor e filósofo brasileiro. Doutor em Literatura Comparada pela UERJ, com uma tese sobre mesologia, uma teoria geral dos meios situada na fronteira entre a cosmologia, a filosofia, a arte e a antropologia. Desenvolveu doutorado sanduíche na Stanford University, sob orientação de Hans Ulrich Gumbrecht. Formado em Letras Clássicas (USP), tem dois mestrados: em Ciência da Religião (PUC-SP), sobre o filósofo contemporâneo Peter Sloterdijk, e em Literatura Comparada (UERJ), sobre arte e filosofia na Renascença. Foi professor e coordenador dos cursos de Literaturas Espanhola e Hispano-Americana na Universidade Santo André e da Universidade Anhanguera. É professor da pós-graduação dos cursos de Argumento e Roteiro e de História da Arte da FAAP.(Nota da IHU On-Line)

[57] Mariana Ianelli: poeta, ensaísta, cronista e crítica literária brasileira, mestra em Literatura e Crítica Literária pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUCSP. Entre suas produções, destacam-se os livros de poesia Trajetória de antes (1999), Duas chagas (2001), Passagens (2003) e Fazer silêncio (2005), que chegou a finalista dos prêmios Jabuti e Bravo! Prime de Cultura 2006, Além de Almádena (2007), finalista do prêmio Jabuti 2008, Treva alvorada (2010) e O amor e depois (2012), todos pela editora Iluminuras. Como ensaísta, é autora de Alberto Pucheu por Mariana Ianelli, (ed. UERJ, 2013). Estreou na prosa com o livro de crônicas Breves anotações sobre um tigre (ed. ardotempo, 2013). (Nota da IHU On-Line)

[58] Marcia Tiburi: filósofa e artista plástica brasileira, especialista em Filosofia pela Universität Gesamthochschule Kassel, Alemanha, mestra e doutora em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), respectivamente, com a tese Dialética negativa: superação negativa e a transformação da Filosofia em Theodor W. Adorno. É autora de, entre outros, Filosofia Cinza – a melancolia e o corpo nas dobras da escrita (Porto Alegre: Escritos, 2004); Metamorfoses do Conceito – ética e dialética negativa em Theodor Adorno (Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2005) e A mulher de costas (Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006). É autora da 11ª edição do Cadernos IHU ideias, intitulado Os 100 anos de Theodor Adorno e a filosofia depois de Auschwitz, disponível para download no site do Instituto Humanitas Unisinos - IHU. Tiburi fez parte do elenco do programa Saia Justa, veiculado pelo canal fechado GNT, ao lado de Monica Waldvogel, Betty Lago, Maitê Proença e Soninha Francine. (Nota da IHU On-Line)

[59] Leandro Konder: filósofo e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ) e autor de várias obras, entre elas Marxismo e alienação: contribuição para um estudo do conceito marxista de alienação (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1965); A democracia e os comunistas no Brasil (Rio de Janeiro: Graal, 1980) e A derrota da dialética: A recepção das ideias de Marx no Brasil, até o começo dos anos trinta (Rio de Janeiro: Campus, 1988). Em maio de 2002, foi homenageado com o Prêmio Darcy Ribeiro de Melhor Intelectual do Ano durante a cerimônia de lançamento do Fórum do Rio de Janeiro. É considerado um dos grandes responsáveis pela divulgação e expansão dos diálogos sobre o marxismo no Brasil. Filho de Valério Konder, médico e líder comunista, Leandro teve o primeiro contato com os ideais marxistas durante a infância, em sua própria casa, onde intelectuais do Partido Comunista Brasileiro (PCB) se reuniam. Tanto que ele militou dos 15 aos 47 anos no partido. O que era apenas um interesse infantil gerou mais de 20 obras publicadas, além de traduções de autores marxistas como o húngaro Georg Lukács. Por causa da luta política, foi obrigado a fugir para a Alemanha, na década de 70, com o regime militar em seu encalço. (Nota da IHU On-Line)

[60] Antonio Candido de Mello e Souza (1918-2017): nascido no Rio de Janeiro, na infância sua família mudou-se para Poços de Caldas, em Minas Gerais. Escritor, ensaísta, sociólogo e professor universitário, era expoente da crítica literária brasileira e um dos maiores intelectuais da história do Brasil. Professor emérito da Universidade de São Paulo - USP e da Universidade Estadual Paulista - Unesp. Lecionou na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas - FFLCH da USP por 50 anos (1942 a 1992). Candido foi um dos principais pensadores ligados aos estudos sobre a formação do Brasil, inaugurados nos anos 1930 e 1940 por Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Caio Prado Júnior. Ingressou na Faculdade de Direito e na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP em 1939, tendo abandonado a primeira no quinto ano e se formado em Ciências Sociais em 1942. Em 1945, obteve o título de livre-docente com a tese Introdução ao Método Crítico de Sílvio Romero e, em 1954, o grau de doutor em Ciências Sociais com a tese Parceiros do Rio Bonito. Na Universidade Estadual de Campinas - Unicamp, recebeu o título de doutor honoris causa. Aposentou-se na USP em 1978, mas manteve-se como professor do curso de pós-graduação até 1992, ano em que orientou a última tese. Foi crítico da revista Clima (1941-4), juntamente com intelectuais como o crítico de cinema Paulo Emílio Salles Gomes, a ensaísta Gilda de Mello e Souza e o neurocientista Antonio Branco Lefévre. Acadêmica, a revista estabeleceu novos caminhos para a crítica paulistana. Candido também trabalhou como crítico dos jornais Folha da Manhã (1943-5) e Diário de São Paulo (1945-7). Em 1956, idealizou o Suplemento Literário, caderno de crítica que circulava no jornal O Estado de S. Paulo até 1966. Na vida política, participou da luta contra a ditadura do Estado Novo no grupo clandestino Frente de Resistência. Em 1980, participou da fundação do Partido dos Trabalhadores - PT. Em 1959, lançou sua obra mais influente, Formação da Literatura Brasileira. Outros títulos importantes que lançou são Literatura e sociedade (1965), Educação pela noite e outros ensaios (1987) e O romantismo no Brasil (2002). Sobre Candido, conferir as entrevistas “A literatura é um direito do cidadão, um usufruto peculiar”, concedida por Flávio Aguiar à IHU On-Line nº 278, de 20-10-2008, e “Antonio Candido e a crítica cultural contemporânea”, concedida por Célia Pedrosa à IHU On-Line nº 283, de 24-11-2008. (Nota da IHU On-Line)

[61] Marcus Reis Pinheiro: graduado em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, possui mestrado, doutorado e pós-doutorado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e doutorado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Atualmente é chefe de departamento de Filosofia da Universidade Federal Fluminense, onde é professor adjunto II. (Nota da IHU On-Line)

[62] Maria Clara Bingemer: teóloga e decana do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio. É autora de, entre outros, A experiência de Deus num corpo de mulher (São Paulo: Loyola, 2002); e Deus amor: graça que habita em nós. (São Paulo/Valência: Paulinas/ Siquem, 2003). Confira entrevista concedida na edição 84 da IHU On-Line, de 17-11-2003, sobre a filósofa Simone Weil; na edição 103, de 31-5-2004, sobre o Simpósio Internacional O Lugar da Teologia na Universidade do Século XXI. Na edição 121, de 1-11-2004, sobre o sentido cristão da morte. Maria Clara é autora do segundo número dos Cadernos Teologia Pública, Teologia e Espiritualidade. Uma leitura teológico-espiritual a partir da realidade do Movimento Ecológico e Feminista. (Nota da IHU On-Line)

[63] Pedro Paulo Soares Pereira (1970): mais conhecido como Mano Brown, é um rapper brasileiro, vocalista dos Racionais MC's, grupo de rap formado na capital paulista em 1988 e integrado por Ice Blue (Paulo Eduardo Salvador), Edi Rock (Edivaldo Pereira Alves) e KL Jay (Kleber Geraldo Lelis Simões). (Nota da IHU On-Line)

 

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