Memórias do caminho de Merton permanecem vivas em sua ex-universidade

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10 Dezembro 2018

Se a verdade deve ser conhecida, um dos filhos mais famosos da St. Bonaventure University, em Allegany, Nova York, não quis saber nada da instituição quando a viu pela primeira vez. Passeando de carro com seu amigo, o poeta Robert Lax, que cresceu na vizinha Olean, a oferta de Lax de mostrar a Thomas Merton o campus do St. Bonaventure’s College – como ele era conhecido em 1939 – foi recebida com a rejeição de Merton.

A reportagem é de Patricia Lefevere, publicada por National Catholic Reporter, 07-12-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“Muitas estátuas” e imagens religiosas, Merton teria dito a seu amigo da Universidade de Columbia, recusando-se a sair do carro.

No ano seguinte, Merton ministraria cursos de pesquisa de literatura em inglês para cerca de 90 estudantes e receberia 45 dólares por mês – um salário nada mau para a zona rural do Estado de Nova York, onde os empregos eram escassos, e os efeitos da Depressão ainda eram vistos em 1940.

O corpo estudantil da St. Bonaventure contava com 383 alunos em 1940 e com 423 em 1941, quando Merton lecionou lá. Tendo recém-recebido seus diplomas de bacharel e de mestre em Columbia, ele se considerava com sorte por preencher uma vaga quando um professor e frei franciscano foi embora.

Da esquerda: padre franciscano Peter Biasiotto, Lawrence Kenney, Thomas Merton, Dennis Lane e o padre franciscano Gabriel Naughton, em frente ao Devereux Hall, onde Merton morou enquanto estudava no St. Bonaventure’s College, em Allegany, Nova York (Foto: F. Donald Kenny | NCR)

Durante seus três mandatos em St. Bonaventure, Merton costumava ser visto caminhando pelo campus de mais de 200 hectares, que fica ao lado do rio Allegheny em seu lado sul e se estende até o sopé das montanhas Allegheny, que ele subia frequentemente em busca de silêncio, um lugar para rezar, refletir e ver a imensidão da faculdade, fundada pelos freis franciscanos em 1858. Um ponto vazio em uma colina bem acima do rio ainda é conhecido como Merton’s Heart [Coração de Merton].

Hoje, a St. Bonaventure University acolhe quase 2.400 estudantes – a maioria deles oriundos de Buffalo, Rochester e Syracuse, nas proximidades, mas também de cerca de 30 Estados e de outros 20 países. [...]

A maioria dos estudantes tem a intenção de se formar em negócios – Contabilidade, Administração, Finanças e Marketing então entre os cursos mais populares. Educação, especificamente Educação de Adolescentes, Educação Elementar/Especial e Estudos Esportivos também são procurados por muitos. O mesmo ocorre com as ciências – Ciências da Saúde, Ciências da Computação, Psicologia e Ciências Políticas. O Jornalismo continua sendo um marco importante, e a pequena universidade franciscana possui seis ex-alunos ganhadores do Prêmio Pulitzer.

Merton quem?

No entanto, a maioria dos alunos não sabe nada sobre o monge, escritor e guru espiritual Thomas Merton. Seu nome não aparece nas dissertações de admissão, observou Douglas Brady, diretor de admissões, embora alguns jovens que leram Merton “aparecem no campus”, querendo ver a Bonaventure, disse ao NCR.

Neste ano, eles terão a chance de aprender mais, já que a Friedsam Memorial Library montou uma exposição que marca o duplo significado do dia 10 de dezembro na vida de Merton.

Há 50 anos, no dia 10 de dezembro de 1968, o monge trapista morreu misteriosamente – a maioria acredita que foi devido a um choque elétrico acidental – em um congresso de abades católicos em Bangkok. E foi no dia 10 de dezembro de 1941 que Merton saiu da St. Bonaventure, mudando-se para o interior do Kentucky, onde ele começou seus 27 anos de vida no Mosteiro de Nossa Senhora de Gethsemani como monge e, mais tarde, eremita da Ordem Cisterciense da Estrita Observância, também conhecida como trapistas.

Durante seus anos com os trapistas, Merton escreveu 70 livros, incluindo “A montanha dos sete patamares”, uma autobiografia confessional de sua juventude inquieta. Impressa há já 70 anos, o livro já vendeu mais de um milhão de cópias. Muitos estudantes ouvem falar dele pela primeira vez em uma das aulas de literatura da universidade.

Eles podem ficar sabendo mais na “modesta exibição” que homenageará esse duplo aniversário no dia 10 de dezembro, disse Paul Spaeth, bibliotecário de coleções especiais e de livros raros. Spaeth chamou a St. Bonaventure de “um ponto de virada”, mas também de um “ponto de partida” na vida de Merton, pois foi o lugar onde ele confirmou sua vocação enquanto rezava no oratório de Santa Teresa de Lisieux no campus, um espaço que permanece igual como à época.

A Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, na St. Bonaventure, conhecida como um local de contemplação, foi construída por seminaristas em 1925 (Foto: Naomi Burton Stone | NCR)

Merton tinha 26 anos quando decidiu abandonar a academia para uma vida solitária e era um pouco mais velho do que Teresa quando ela morreu com apenas 24 anos, sucumbindo à tuberculose em um convento carmelita na França, apenas 18 anos antes do próprio nascimento de Merton, em Prades, na França.

Ambos sofreram a perda de suas mães em tenra idade e foram criados em grande parte por seus pais. Teresa, uma jovem santa muito amada, era conhecida por ter um grande apelo entre os padres, especialmente os missionários, por quem ela rezava frequentemente, recompensada às vezes com favores aparentemente milagrosos.

Merton entregou a sua indecisão sobre o sacerdócio diretamente a Teresa ao visitar o oratório, um lugar que ele havia se recusado a ver anteriormente com Lax. Mas, depois de ler a autobiografia dela, ele escreveu que foi “nocauteado” pela história da vida de Teresa. “Você me mostra o que fazer. Se eu entrar no mosteiro, eu serei seu monge”, ele entoou.

Ele acreditava ter ouvido os sinos trapistas de Gethsemani, que ele havia visitado na Páscoa anterior, quando invocou a ajuda de Teresa.

Padre Irenaeus

Merton poderia não ter descoberto Teresa ou o seu oratório se não fosse pelo bibliotecário da St. Bonaventure, frei Irenaeus Herscher, que reconheceu a erudição do jovem professor e lhe deu acesso a todos os livros da biblioteca.

A biblioteca abriga quase 100 manuscritos de livros completos que datam do fim da Idade Média, quase 300 dos primeiros livros impressos na Europa e milhares de impressões dos séculos XVI a XIX. Merton estava no céu, passando horas na biblioteca Friedsam.

Frei franciscano Irenaeus Herscher no oratório de Santa Teresa de Lisieux na St. Bonaventure (Foto: Naomi Burton Stone | NCR)

Seis anos após a morte de Merton, Kathleen Cecala (Petersen de nascimento), uma estudante de Hartford, Connecticut, também era uma visitante regular da Friedsam, designada para lá como parte de seu programa de estudo e trabalho. “Um trabalho perfeito”, disse ela ao NCR, pois ela queria ser escritora, e o prédio estava abarrotado das obras de grandes escritores.

Ela também conheceu Herscher, bibliotecário emérito à época, que ia à biblioteca diariamente. Através dele, ela conheceu Merton, em grande parte através dos manuscritos que Merton deixara na universidade. Nos anos 1970, o campus ainda estava em estado de luto pela morte súbita do monge aos 53 anos, disse ela, mas Herscher e os outros freis estavam trabalhando duro para preservar o seu legado.

Merton influenciou definitivamente a minha vida e a minha decisão de seguir carreira como escritora”, disse Cecala, que mora em Nova Jersey. Ela é autora de vários livros desde que se formou na St. Bonaventure. Com o monge escriba, ela aprendeu que escrever não seria fácil, mas disse que os livros dele também a ajudaram a adquirir uma facilidade em escrever sobre assuntos espirituais, “de modo que, eventualmente, essa se tornou uma segunda natureza”.

O interesse duradouro de Cecala pelo monaquismo e pela contemplação vem dos anos que passou lendo na Friedsam. Mais recentemente, isso resultou no livro Hard Cider Abbey, um mistério de assassinato que ocorre em um mosteiro fictício. Em novembro, sua biografia sobre Herscher, Called to Serve, detalhando sua amizade e conexão vitalícia com Merton, será publicada pelo Franciscan Institute.

O frei franciscano Daniel Horan, que fez seus estudos de graduação na Bonaventure de 2001 a 2005, lamenta que tão poucos estudantes realmente apreciem o significado que o campus e a tradição franciscana tiveram na vida, no pensamento e na vocação de Merton. Ele espera que o aniversário de sua morte prematura possa chamar mais atenção para o monge para uma nova geração.

Horan, um administrador da Bonaventure e autor de The Franciscan Heart of Thomas Merton: A New Look at the Spiritual Inspiration of His Life, Thought, and Writing, apontou para muitos aspectos da vida universitária de Merton que poderiam ressoar com a Geração Z de hoje e até com os millennials mais velhos.

Merton questionava suas crenças, disse Horan. Ele experimentava associações políticas, incluindo o comunismo. Ele desenvolvia seu lado criativo e artístico, fazia diversos amigos por toda a vida, entrava em problemas e era moldado pelos seus mentores na graduação, escreveu Horan em um artigo de 2015 na revista America.

Horan, professor assistente de Teologia Sistemática e Espiritualidade na Catholic Theological Union, em Chicago, acredita que é responsabilidade daqueles que conhecem bem Merton e seu trabalho ajudar a divulgá-los para os estudantes mais jovens, convidando-os a “se deixarem inspirar e desafiar pelas suas intuições, ainda relevantes”, disse Horan ao NCR.

Nesse sentido, ele organizou um congresso na Catholic Theological Union, de 7 a 8 de dezembro, dedicado ao legado e ao futuro da obra de Merton.

O amplo campus da St. Bonaventure, que ainda abriga os prédios nos quais Merton morou, ensinou, comeu, estudou e escreveu, e os terrenos sobre os quais ele perambulava, compreende o maior espaço da vida de Merton fora da abadia do Kentucky. Qualquer um que queira experimentar isso e caminhar pelas pegadas de Merton só precisa sair do carro.

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