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11 Outubro 2018

Valendo-se do argumento de um filme deste ano, Roberto Samar e Eric Barchiesi sustentam que a masculinidade é uma construção social e que os mandatos da masculinidade hegemônica seguem propondo que ser homem é ser provedor, procriador, protetor, dominador, autossuficiente e violento. 

O artigo é de  Roberto Samar, bacharel em Comunicação Social, docente da Universidad Nacional de Río Negro e integrante da Subsecretaria das Mulheres da Província de Neuquén; e de Eric Barchiesi, estudante da Universidad Nacional del Comahue e integrante da Subsecretaria das Mulheres da Província de Neuquén, publicado por Página/12, 10-10-2018. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Eis o artigo.

Antes de morrer, o pai da noiva disse: “Necessito que me prometas que sempre a manterá segura”. “Te prometo”, responde o noivo. Esse é um diálogo do filme da Netflix: “O final de tudo”, de 2018, a qual, em sua sinopse, diz “depois de um misterioso desastre que transforma o país em uma zona de guerra, um jovem advogado viaja ao oeste com seu futuro sogro para buscar a sua prometida que está grávida”.

No filme há dois homens, o pai e o noivo, os quais atravessam situações de violência, assassinatos e acidentes extremos para proteger uma mulher, enquanto disputam o lugar do “varão dominante”. Esse filme, como a ampla maioria, nos ensina que ser homem é ser protetor, dominador e quase necessariamente violento.

A masculinidade é uma construção social que se desenvolve desde a primeira infância. Mediante os discursos que nos atravessam aprendemos determinadas formas de pensar. Os mandos da masculinidade hegemônica nos propõem que ser homem é ser provedor, procriador, protetor, dominador, autossuficiente e violento.

A partir dos meios de comunicação em massa que ocupam posições dominantes e da indústria do entretenimento se promovem olhares que fortalecem essas formas de ver o mundo. Assim, esses meio funcionam como agentes de socialização nos quais se constroem e reproduzem discursos que fortalecem perfis e estereótipos de gênero que tendemos a naturalizar.

Esses mandos da masculinidade hegemônica condicionam nosso comportamento, já que muitas vezes atuamos conforme os perfis que internalizamos.

Segundo a teoria do cultivo, os meios funcionam como construtores principais de imagens e representações mentais da realidade social. Nesse sentido, a televisão “sedimenta crenças, representações mentais e atitudes”.

Essa violência podemos lê-la pelo conceito de criminologia midiática. Segundo o Dr. Raúl Zaffaroni, existe uma criminologia midiática mundial que nasce nos Estados Unidos e se expande pelo mundo. Um olhar que pensa a sociedade dividida entre bons e maus; onde os conflitos só se resolvem com violência.

O olhar da masculinidade hegemônica violenta convive e se retroalimenta com a criminologia midiática. Essa criminologia transmite a certeza de que “a única solução para os conflitos é a punição e a violência. Não há espaço para reparação, tratamento, conciliação; só o modelo punitivo violento é o que limpa a sociedade”.

Esses discursos machistas se refletem em violências: mortes de mulheres que se coisificam e que homens buscam dominar. Também se reflete em mortes de homens, entre os quais se disputam identidades machistas.

Segundo o Instituto de Investigações da Corte Suprema de Justiça da Nação, 88% das vítimas de homicídios na Cidade Autônoma de Buenos Aires eram do sexo masculino, enquanto 12% do sexo feminino. Em relação aos vitimizadores, 85% são homens, 4% são mulheres e não se tem os dados de 11%. Paralelamente, segundo o Sistema Nacional de Estatística sobre Execução da Pena (Sneep), 96% das pessoas presas na Argentina são homens.

Estamos diante de um momento de forte avanço na luta pelos direitos das mulheres. Isso se reflete em que se visibilizam violências antes naturalizadas e na apropriação de direitos, mas também em novas produções midiáticas.

Entretanto, os monitoramentos dão conta de que as mulheres seguem relegadas aos espaços de debate midiático, continuam sendo coisificadas e se segue reforçando sobre elas os perfis tradicionais. Isto é, continuam sofrendo violência simbólica.

Na sociedade se mantém, ou inclusive se incrementa, a violência masculina. Violência que se reproduz e fortalece nos meios de comunicação e na indústria do entretenimento e que tem seu correlato na multiplicidade dos casos de violência contra as mulheres por parte dos homens.

Entendemos que é o momento de nós homens problematizarmos nossas identidades e questionarmos nossa violência culturalmente construída.

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