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12 Novembro 2018

A Conferência Episcopal reunida em Pilar anunciou que criou uma comissão para sustentar o trabalho da Igreja enquanto iniciam as conversações com o Governo para estudar alternativas à substituição dos recursos.

A reportagem é de Washington Uranga, publicada por Página|12, 10-11-2018. A tradução é de Graziela Wolfart.

Através de um comunicado difundido por meio de sua assessoria de imprensa, os bispos católicos argentinos anunciaram que estão tomando medidas para proceder à “substituição gradual dos aportes do Estado”. Com esse propósito, a Conferência Episcopal reunida durante toda a semana em Pilar, decidiu criar uma comissão episcopal para a sustentabilidade do trabalho da Igreja, enquanto avançam as conversas com o Governo a fim de estabelecer as “diversas alternativas que facilitarão esta substituição”.

De acordo com a informação difundida pela agência católica AICA, os bispos “confirmaram aceitar a substituição gradual dos aportes do Estado (subsídios aos bispados, bolsas de estudo para os seminaristas e paróquias de fronteira), por alternativas baseadas na solidariedade das comunidades e dos fiéis, assumindo o espírito das primeiras comunidades cristãs, que colocavam o que era seu em comum”.

Na mesma ocasião se informou que a comissão episcopal designada com esse objetivo “trabalhará na criação de um fundo solidário” e dará “continuidade ao diálogo com o Governo Nacional, convergindo diversas alternativas que facilitarão esta substituição”.

Embora oficialmente não tenham se dado maiores detalhes, já se sabia em meios eclesiásticos que o tema estava sendo conversado entre os bispos, apesar de que se descartou, como agora se confirma, uma resolução iminente sobre o assunto. Não obstante, o anúncio feito agora abre para várias leituras no cenário sobre a relação da hierarquia católica com a sociedade e com o governo. Sobre isso, é evidente que os bispos estão dando um sinal a mais de sua autonomia em relação ao governo, ganhando com isso não somente liberdade de ação, como credibilidade a respeito dos pronunciamentos sobre todos os temas.

Mas, além disso, e como expressou o presidente do episcopado, Oscar Ojea, ao abrir a assembleia, os bispos deixam claro que estão lendo as mensagens da sociedade. Ojea pediu nessa oportunidade para não se ampararem em reconhecimentos do passado dos quais já não gozam nem a Igreja, como instituição, nem os bispos em particular.

A decisão anunciada agora, embora tenha que alcançar ainda formas operacionais e sua concretização pode demorar com o tempo, recoloca o episcopado em uma posição de maior liberdade de ação, ainda que até hoje os bispos reiteram que os aportes econômicos do Estado nunca condicionaram as posições dos dirigentes eclesiásticos.

A determinação não é menor em momentos em que a voz de vários bispos, mas também de sacerdotes e leigos católicos, se fez ouvir expressando preocupação pelos temas sociais, com críticas ao modelo econômico e advertindo seus custos, especialmente no que afeta aos mais pobres. O anúncio também coincide com outras críticas surgidas do Governo e de seus aliados contra alguns bispos por seu atual alinhamento com a oposição, particularmente depois da missa celebrada em frente à basílica de Luján em 20 de outubro, com a assistência de dirigentes políticos e sindicais, rogando por “paz, pão e trabalho”.

O Governo já havia informado oficialmente que o Estado gastava 130 milhões no pagamento dos salários dos bispos, “em cumprimento com o artigo 2º da Constituição Nacional e de leis posteriores”, além do sustento de bolsas para seminaristas e paróquias de fronteira. Os valores se mantêm praticamente sem modificações desde 2016.

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