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Por: MpvM | 23 Novembro 2018

"Ao concluir o Ano litúrgico celebramos a vitória do Reino de Deus proclamando que Jesus Cristo é Rei Universal. Reconhecemos que seu reinado não se identifica com os reis deste mundo, pois estes oprimem, escravizam e matam seu povo, enquanto Cristo vem para nos dar vida e a liberdade. Seu reinado se manifesta em seu amor por todos e o ponto de chegada para sua glorificação foi a morte de cruz, trono de um Deus que recusa qualquer poder e escolhe reinar no coração dos homens através do Amor e do dom da vida. 

"Nesta festa de Cristo Rei também celebramos o “dia dos cristãos leigos/as”. Como Povo de Deus todos somos Igreja, vivendo a vocação cristã que é vocação para amar, servir e reinar com Jesus. A leitura do Apocalipse convida a todos os cristãos a viver e a assumir a dignidade da realeza sacerdotal que Jesus, o primeiro dos reis da terra nos conquistou."

A reflexão é de Tania Couto, teóloga leiga. Ela possui  Bacharelado em Teologia pelo Instituto Teológico-Pastoral do Ceará (2006), mestrado (2009) e doutorado em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-Rio (2014). Atualmente é professora na área de bíblia da Faculdade Católica de Fortaleza e professora da área de bíblia da Escola de Pastoral Catequética

Referências bíblicas
Dn 7,13-14
Sl 92 (93) 1-2,5
Ap 1,5-8
Jo 18,33b-37

Ao concluir o Ano litúrgico celebramos a vitória do Reino de Deus proclamando que Jesus Cristo é Rei Universal. Reconhecemos que seu reinado não se identifica com os reis deste mundo, pois estes oprimem, escravizam e matam seu povo, enquanto Cristo vem para nos dar vida e a liberdade. Seu reinado se manifesta em seu amor por todos e o ponto de chegada para sua glorificação foi a morte de cruz, trono de um Deus que recusa qualquer poder e escolhe reinar no coração dos homens através do Amor e do dom da vida. As duas leituras que antecedem ao Evangelho e que pertencem à literatura apocalíptica, nos preparam para a confissão de fé do grande mistério: O crucificado é Rei eterno e universal! Esta Eucaristia do 34º Domingo do tempo comum, na qual partilhamos toda a caminhada do Ano litúrgico, nos convida a tomar consciência da realeza de Jesus.

1 Leitura: Dn 7,13-14
A visão que é dada ao profeta Daniel contemplar narrada no texto de hoje é antecedida por outras visões nas quais ele constata que a história é dominada pelos poderes do caos personificados em feras que sobem do mar e que só trazem destruição e morte, deixando a humanidade sem esperança.

Continuando nas visões noturnas lhe é permitido contemplar um trono totalmente diferente dos anteriores e, sentado nele, um Ancião, figura de Deus que vive para sempre (Dn 7,9-10) e viu vindo sobre as nuvens do céu um “como” Filho de homem que, adiantou-se até ao Ancião e Dele recebe o império, um domínio universal, permanente e indestrutível, pois Ele é o verdadeiro Senhor da história. Tomará, portanto, o lugar dos reinos das visões anteriores que dominaram a história, que não são nem universais, nem permanentes, nem indestrutíveis.

O “Filho do Homem” é figura que ganhou grande importância na tradição judaica e cristã. Literalmente, significa “ser humano” (cf. Sl 144,3; Jó 16,21; Jr 49,18. 33 etc). Mas não é simplesmente tal, pois é apresentada em forma de comparação: “como um filho de homem”. O “como” indica que ele é percebido numa visão, não distintamente, mas de modo pouco claro. Pode ou não ser um ser humano. No Novo Testamento, particularmente nos evangelhos, a expressão “Filho do Homem” referir-se-á quase exclusivamente a Jesus Cristo, o que bem expressará sua origem divina.

Se as quatro feras são representações esquemáticas de reis e reinos que se sucederam na história (não exatamente em número de quatro), até o reinado helenista da época de Daniel, isso faz pensar que também o “Filho do Homem” seja uma figura régia. Como ele é associado aos santos do Altíssimo, que recebem o Reino (v.18. 27), pode ser considerado um ser individual que representa todo o povo que participará do Reino eterno. Há evidente contraste entre as feras que sobem do mar e o Filho do Homem que vem do céu. Ele é o Messias transcendente, que veio e retornará em poder.
Sl 92 (93) 1-2,5

No salmo de meditação, a realeza de YAWH, é proclamada por sua vitória sobre as forças do caos e pela fundação do universo. É um hino ao Senhor Rei cujo trono está firmado desde sempre e que já anuncia sua vitória escatológica: Jamais tremerá. Reinado e trono são eternos. No contexto litúrgico deste último domingo do tempo comum podemos contemplar a vitória da ressurreição de Jesus pela qual é exaltado e constituído rei Universal. Os evangelhos relatam a vitória de Jesus sobre as águas e o apocalipse diz que o mar já não existe porque o primeiro céu e a primeira terra se foram. Eis que o ressuscitado faz novas todas as coisas com a vitória da cruz sobre a morte.
II. Leitura Ap. 1,5-8

A visão aqui narrada é introduzida com uma revelação a respeito do projeto de Deus que deve acontecer muito em breve. Nela um anjo é enviado ao servo João que atestou tudo o que viu como sendo Palavra de Deus e cuja exigência é ler, ouvir e praticar (Ap 1,3). A visão no Apocalipse procura sempre comunicar uma certeza fundamental, é um ato de Fé e de espiritualidade que procura motivar, convencer, mobilizar e reconstruir a consciência coletiva da humanidade. A certeza fundamental que ocupa o centro da mensagem é que Jesus ressuscitado está vivo corporalmente em meio às Igrejas e que tem poder sobre a morte.

Celebrando o Dia do Senhor a comunidade eclesial proclama e testemunha a glória e o poder de Jesus Cristo e as consequências de sua obra para nós. Ele, o Ressuscitado, é Rei, com poder e glória plenos, “o primeiro dos reis da terra e que com sua morte e ressurreição nos lavou de nossos pecados com seu sangue e adquiriu para todos nós a dignidade régia e sacerdotal” (v. 5a. 6); Ele vem “em meio a nuvens” (v. 7), como o Filho do Homem de Daniel, numa clara indicação de seu caráter transcendente e de seu domínio universal e escatológico. No v. 8, Deus se auto apresenta como “aquele que é e que era e que vem. Trata-se de uma releitura de Ex 3,14, onde Deus se revela como o “Eu Sou”. A tradição judaica já havia explicado esse nome com a expressão: “aquele que é, que era e que será.” O apocalipse substitui “o que será” pelo “o que vem”. Com isso a expressão diz respeito a Deus Pai que garante o que foi dito anteriormente (ele é o Alfa e o Omega em Ap 21,6), mas ao mesmo tempo, abre-se para indicar Jesus (ele é o Alfa e o Omega em Ap 22,13). Aquele que vem é o Filho do Homem poderoso porque seu poder alcança a todos, mas que sofreu na cruz, que foi traspassado (v. 7). Seu poder se manifesta não afastando a morte, mas assumindo-a e transformando-a.

Evangelho Jo 18,33b-37

O Evangelista João narra, nesta cena da paixão, o interrogatório de Jesus no pretório, por Pilatos, o qual exerce a função de juiz romano neste processo cujo postulante são os judeus. A acusação fundamental se refere à questão sobre a identidade de Jesus: “Tu és o rei dos judeus?” (v. 33). Aliás, todo o evangelho de João tem como escopo revelar a verdade sobre a identidade de Jesus. Mas, por mais que ele dê sinais de quem realmente é, cada vez mais, sua verdadeira identidade é rejeitada e, então, torna-se a causa principal de sua condenação. Quem é mesmo Jesus, o nazareno? Esta questão aparece inúmeras vezes no Evangelho. No capítulo quinto, no discurso sobre a revelação da filiação divina de Jesus se une a compreensão da identidade de Filho com a de Filho do Homem: “O Pai concedeu ao Filho o poder de ter a vida em si mesmo e lhe deu o poder de julgar porque é o Filho do Homem” (5,26-27) e também, já no capítulo terceiro (3,14) Jesus anuncia que o “Filho do homem” será levantado. Neste interrogatório Jesus, na maior serenidade e demonstrando inteira confiança na verdade de sua identidade de Filho de Deus o responde com outra pergunta a qual é devolvida por Pilatos: “Que fizestes?”. E neste momento Jesus se revela: “Meu reino não é deste mundo..., meu reino não é daqui” (Jo 18,36). Jesus não é rei dos judeus simplesmente, mas seu reinado ultrapassa as fronteiras israelitas. Seu poder é universal porque recebeu do Pai todo poder. A realeza de Jesus não vem deste mundo, não tem origem neste mundo, embora se manifeste no mundo e para o mundo. Jesus não compete por um reino e uma realeza com os reis da terra, ou ainda, seu reino não se rege pelos princípios do mundo. É de outra ordem. O v. 37 expressa positivamente a realeza de Jesus: Ele tem origem divina, “veio” (do Pai) ao mundo. Ele é o revelador único da verdade salvífica e convida a aceitá-la. Ele é rei, mas exerce a realeza exatamente aceitando a cruz. Assim ele instaura um reinado que contradiz os poderes mundanos, pautados tantas vezes pela violência. Seu reinado já se iniciou. Por sua glorificação, os reinos deste mundo já foram relativizados, e já tem lugar o reinado do Filho do Homem; mas tal realidade ainda não penetrou todas as realidades desta história, o que ocorrerá somente quando “aquele que vem” (Ap 1,8) completar sua obra redentora.

Nesta festa de Cristo Rei também celebramos o “dia dos cristãos leigos/as”. Como Povo de Deus todos somos Igreja, vivendo a vocação cristã que é vocação para amar, servir e reinar com Jesus. A leitura do Apocalipse convida a todos os cristãos a viver e a assumir a dignidade da realeza sacerdotal que Jesus, o primeiro dos reis da terra nos conquistou.

Para refletir:

Esta liturgia de Cristo Rei marca o encerramento do ano do laicato, portanto devemos refletir sobre a tríplice missão que todos recebemos no Batismo de sermos sacerdotes, profetas e reis. Assumir a vocação de cristão é tornar visível em nossa vida o reinado de Deus. Ser cristão é exercer o domínio sobre todas as formas de opressão e violência que negam a realidade do reinado de Deus inaugurado por Jesus no seu trono de cruz.

 

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