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30 Novembro 2018

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 21,25-28.34-36 que corresponde ao 1°de Advento, ciclo C, do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto. 

Eis o texto

Uma convicção indestrutível sustenta desde o início a fé dos seguidores de Jesus: encorajada por Deus, a história humana encaminha-se para a sua libertação definitiva. As contradições insuportáveis do ser humano e os horrores cometidos em todas as épocas não devem destruir nossa esperança.

Este mundo que nos sustenta não é definitivo. Um dia toda a criação dará «sinais» de que chegou ao fim para dar lugar a uma vida nova e libertada que nenhum de nós pode imaginar ou entender.

Os Evangelhos recolhem a memória de uma reflexão de Jesus sobre este final dos tempos. Paradoxalmente, a sua atenção não está focada nos «acontecimentos cósmicos» que podem ocorrer naquele momento. Seu principal objetivo é propor aos seus seguidores um estilo de vida com lucidez diante desse horizonte.

O fim da história não é o caos, a destruição da vida, a morte total. Lentamente, no meio das luzes e das trevas, ouvindo os chamados do nosso coração ou ignorando o melhor que existe em nós, vamos caminhando em direção ao mistério último da realidade que os crentes chamam de «Deus».

Nós não temos que viver presos pelo medo ou ansiedade. O «último dia» não é um dia de raiva e vingança, mas de libertação. Lucas resume o pensamento de Jesus com estas palavras admiráveis: «Levantai-vos, erguei a cabeça: aproxima-se a vossa libertação». Só então conheceremos realmente como Deus ama o mundo.

Devemos reavivar nossa confiança, levantar o nosso ânimo e despertar a esperança. Um dia os poderes financeiros afundarão. A insensatez dos poderosos acabará. As vítimas de tantas guerras, crimes e genocídios conhecerão a vida. Os nossos esforços por um mundo mais humano não se perderão para sempre.

Jesus esforça-se por sacudir a consciência dos seus seguidores. «Tende cuidado: que não se vos entorpeça a mente». Não vivam como imbecis. Não vos deixeis arrastar pela frivolidade e pelos excessos. Mantende viva a indignação. «Estai sempre despertos». Não vos relaxeis. Vivam com lucidez e responsabilidade. Não vos canseis. Mantenham sempre a tensão.

Como estamos vivendo estes tempos difíceis para quase todos, angústia para muitos e cruel para aqueles que se afundam na impotência? Estamos despertos? Vivemos adormecidos? A partir das comunidades cristãs devemos incentivar a indignação e a esperança. E só há um caminho: estar com aqueles que estão a ficar sem nada, afundados no desespero, na raiva e na humilhação.

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