Séculos depois, as Missões Jesuítas na América do Sul ainda fortalecem as comunidades

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13 Dezembro 2018

"Este trabalho está fazendo alguma diferença?" É uma pergunta que todos nós perguntamos individualmente, e que cada instituição religiosa pergunta regularmente. A maior parte do tempo, não há resposta satisfatória. Como Óscar Romero disse certa vez: "somos trabalhadores, não mestres construtores; Ministros, não messias. Nós somos profetas de um futuro que não é o nosso."

A reportagem é de Jim McDermott, publicada por America, 11-12-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Contudo, um estudo recente da University of British Columbia sugere que o impacto das missões jesuíticas iniciados no século XVII na América do Sul, também chamadas de reduções, não só é mensurável, como muito maior do que qualquer um poderia ter imaginado.

Como parte de sua dissertação sobre a persistência de longo prazo do capital humano, o professor de economia Felipe Valencia Caicedo estudou 30 missões jesuítas em áreas remotas do Brasil, Argentina e Paraguai. Ele se concentrou em como as áreas ao redor das reduções mudaram ao longo dos 250 anos desde que os jesuítas foram expulsos do Império espanhol em 1767.

Ele descobriu que em tudo, desde a alfabetização e treinamento de habilidades para os níveis globais de educação, as áreas em torno das antigas Missões Jesuítas continuam a mostrar níveis significativamente mais elevados de sucesso do que as comunidades equivalentes sem missões, com níveis de alfabetização 10 a 15% maior, e renda per capita quase 10% acima do que os lugares comparados. Estas áreas igualmente mostram a persistência de habilidades muito específicas. Valencia dá o exemplo do bordado. "Sabemos de fato que isso foi introduzido nestas áreas por missionários jesuítas que vinham principalmente dos Países Baixos", explica. "Eles trouxeram isto como distração ou hobby. E hoje há mais bordados em municípios com influência direta dos jesuítas" do que em outros lugares do Brasil.

"Elas estão lá por 150 anos", diz ele sobre as missões jesuíticas. "Desde o momento em que chegaram, oito gerações já foram educadas e instruídas nestes modos jesuítas, por assim dizer". E, aparentemente, o impacto na cultura local foi mais ou menos permanente. "Existem esses mecanismos de transmissão de conhecimento que ainda estão presentes hoje", diz Valencia, incluindo os pais que passam o conhecimento para seus filhos.

Esses efeitos são sentidos a centenas de quilômetros das reduções originais. Valencia postula que este é um resultado da migração; ao longo dos anos, as pessoas cujas famílias estiveram em contato com as missões migraram para longe, e levara esse conjunto de experiências e mecanismos com eles. Porém, diz ele, aqueles que imigraram para a área das reduções após a saída dos jesuítas não chegaram a compartilhar do desenvolvimento avançado dos moradores.

Essa diferença significa que a religião propriamente dita não desempenhou nenhum papel no impacto positivo a longo prazo nas comunidades apoiadas pelos jesuítas? Valencia observa que certas ideias jesuítas, "coisas como a busca por excelência, o desenvolvimento integral da pessoa" ou a autonomia pessoal — "Sou eu quem comanda meu próprio destino, minha própria vida?" —, certamente persistem em áreas onda havia redução. Mas é difícil provar que a persistência desses valores está diretamente ligada à espiritualidade inaciana.

E, no entanto, Valencia diz que as áreas de missões jesuítas parecem estar imbuídas de uma maior sensibilidade ética. Ele descreve jogos da pesquisa onde os indivíduos são informados para jogar cara ou coroa nove vezes; se eles tirarem ‘cara’ cinco vezes ou mais, ganham um prêmio. O jogo funciona no sistema de honra; o moderador não vai verificar se eles realmente tiraram ‘cara’ o bastante. "Em geral, as pessoas tendem a enganar sistematicamente", explica Valencia. "O interessante é que nas áreas de missões jesuítas, as pessoas trapaceiam menos.”

Em outro jogo, construído em torno de pessoas que recebem dinheiro e dizem se podem dividi-lo ou não, “novamente, encontramos níveis mais elevados de altruísmo onde havia missões jesuíticas."

Além disso, a pesquisa de Valencia confirma achados já aceitos de que a educação tem um sentido autoperpetuante. Ou seja, quanto melhor educado você for, mais capaz e aberto você está a aprender mais e se adaptar mais. Assim, no Brasil, observa ele, quando a cultura geneticamente modificadas foram introduzidas, aqueles cujos antepassados haviam sido ensinados pelos jesuítas "foram mais rápidos para adotar essa tecnologia."

"Por causa deste choque histórico prévio [isto é, a presença e a educação dos jesuítas], agora você pode se adapta mais rápido."

Alguns podem entender que a pesquisa de Valencia sugere que a Companhia de Jesus realiza um bem maior através da educação do que através do serviço direto aos pobres, tema de debate entre os jesuítas há décadas. "Os programas de diminuição da pobreza são bons", diz Valencia, "mas o que encontramos é que os investimentos em capital humano parecem ser muito duradouros". Ainda assim, ele adverte que sua pesquisa é limitada a comunidades isoladas; é muito mais difícil avaliar os impactos de diferentes iniciativas nas grandes cidades, onde há tantos outros fatores em jogo.

As descobertas de Valencia também suscitam a seguinte pergunta: se os efeitos da educação não só duram muito além da presença real dos jesuítas, como continuam a se desenvolver e a aumentar, é realmente necessário que os jesuítas continuem em lugares que já estão a muito estabelecidos? Fazemos mais para a Igreja e para o mundo continuando a trabalhar nas mesmas escolas durante séculos ou nos movendo para novos empreendimentos como o próprio Santo Inácio fez?

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