Cresce o número de trabalhadores com mais de 65 anos no Vale do Sinos em 2017

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Por: Guilherme Tenher e Marilene Maia | 20 Outubro 2018

Durante o período de 2016 e 2017 o Vale do Sinos teve aumento no número de trabalhadores formais com 65 anos ou mais. Esta foi a única faixa etária dentre as pesquisadas que não apresentou queda em nenhum dos catorze municípios da região.

Além disso, os contratados desta faixa tiveram o maior crescimento registrado para o período em comparação com os demais. O número de trabalhadores com 65 anos ou mais em 2016 era de 3607 e subiu para 4019 em 2017 (aumento de 11,42%) em contraponto, a segunda faixa com maior queda foi a de 15-17 anos, que teve uma queda de 18% (de 5.422 em 2016 para 4.447 em 2017).

O Observatório das Realidades e das Políticas Públicas do Vale do Rio dos Sinos - ObservaSinos, programa do Instituto Humanitas Unisinos - IHU analisou comparativamente os dados sobre o emprego no biênio 2016-2017 e apresenta um retrato das movimentações do mercado de trabalho da região do Vale dos Sinos no ano passado. Os dados coletados estão na base pública da Relação Anual de Informações Sociais - RAIS.

Eis o texto. 

Geração

O mercado de trabalho no ano de 2017 no Vale do Rio dos Sinos apresentou um aumento em termos absolutos no número de admissões. Enquanto em 2016 o total de trabalhadores na região era de 354.279, o ano passado contabilizou 356.289 admissões, isto é, um aumento de 0,57%. O município de Araricá obteve a maior variação, pois entre o ano de 2016 e 2017 a cidade teve um aumento de 19,17% no número de trabalhadores (1.398 em 2016 para 1.666 em 2017). Entretanto, por mais que Araricá tenha apresentado a maior variação percentual positiva, Canoas, Novo Hamburgo e São Leopoldo são os municípios do Vale do Sinos que possuem o maior número de trabalhadores contratados no ano passado, com 82.107, 74.742 e 58.055 respectivamente, representando cerca de 60% do total de empregados da região.

É importante mencionar algumas movimentações nestes últimos anos. O número de trabalhadores na faixa de 10-14 anos sofreu uma queda do ano 2016 para 2017 em sete dos 14 municípios da região. É o caso de Canoas (-21,74%), Dois Irmãos (-100%, com 19 trabalhadores entre 10-14 anos em 2016 e nenhum em 2017), Esteio (-33%), Ivoti (-100% com apenas 2 trabalhadores em 2016 e nenhum jovem em 2017), Nova Santa Rita (-50%), São Leopoldo (-36,8%) e Sapiranga (-60%). Por outro lado, Estância Velha e Sapucaia do Sul apresentaram, cada um, um aumento de 50% no número de trabalhadores.

O estrato de trabalhadores entre 15-17 anos também apresentou queda no número de empregados entre 2016 e 2017 em 11 dos 14 municípios analisados, com destaque para Esteio, que totalizou um declínio de 40,8% (de 228 trabalhadores em 2016 para 135 em 2017). A mesma tendência de involução segue para a faixa de contratados com 18-24 anos, que apresentou resultados negativos em oito municípios, não obstante menores (a maior queda registrada foi no município de Nova Santa Rita, com -8,4%). Para o corte de 25 a 29 anos, a variação negativa também registrada em oito municípios apresentou números menores, sendo a maior queda novamente em Nova Santa Rita com -6,37% e a menor em Portão com -2,4%. Por outro lado, o número desses trabalhadores nos anos supracitados aumentou em Araricá (6,8%), Canoas (3,3%), Estância Velha (4,5%) e Sapucaia do Sul (2%). 

O número de trabalhadores de 30 a 39 anos registrou queda em apenas seis municípios, destacando Nova Hartz com -4,86%. Em contrapartida, Araricá contabilizou um aumento de 9,66% no número de empregados nessa faixa etária. O número de municípios com variações negativas diminui nos estratos a seguir: o corte 40-49 anos possui queda em seis municípios, sendo a maior delas em Nova Hartz (-5,4%). O número de trabalhadores entre 50 e 64 anos diminuiu em apenas quatro municípios: Campo Bom (-1,40%), Dois Irmãos (-2,4%), Nova Santa Rita (-0,4%) e Sapiranga (-1,5%).

O estrato que compreende trabalhadores com 65 anos ou mais merece destaque por dois motivos. O primeiro é que este corte foi o único que não registrou queda em nenhum dos municípios para o período de 2016 e 2017, além de apresentar as maiores variações positivas; seguem alguns exemplos: Ivoti com +31% (52 trabalhadores em 2016 para 68 em 2017), Nova Hartz com + 38,5% (26 trabalhadores em 2016 para 36 em 2017) e Sapucaia do Sul com +20% (295 trabalhadores em 2016 para 355 em 2017). O segundo motivo é que esse estrato apresentou o maior crescimento entre os demais nos dados concernentes ao aumento do número de trabalhadores do Vale do Rio dos Sinos: 3.607 em 2016 para 4.019 em 2017 (+11,42%), ao passo que o corte 10-14 anos teve uma queda de -29%, uma variação de -18% para os trabalhadores entre 15 e 17 anos e um declínio de -0,51% para aqueles entre 25 e 29 anos.

Em 2017, dos 356.289 trabalhadores, 78 tinham entre 10-14 anos, 4.447 entre 15 e 17 anos, 56.739 na faixa de 18-24 anos, 50.908 entre 25 e 29 anos, 105.001 de 30 a 39 anos (faixa etária com maior número de trabalhadores), 76.788 entre 40 e 49 anos, 58.309 entre 50 e 64 anos e 4.019 trabalhadores com 65 anos ou mais.

Gênero

Os dados alusivos ao gênero mostram que o mercado de trabalho em 2017 foi composto, em sua maioria, por homens. Dos 356.289 trabalhadores, 194.611 eram homens e 161.678 eram mulheres. Em termos percentuais, 54,6% do total de trabalhadores eram do sexo masculino e 45,4% do sexo feminino. Para o ano de 2016, dos 354.279 trabalhadores, 194.735 eram do sexo masculino (55%) e 159.544 eram do sexo feminino (45%). Apesar da queda de -0,06% do número de homens trabalhadores e o aumento de 1,34% do número de mulheres trabalhadoras entre os dois anos analisados para a região, tal movimento não foi suficiente para mudar a predominância de homens nos postos de trabalho do Vale do Sinos.

Canoas se destaca como o município que possui a maior diferença entre homens e mulheres que trabalharam em 2017: são 11.899 homens a mais que as mulheres. Em 2016, este número era 13.444, mostrando assim uma convergência na ocupação dos postos de trabalho por gênero. São Leopoldo também possui mais homens empregados que mulheres, totalizando 5.885 homens a mais. Para o ano de 2016 esse número era maior, 6.103, também mostrando uma tendência convergente. Por outro lado, a cidade de Dois Irmãos possui mais mulheres ocupando os postos de trabalho se comparado aos homens. São 169 mulheres a mais em 2017 e 317 em 2016. Este dado revela que houve um aumento do número de homens no mercado de trabalho desse município. Ademais, Nova Hartz também apresenta pessoas do sexo feminino ocupando mais postos do que as do sexo masculino: 25 mulheres a mais em 2017, sendo 99 em 2016, também registrando um movimento de convergência. O Vale do Sinos contabilizou no ano passado 32.932 contratações a mais de homens se comparado às mulheres (em 2016 havia 35.191 homens a mais).

Escolaridade

Em 2017, a maior parte dos trabalhadores possuía ensino médio completo em todos os municípios do Vale do Rio dos Sinos, exceto Nova Hartz, que registrou 1.634 trabalhadores com ensino médio incompleto, representando 24% do total de empregados da cidade, seguido pelo corte de ensino médio completo (1.614 pessoas ou 23,7% do total) e 6º e 9º ano do ensino fundamental completo (1.446 pessoas ou 21,20% do total). Canoas, o município que apresenta o maior número de contratados, possuía 51% ou 41.725 trabalhadores com ensino médio completo, 15,6% ou 12.779 empregados com ensino superior completo e 11,21% ou 9.203 contratados com ensino fundamental completo. Outra cidade com mais pessoas contratadas segundo a base de dados RAIS, São Leopoldo, segue a mesma tendência de concentração observada em Canoas, sendo registradas 24.741 pessoas ou 42,62% do total com ensino médio completo, 15,20% ou 8.823 pessoas com ensino superior completo e 11,65% ou 6.758 com ensino fundamental completo. 

Algumas movimentações no mercado de trabalho no Vale do Sinos entre os anos de 2016 e 2017 merecem destaque. O número de empregados analfabetos decresceu em quase todos os municípios, salvo São Leopoldo (42 trabalhadores analfabetos em 2016 para 48 em 2017) e Sapiranga (42 trabalhadores analfabetos em 2016 para 45 em 2017). O número de empregados com o 5º ano do ensino fundamental também decresceu em 13 dos 14 municípios da região, com destaque para Portão, o qual registrou uma variação negativa de 14,8% (398 contratados em 2016 para 339 em 2017), e Araricá, que foi o único município que apresentou uma taxa de variação positiva: 1,45% (69 em 2016 para 70 trabalhadores em 2017). 

Por outro lado, houve um aumento de 3,56% no total de trabalhadores com ensino médio completo entre o ano de 2016 e ano passado na região, com destaque para Araricá, com uma variação positiva de 19,43% (489 empregados em 2016 para 548 em 2017), e Canoas, com um aumento de 6,39% (39.220 contratados em 2016 para 41.725 em 2017). Nova Hartz registrou um aumento de 13,8% nos trabalhadores com ensino superior incompleto (254 graduandos em 2016 para 289 em 2017), Campo Bom se beneficiou com um aumento de 17,87% na parcela da população de trabalhadores com ensino superior completo (2.608 trabalhadores graduados em 2016 para 3.074 em 2017). Canoas recebe destaque novamente pelo considerável aumento na contratação de trabalhadores com mestrado, 160 mestres em 2016, passando para 557 em 2017 (um aumento de 248%), e doutorado, registrando um aumento de 754,5% (de 22 doutores em 2016 para 188 no ano passado). Nova Santa Rita também registrou um aumento no número de doutores contratados: apenas 3 em 2016 passando para 18 em 2017 (uma variação de 500%).

Renda

Grande parte dos trabalhadores do Vale do Sinos recebeu entre 1,51 e 2 salários mínimos em 2017. Esta faixa salarial concentrou 91.066 empregados ou 25,56% do total de trabalhadores da região (em 2016 eram 89.623 trabalhadores, isto é, uma variação positiva de 1,61%). O segundo estrato salarial com mais contratados é aquele que engloba de 1,01 a 1,50 salários mínimos, aglomerando 89.120 trabalhadores em 2017, resultando uma variação de apenas 0,4% se comparado com o ano anterior (88.765 trabalhadores recebiam entre 1,01 e 1,50 salários mínimos em 2016). Outra faixa salarial com considerável concentração de empregados é a de 2,01 a 3 salários mínimos, registrando 72.881 pessoas (72.820 em 2016, uma variação positiva de 0,08%). Se agregarmos os estratos disponibilizados pela RAIS, é possível constatar que os trabalhadores que recebem entre 1,01 e 4 salários mínimos representam 79,6% do total da força de trabalho da região. Se ampliarmos para a faixa entre 1,01 e 7 salários mínimos, a representação sobe para 83,9% do total da mão de obra do Vale do Sinos. Em outras palavras, pode-se dizer que 298.798 dos 356.289 trabalhadores da região recebem entre 1,01 e 7 salários mínimos, com destaque para os estratos supramencionados. 

Ademais, o estrato de 10,01 a 15 salários mínimos registrou a maior variação positiva entre os anos de 2016 e 2017: 5.076 empregados em 2016 para 5.465 em 2017 (variação de 7,66%). O corte de 7,01 a 10 salários mínimos também merece destaque com uma variação percentual de 4,26% (8.279 trabalhadores em 2016 para 8.632 em 2017) seguido da faixa salarial entre 4,01 e 5 salários mínimos, que passou de 16.288 empregados em 2016 para 16.802 em 2017 (variação de 3,16%). Por outro lado, nota-se uma queda nas faixas salariais menor e maior. Assim, o estrato de até meio salário mínimo registrou uma queda de 14,7% (2.286 trabalhadores em 2016 para 1.950 em 2017), assim como o corte dos trabalhadores que recebem mais de 20 salários mínimos contabilizou uma variação negativa de 7,5% (1.428 empregados em 2016 para 1.321 em 2017).

Canoas, o município com mais pessoas contratadas em 2017, possuía a maior parte dos trabalhadores recebendo entre 1,51 e 2 salários mínimos: são 19.222 empregados ou 23,41% do total da força de trabalho da cidade, também correspondendo a um aumento de 6,19% se comparado com os 18.101 trabalhadores em 2016. O padrão observado em Canoas no ano passado, isto é, a maior parte dos trabalhadores recebendo entre 1,51 e 2 salários mínimos se estende para alguns municípios, como Dois Irmãos (4.357 trabalhadores ou 36,45% da força de trabalho da cidade), Esteio (4.454 empregados ou 24,27% da força de trabalho de Esteio), Novo Hamburgo (21.512 trabalhadores ou 28,91% da força de trabalho de Novo Hamburgo) e São Leopoldo (13.090 empregados ou 22,55% da força de trabalho do município). Por outro lado, cidades como Araricá, Campo Bom, Estância Velha, Nova Hartz e Sapiranga possuíam a maior parte da sua mão de obra (em média 39% da força de trabalho) recebendo entre 1,01 e 1,50 salários mínimos, com destaque para Nova Hartz, com 56,50% dos trabalhadores do município recebendo entre 1,01 e 1,50 salários mínimos. Sapucaia do Sul merece destaque por concentrar 5.096 trabalhadores ou 24,76% de sua força de trabalho recebendo entre 2,01 e 3 salários mínimos.

Estabelecimentos e ocupação

O número de estabelecimentos no mercado de trabalho no Vale do Sinos no ano de 2017 foi marcado por uma retração de -1,9% se comparado ao ano anterior. Em termos absolutos, pode-se dizer que em 2016 havia 32.839 estabelecimentos na região e 2017 contabilizou 32.203. Se desagregarmos esse número, observa-se uma queda em quase todas as atividades, salvo a administração pública, que se manteve inalterada, e os estabelecimentos do setor de agropecuária, extração vegetal e caça, que registraram um aumento de 2,87% de 2016 para o ano passado (174 estabelecimentos em 2016 para 179 em 2017), com destaque para o município de Estância Velha, que passou de seis estabelecimentos em 2016 para nove no ano passado (aumento de 50%).

O setor da indústria da transformação registrou uma queda de 4,6% no número de estabelecimentos, sendo 6.528 em 2016 e 6.225 em 2017. Novo Hamburgo recebe destaque pela diminuição de 107 estabelecimentos, passando de 1.860 em 2016 para 1.753 no ano passado. O setor da construção civil apresentou a maior taxa percentual negativa para os dois anos analisados, 6% ou 117 estabelecimentos a menos no Vale. Os setores do comércio e serviços, concentradores do maior número de estabelecimentos da região, sendo 12.604 e 11.217, respectivamente, no ano passado, também apresentaram taxas percentuais negativas entre 2016 e 2017. Logo, houve redução de 202 estabelecimentos para o comércio (-1,6%) e 16 para o setor de serviços (-0,1%).

Os dados concernentes à alocação dos trabalhadores nos mais diversos setores no Vale do Sinos mostram algumas movimentações que merecem destaque. A primeira, pertencente à atividade extrativa mineral, mostra a maior variação negativa registrada para os dois anos analisados, sendo 329 trabalhadores em 2016 e 298 (-9,4%) em 2017. Todavia, a maior queda no número de empregados em termos absolutos pertence à indústria calçadista: são 1.892 funcionários a menos (36.296 em 2016 para 35.034 em 2017). O comércio varejista, setor com maior número de funcionários na região do Vale, registrou, em 2017, 59.949 trabalhadores, enquanto em 2016 esse dado era de 60.001, isto é, uma queda de apenas 0,1% ou 52 empregados a menos. Já o comércio atacadista contabilizou 349 trabalhadores a menos ou uma variação negativa de 2,4% (14.448 trabalhadores em 2016 para 14.099 em 2017). 

Por outro lado, a administração pública registrou um aumento de 1.218 funcionários (+4,32%), ou seja, 28.182 contratados em 2016 para 29.400 no ano passado. O setor de administração técnica profissional também apresentou um aumento no número de contratados em 2017: foram 362 a mais que 2016 (uma variação de 1,08% ou 33.526 em 2016 para 33.888 em 2017). Por fim, observa-se um salto no número do estrato que engloba médicos odontológicos e veterinários: em 2016 eram 15.378 médicos e em 2017 este número subiu para 18.012, registrando um aumento percentual de 17,1%.

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