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11 Outubro 2018

Idelber Avelar

Saiu o primeiro DataFolha do segundo turno.

Votos totais:

Bolsonaro 49%
Haddad 36%
Nenhum 8%
Indecisos 6%

Votos válidos:

Bolsonaro 58%
Haddad 42%

Traduzido em futebolês: dificílimo, mas tem jogo. Está 3 x 1 aos 15 minutos do segundo tempo, mas temos banco e a defesa do adversário já falhou antes.


Rodrigo Nunes

Vocês estão rindo (eu também estou) da declaração do Alexandre Frota sobre "pena de morte perpétua", mas ela é extremamente reveladora de um traço dessa onda: um desejo de gratificação imediata que, de tão hiperbólico, chega a ser ridículo. Fora toda a instabilidade institucional, esse provavelmente foi o pior efeito do impeachment. Ao premiar uma demanda de gratificação imediata, ele convenceu uma parcela grande da população, que jamais tinha participado da política, que a política é um espaço onde é legítimo exigir a gratificação imediata do *meu* desejo, sem negociação, procedimentos ou instituições. O desejo de uma mão forte, de alguém capaz de impor sua vontade unilateralmente, passa por aí; todos esses casos de violência que estão ocorrendo também têm a ver com isso. Tenho pensado muito nessa frase que aparece em todos os relatos de agressões –– "essa farra vai acabar" ––, e um dos sentidos de "essa farra" me parece claramente ser este. É como se se dissesse: "esse tempo em que era preciso negociar meus desejos, em que eu precisava abrir mão de minha gratificação imediata, está chegando ao fim". E tudo isso chega ao cúmulo quando se fala: "se ele não der certo, a gente tira e bota outro no lugar".

Tem dois elementos aí. Um é essa maldita herança escravocrata no inconsciente, que faz com que uma parte da população para sempre se ressinta do fato de que outra parte tenha ganho direitos. Mas tem também essa concepção mágica de democracia como satisfação instantânea dos meus desejos, digna de uma criança de cinco anos. Com a primeira é muito difícil conversar em curto prazo, mas talvez seja possível desarmar a segunda –– entre outras coisas, mostrando que há contradições entre os desejos/interesses de diferentes setores do eleitorado bolsonarista, logo umas inevitavelmente terão seus desejos frustrados, e apontando que essa fantasia de gratificação imediata para todos só pode gerar mais violência e insegurança.


Gustavo Gindre

Ontem uma conhecida relatou ter sido intimidada por um aluno dentro de sala de aula. O impressionante é que era aula de biologia, mas o garoto sabia que a professora é de esquerda e partiu para intimidação física.

A noite soube de relato de uma amiga da Cristina, com adesivo #elenao, andando com a filha criança, na rua, que foi ameaçada de morte por dois eleitores do Bolsonaro só porque ela passou ao lado deles.

A violência chegou aqui ao lado.


Caio Almendra

Acabaram de me alertar sobre o uso que a campanha do Bolsonaro fez de SEO, search engine optimization. Talvez uma das tecnologias mais simples em jogo...

No início do mês passado, Mourão, o vice de Bolsonaro, resolveu confessar que quer acabar com o décimo terceiro salário. Esse foi um baque e tanto para a campanha de Bolsonaro, apesar dele ter conseguido subir naquela semana.

Mas, bem, aí entra o excelente uso da internet que a campanha de Bolsonaro faz e o SEO. SEO, "otimização de máquinas de buscas", são técnicas que garantem que máquinas de busca(se você está congelado desde a década de 90 e acaba de acordar para ler esse texto, isso quer dizer "Altavista", "Cadê" e "Yahoo" mas, se não, quer dizer apenas "Google") priorizem o conteúdo que você quer.

Qual foi a brilhantia da galera de dados de Bolsonaro? Bem, Bolsonaro propôs dar décimo terceiro para a Bolsa-Família. Aí, graças à técnica de SEO, toda vez que você procura "Bolsonaro+décimo+terceiro" no google, ao invés de mostrar o Mourão falando sobre cortar o décimo-terceiro do trabalhador, aparece reportagens sobre a proposta de Bolsonaro de décimo terceiro para o Bolsa Família.

É uma espécie de "1984" contemporâneo, onde se reconstrói o passado não a partir da mudança nos livros de histórias mas a partir da dificuldade de achar uma informação no Google.

Estar na esquerda e ver isso não é quase como estar no início de "Os Deuses Devem Estar Loucos", quando um avião sobrevoa a tribo bosquímana, que sequer conhecia o vidro?


Roberto Andrés

A maioria das pessoas que vota em Jair Bolsonaro não é machista, racista ou homofóbica. Ou não gostaria de ser.

Alguns amigos, colegas e familiares meus estão nessa linha. Para justificar seus votos, muitas vezes dizem que as palavras do ex-capitão não devem ser levadas a sério, que ele não faria nada disso se eleito.

Pode ser que isso seja verdade (acho que não), mas o ponto é outro: um Presidente vai muito além das ações de seu governo.
Um Presidente da República legitima, através de seus discursos e posturas, as práticas sociais.

***

E aí, meus caros, a coisa é muito grave. Um mestre de capoeira foi esfaqueado, ao declarar voto em Haddad, por um eleitor de Bolsonaro - lembram quando ele dizia que iria metralhar todos os petralhas?

Uma cozinheira foi presa nua na delegacia por policiais e só foi liberada quando disse "ele sim". Uma jornalista pernambucana foi esfaqueada e ameaçada de estupro - lembram do "não te estupro porque você não merece"?

Há muitos outros casos. Uma reportagem da Agência Pública registrou 70 casos de violência política em 10 dias, sendo a grande maioria por eleitores de Jair Bolsonaro.

***

De nada adianta AGORA o capitão dizer que "não controla esses eleitores" e que não precisa de seus votos, para tentar ganhar o segundo turno.

A consequência de seus discursos está aí, resultante de anos a fio de elogio a torturadores, estímulo à violência, a soluções falsas, simplistas e odiosas. Não há como voltar atrás.

Muitos dos que votam em Bolsonaro não gostariam de ver essa onda de violência, mas é preciso ter claro que ela crescerá muito com a vitória do ex-capitão.

***

A escolha parece ser até onde você vai somente para derrotar o PT.

Você está disposta a ver seu filho ser atropelado amanhã no meio da rua, somente por vestir uma camisa vermelha? Isso aconteceu.

Ou ver seu primo gay ser espancado e chamado de "bichinha de merda"? Isso tem acontecido, aos montes.

É hora de colocar a cabeça no lugar. O crescimento da violência atingirá a todos. E não há nenhum indício de que a corrupção vai diminuir com um presidente que passou a maior parte da vida no partido que tem maior número de investigados na Lava Jato.

Idelber Avelar

Cem por cento, literalmente CEM POR CENTO dos anarquistas da minha TL, que quase nunca votam, já declararam voto contra o Bolso no segundo turno e estão na batalha. É impressionante como os anarquistas SABEM se posicionar quando a questão é séria.

Vilipendiados e difamados por todas as correntes, eles não perdem a coerência. Todas as vezes em que me vi enrolado em situações de violência policial em manifestações, eram os anarquistas que estavam lá pra me defender, com coragem. Os caras não perdem o foco.

Respeito, respeito infinito pela bandeira negra de vocês, camaradas anarquistas.


Maurício Caleiro

Acho muito significativo que a Presidência esteja sendo disputada entre um professor e um militar anti-Direitos Humanos.

Pois é isso mesmo que está em jogo nesta encruzilhada histórica: ou o Brasil opta pelo caminho da Educação, da inclusão social e do respeito aos Direitos Humanos - como todas as nações ocidentais bem-sucedidas -, ou afunda no pântano da violência, do esmagamento das minorias, da Educação relegada ao ensino à distância em todos os níveis.

Não são "só" os próximos quatro anos que estão em jogo: é o futuro do Brasil como nação democrática ou como feudo da ignorância e do fascismo.

#Elenão


Idelber Avelar

O PSTU, que chamou voto nulo no segundo turno das eleições de 2002, 2006, 2010 e 2014, está agora chamando voto contra Bolso. Algumas pessoas da minha bolha estão dizendo que isso é incoerente. Quem acha que isso é incoerente não entendeu o PSTU, o trotskismo, o marxismo. Permitam-me. É matéria que não leciono há muito tempo, mas ainda lembro.

O marxismo tem uma reflexão riquíssima sobre um problema que nós poderíamos resumir com a fórmula "quando é que deu merda"? Qual é o limite a partir do qual você pode dizer que deu merda? Qual é a linha a partir da qual nenhuma outra linha importa?

Por exemplo: quando é que Lênin resolve que a II Internacional já não serve para porra nenhuma e alguma outra coisa tem que ser feita? É na primeira guerra mundial, quando os partidos social-democratas decidem apoiar as burguesias dos seus países. Partido operário de alemão insuflando alemães para ir matar operários russos. Aí não dá. Aí Lênin diz: não, essa porra já deu, cruzaram o limite, temos que armar outro partido. Mesma coisa vinte anos depois, com o stalinismo, quando Trótski diz: "essa porra já deu, os PCs estão irremediavelmente corrompidos".

Junto com a reflexão sobre o "essa porra já deu", existe uma outra reflexão que é a seguinte: "qual é a situação em que a gente tem que se unir com a galera que passou para o outro lado do 'essa porra já deu'?"

Essa situação é o fascismo. Para barrar o fascismo, que pode destruir tudo, fazer terra arrasada das liberdades que, bem ou mal, ainda temos, vale a pena se unir com a turma que passou para o outro lado do "essa porra já deu". O PT já passou há muito tempo para o outro lado, mas a situação em que nos encontramos é "temos que nos unir com a galera que passou para o outro lado do 'essa porra já deu'".

É por isso que o PSTU chamou voto nulo em 2002, 2006, 2010 e 2014 mas, agora, coerentemente, chamam à união provisória com a turma do PT que já cruzou o rubicão. Está corretíssimo o PSTU, mais uma vez.

Faustino Teixeira

 

Muito DIFÍCIL ter que ouvir o que falou Jair Bolsonaro hoje, 10/10/2018, sobre a morte do grande mestre de capoeira: Mestre Moa do Katande, assassinado com 12 facadas nas costas, e publicado no G1 da Globo.com (10/10/18). Diz um trecho da reportagem:

"O candidato à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro, disse nesta terça-feira (9) que o homem suspeito de esfaquear e matar um mestre de capoeira na Bahia cometeu um excesso. Bolsonaro lamentou o episódio e afirmou que não tem nada a ver com o caso, pois não tem controle sobre seus apoiadores.

´Pô, cara! Foi lá pergunta essa invertida... quem tomou a facada fui eu, pô! O cara lá que tem uma camisa minha, comete lá um excesso. O que eu tenho a ver com isso?`"

Dizia com razão, um candidato ao pós-doutorado comigo aqui na UFJF que A VIOLÊNCIA NASCE NO PÚLPITO.

Que pensemos com muita calma, serenidade e seriedade em quem vamos votar no segundo turno...

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