Papa Francisco está "ansioso" para ajudar a Igreja nos EUA. Entrevista com o Cardeal O'Malley

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25 Setembro 2018

Quando se trata de abordar a crise de abusos que atualmente abrange a Igreja em várias partes do mundo, nenhum cardeal conhece o Papa Francisco da mesma maneira que o cardeal Sean O'Malley, de Boston.

Este verão tem sido difícil, especialmente nos Estados Unidos, com as revelações de abusos cometidos pelo ex-cardeal Theodore McCarrick, o ex-arcebispo de Washington, e um relatório do Grande Júri da Pensilvânia detalhando o suposto abuso de mais de mil menores, por mais de 300 padres nos últimos 75 anos.

"Acho que o Santo Padre está ansioso para ajudar a Igreja nos Estados Unidos", disse O'Malley ao Crux no sábado à tarde. "Neste momento, a Santa Sé precisa responder às perguntas sobre o caso McCarrick, e isso ajudará os Estados Unidos", completou.

O cardeal, que dirige a Comissão para a Proteção de Menores do Vaticano, falou ao Crux no final do V Encuentro, evento com de cerca de 3.500 católicos hispânicos, presenciado por 120 bispos americanos, em Fort Worh, Texas.

Entre outras coisas, ele discutiu o clima de “alegria” durante a reunião, de 21 a 23 de setembro, apesar da crise, e também sobre o futuro do ministério hispânico nos Estados Unidos.

O'Malley conversou com o Crux em 22 de setembro.

A entrevista é de Inés San Martín, publicada por Crux, 24-09-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Eis trechos dessa conversa.

Estamos chegando ao fim de um processo de quatro anos, mas alguns argumentam que é apenas o começo do impacto do Encuentro nos Estados Unidos. Qual a sua opinião sobre o que aconteceu aqui em Fort Worth?

Eu estive em todos os Encuentros [o primeiro foi em 1972], e cada um deles teve um impacto muito positivo na Igreja. O que eu gostei sobre isso foi a ênfase que eles colocam na juventude. Agora temos uma geração que nasceu aqui e eles precisam de uma atenção muito especial se fizerem parte da comunidade de fé. Fiquei muito animado com o jantar da noite passada [sexta-feira], quando eles tiveram um tempo com os bispos. Acho que foi um momento muito especial. Como um terço dos participantes é jovem, acho que isso é muito importante.

É na comunidade hispânica onde estão a energia e o desenvolvimento da Igreja Americana, bem como em outras comunidades étnicas, por isso é um desafio, mas também uma oportunidade.

A Igreja nos EUA é muito dividida por etnias. Esta é a época em que a comunidade hispânica não está restrita apenas a um "escritório do Ministério Hispânico" e na verdade faz parte do ministério geral da Igreja nos EUA?

Você sabe, isso varia de lugar para lugar. Depende muito das comunidades individuais. Cada vez mais, as comunidades hispânicas estão se tornando mais centrais em suas paróquias.

O Encuentro está acontecendo no final deste verão - longo e cansativo - para a Igreja nos EUA, devido à crise dos abusos. Como você viu o humor das pessoas aqui?

Acho surpreendentemente positivo. Obviamente, eles estão muito conscientes do que está acontecendo, mas não parece ter diminuído sua dedicação pela comunidade e vontade de fazer parte do processo do Encuentro. Tem sido muito encorajador, e é por isso que eu disse esta manhã na missa: "Isto é um oásis".

Alguns mencionaram que, para a comunidade hispânica, a crise de abusos não é tão importante quanto parece para outras comunidades. Você concorda?

Eu não diria isso dessa maneira, até mesmo a pesquisa que fizemos para o USCCB (sigla em inglês para a Conferência Episcopal americana), mostrou há alguns anos que os hispânicos estão preocupados. Estas são famílias jovens, com muitos filhos, e a salvaguarda é muito importante para eles. Mas eles veem uma imagem maior. Então, acho que apesar das preocupações sobre a salvaguarda, eles veem os aspectos positivos de sua fé e o que isso significa em suas vidas em comunidade.

Seria justo dizer que eles são mais capazes de ver a floresta do que a árvore caída?

Essa é uma maneira de colocar isso corretamente.

É evidente que o pedido de salvaguarda foi palpável apenas neste fim de semana, mas o clima é muito diferente daquele que você pode encontrar lá fora. Talvez seja uma bolha, mas se você ler a mídia, o twitter ou os blogs, parece haver apenas uma questão na Igreja hoje, e é: como lidamos com essa crise da forma como pensamos ter lidado em 2002? aqui o espírito era de celebração, alegria, encontro, avançando sem ignorar.

Sim.

Você se encontrou com Francisco há 10 dias. Como você acabou indo nessa reunião - sendo que deveria ter sido somente para a liderança da conferência dos bispos a fim de abordar a situação de McCarrick?

Eu só queria estar lá! [Riso]. O presidente [cardeal Daniel DiNardo de Galveston-Huston] me pediu para ir com eles, então eu fui. Me deram a carta de antemão, uma semana antes de eu entregar uma carta ao Santo Padre, para ajudar a marcar a reunião. Mas eu era apenas um observador, as outras pessoas eram os representantes oficiais da conferência.

Tivemos reuniões durante o verão, teleconferências e assim por diante. Sempre me incluíram, embora eu não esteja no conselho administrativo dessa vez.

Mas você é membro da Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores …

Certo. Então, eles me incluíram e perguntaram se eu iria acompanhá-los…

Quão aplicado você vê o Papa Francisco em ajudar a Igreja nos EUA a enfrentar a crise?

Eu acho que o Santo Padre está ansioso para ajudar a Igreja nos Estados Unidos. Neste momento, a Santa Sé precisa responder às perguntas sobre o caso McCarrick, e isso ajudará o país.

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