Papa Francisco inspira fiéis à prática da misericórdia, diz Thomas Massaro, SJ

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17 Dezembro 2018

"Observe quão minuciosamente teocêntrica é essa visão de ação social evocada por Francisco. Uma vez que Deus está no centro, não há perigo em reduzir a preocupação social da Igreja ao nível de uma mera ONG secular. Nossa vontade de praticar a misericórdia é baseada no desejo em imitar o amor de Deus que é estendido a cada um de nós todos os dias de nossas vidas", diz Thomas Massaro, SJ, teólogo, professor e autor, em entrevista concedida a Charles C. Camosy, publicada por Crux, 15-12-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

O padre jesuíta Thomas Massaro é professor de teologia moral na Universidade de Fordham. Sacerdote jesuíta da província do nordeste, serviu como professor de teologia moral na escola jesuíta de teologia de Weston em Cambridge, Massachusetts, no Boston College, e na escola jesuíta de teologia da Universidade de Santa Clara, onde também foi reitor. Com frequência, escreve e dá palestras sobre temas como a ética da globalização, a pacificação, a preocupação ambiental, o papel da consciência na participação religiosa na vida pública e o desenvolvimento de uma espiritualidade de justiça. Seu livro mais recente analisa os ensinamentos sociais do Papa Francisco.

Eis a entrevista.

O Papa Francisco, obviamente, fez a misericórdia um tema de seu pontificado. Seu novo livro intitulado “Mercy in Action” (Misericórdia em Ação, em português). O que está "em ação" aqui?

Com esta frase-título, me refiro à percepção familiar de que o ensino social católico apoia a mudança social construtiva. Tanto explicitamente em seus documentos e implicitamente em sua maior recepção ao longo das últimas dezenas de décadas, é uma tradição de reflexão que move os fiéis à ação.

Por mais valioso que seja descrever e apreciar obrigações morais como a promoção da solidariedade e a busca do bem comum, a tradição da teoria social e da reflexão moral dentro da comunidade católica estaria incompleta (e em última análise anêmica) a menos que se envolvesse em esforços concretos para avançar a causa da justiça social - a "ação", estágio do famoso esquema "Ver-Julgar-Agir". O ensino social católico não só orienta a missão social da própria Igreja, como desempenha um grande papel em inspirar esforços dos leigos para melhorar a sociedade através da busca ativa de justiça em todo tipo de relações sociais: negócios e indústria, política e educação, artes e ciências, etc.

Mesmo antes de São João XXIII consagrar esta útil tríade para o cânone do ensino social católico (Mater et Magistra, n. 236), organizações de serviços católicos haviam adotado o esquema Ver-Julgar-Agir para estruturar suas atividades. Ainda hoje ele continua a ser um modelo útil. Claro, ninguém quer ser acusado de cair no erro da "paralisia por análise", e o Papa Francisco parece particularmente avesso a ficar preso na fase de reflexão do paradigma da ação social. Lembre-se de seu axioma (um de um conjunto de quatro princípios mencionados em Evangelii Gaudium, no. 231) que "realidades concretas têm prioridade sobre ideias abstratas."

Assim, os capítulos de “Mercy in Action” deliberadamente dão lugar de honra para a descrição das exibições observáveis de solidariedade do Papa Francisco ao demonstrar seu compromisso concreto em impulsionar refugiados, trabalhadores desempregados, pessoas deslocadas pela mudança climática e aquelas que sofreram pelo tráfico humano. Embora o seu pontificado tenha efetivamente contribuído para a tradição de reflexão sobre a justiça social, sua grande contribuição reside na expressão concreta da preocupação social aos marginalizados e excluídos do nosso mundo.

Uma pergunta vem à mente dado a preocupação de seu livro com a justiça. Normalmente, a misericórdia é pensada numa relação de tensão com a justiça. Como você trabalha com a tensão?

A virtude da justiça envolve a noção de tratar as pessoas com equidade e fornecer benefícios proporcionais (daí o termo justiça distributiva) ou punições (através do sistema de justiça criminal, por exemplo), que elas merecem de acordo com alguns critérios objetivos e justamente aplicados.

A misericórdia, pelo contrário, é menos uma determinação racional de padrões mínimos daquilo que podemos dever às pessoas em algum momento específico, e mais sobre uma resposta amorosa às necessidades específicas e concretas, com amplo espaço para percepções subjetivas, o funcionamento das emoções e resposta diferente de acordo com as circunstâncias. Lembre-se que nas línguas românicas, a palavra de misericórdia deriva do latim misericordia, significando a imagem de um "coração que sai" para aqueles que sofrem e necessitam.

A misericórdia é uma virtude cristã que ultrapassa a resposta mínima pela justiça, que às vezes pode ser fria e impessoal por sua natureza. Para citar uma parábola favorita do Papa Francisco, o viajante conhecido como o Bom Samaritano em Lucas 10, é motivado pela emoção da compaixão ao ter piedade para com o estranho ferido, e não em virtude de algum cálculo do que a vítima merece, muito menos por qualquer obrigação legal. Ele pode não ser logisticamente capaz de estender tal assistência a todas as vítimas infelizes, mas algo moveu seu coração para chegar a este estranho neste caso.

Em suma, a misericórdia excede as exigências estritas da justiça.

Seguindo a obra acadêmica do cardeal Walter Kasper sobre o tema, Francisco identifica a misericórdia com os caminhos de Deus, com o próprio nome e rosto de Deus. Se isso não inspirar os fiéis a praticarem obras de misericórdia para além de qualquer cálculo de justiça, eu não sei o que poderia fazer.

Por fim, observe quão minuciosamente teocêntrica é essa visão de ação social evocada por Francisco. Uma vez que Deus está no centro, não há perigo em reduzir a preocupação social da Igreja ao nível de uma mera ONG secular. Nossa vontade de praticar a misericórdia é baseada no desejo em imitar o amor de Deus que é estendido a cada um de nós todos os dias de nossas vidas.

O Papa Francisco falou de sua experiência, em certos momentos de sua vida, da misericórdia divina. Nós também somos destinatários da abundante misericórdia de Deus, e de modo algum merecemos Sua graça redentora, o perdão pelos nossos pecados e a oferta de salvação. Não é merecido. Somos impelidos a sair e fazer o mesmo. E estamos mais propensos a reconhecer essa visão se vemos um Papa realizando as iniciativas como as que Francisco tem tomado ano após ano.

Outro tema do pontificado de Francisco é o cuidado para com a criação, e seu livro tem um capítulo sobre ecologia integral. Como a misericórdia se relaciona com preocupação ecológica?

Independentemente se preferimos falar da justiça ambiental ou de praticar a misericórdia em relação ao nosso lar comum e às suas espécies ameaçadas, se tornou cada vez mais fácil ligar os pontos que correm da preocupação social e da misericórdia, por um lado, à preocupação ambiental e cuidar da criação, por outro. A busca da solidariedade social e do bem comum (surgindo em primeiro lugar nos níveis local e nacional) que os católicos há muito reconheceram como um dever para com os companheiros da raça humana vem gradualmente sendo estendido a toda a criação.

Com seu ensinamento, Paulo VI estabeleceu um alargamento legítimo do espectro de preocupação para com o bem comum, devendo agora ser reconhecido a nível mundial ou universal. Os papas subsequentes também trataram do assunto em suas próprias maneiras distintivas, e agora Francisco, em Laudato Si’, tem colocado no núcleo do ensino social católico o reconhecimento de uma solidariedade universal que inclua todos os seres atualmente vivos (mesmo coisas não-animadas como habitats, zonas úmidas e aquíferos) e, de fato, os seres que virão. Não proteger a diversidade de espécies enfraquece toda a criação atual e constitui uma ofensa contra todas as coisas vivas do futuro. Admiro especialmente o tratamento da solidariedade intergeracional referida capítulo 4 (nº 159-62) de Laudato Si’. Todas as nossas ações atuais devem ser julgadas em termos do seu impacto sobre aqueles que virão depois de nós na Terra, nossa casa comum para a qual devemos nos importar muito mais do que o fazemos agora.

Houve forte resistência a João Paulo II e Bento XVI, mas a resistência a Francisco parece ter ido para outro nível, pelo menos nos Estados Unidos. Será que sua ênfase na misericórdia tem algo a ver com a intensidade da resistência?

Eu tenho que admitir que deliberadamente evito ler as declarações maldosas dirigidas aos Papas. Mas até mesmo eu não pude deixar de notar um livro, lançado muito cedo no seu papado, chamado “Pope Francis Among the Wolves” (Papa Francisco entre os lobos, em tradução livre).

Talvez um ponto de oposição à agenda de Francisco seja o de que ele está nos pedindo para fazer coisas que exigem muito de nós, e nós naturalmente resistimos. Ele convida os ricos para compartilharem sua fortuna, e convoca a todos nós a deixarmos qualquer postura de superioridade sobre os menos afortunados ou menos corretos. Quando Jesus estendeu a mão aos pobres e aos pecadores públicos e indicou seus seguidores a fazerem o mesmo, criou um grande obstáculo para muitos. Afinal, é difícil suspender o juízo quando estamos acostumados a desempenhar o papel de juízes (e eu acredito que Jesus também disse algo sobre as muitas armadilhas de julgar em excesso). A Igreja, claro, tem um mandato para desempenhar muitos papéis, e a célebre declaração de Francisco "quem sou eu para julgar?" não deve ser interpretada como uma recomendação abrangente para reformular todas as políticas e atividades da igreja. Mas serve para nos recordar o lugar da misericórdia frente a postura do juízo. O último juízo pertence somente a Deus.

Embora possa não parecer envolver misericórdia, o desafio do Papa Francisco que eu mais gosto foi feito quando ele se dirigiu ao Congresso dos EUA em 2015, quando ele adverte os líderes nacionais por sua cumplicidade em décadas de venda de armas. Embora possa ser rentável e saudável para a economia americana, o lugar central no comércio global de armas certamente merece ser desafiado. Cessar a fabricação excessiva e, por vezes, a venda indiscriminada de armas, munições e sistemas de armamento seria um ato de misericórdia. Certamente melhoraria as chances de vida dos pobres do mundo, que sofrem desproporcionalmente quando as armas que fazemos e vendemos caem nas mãos erradas.

Estou orgulhoso do Papa Francisco por ousar falar pela paz nessa ocasião. Infelizmente, o seu apelo por esse aspecto particular de misericórdia ainda não foi atendido.

Eu compartilho o seu amor por Francisco, mas devo admitir estar um pouco decepcionado nas últimas semanas e meses em relação à maneira como está tratando a crise de abuso sexual. Será que um lado negativo de seu impulso por misericórdia tem alguma influência em como ele tem lidado com alguns aspectos desta crise?

Ele certamente cometeu erros na crise de abuso sexual, alguns dos quais ele reconheceu explicitamente. Pode muito bem ser que o seu desejo de ser misericordioso para com os padres acusados tenha aprofundado o escândalo, e potencialmente causado mais danos às vítimas de abuso. Este parece ser o caso a respeito do bispo Barros no Chile, a quem inicialmente (em Janeiro 2018) Francisco estendeu o benefício da dúvida antes de voltar atrás depois que uma evidência adicional veio à luz.

Os resultados devem naturalmente ser sempre determinados por investigações minuciosas dos fatos em cada caso, não suposições ou preconceitos. Espero que Francisco seja mais coerente no manejo de casos de abuso daqui para frente, e estou especialmente ansioso para ver o progresso que virá a partir da próxima Cúpula de Líderes de Conferências Episcopais (21-24 de fevereiro de 2019) de todo o mundo e como eles desenvolverão novos procedimentos.

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