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14 Setembro 2018

"Não é fácil surfar na onda da moda! A moda, entretanto, é uma sombra: sempre efêmera, fugaz, fictícia, provisória e descartável. Faz-se necessário correr atrás dessa sombra traiçoeira. O pior é que, escorregadia como ela costuma ser, quanto mais a perseguimos, mais ela nos escapa", escreve Alfredo J. Gonçalves, padre carlista, assessor das Pastorais Sociais.

Eis o artigo.

A revolução da Internet – mas de modo particular o Facebook, WhatsApp e o Instagram – levou uma boa parte da população, homens e mulheres, a estacionar no presente. Um presente fortemente marcado por uma conduta narcisista, no amplo espectro do individualismo moderno ou pós-moderno. E não se trata somente da adolescência e da juventude, como muitas vezes se nota em visões estereotipadas. Certo, os jovens representam uma grande fatia dos internautas, mas boa quantidade de adultos segue as pegadas da mesma atitude egocêntrica. O objetivo primeiro e primordial é desfrutar, aqui e agora, todo o potencial do próprio “eu”, das relações com os outros e dos bens que a natureza nos oferece.

Daí o exibicionismo inédito de si mesmo, num encanto exacerbado pelo próprio corpo, com imagens e mensagens de nudez e tonalidade estridentes, e não raro embaraçantes. O mesmo vale para a exposição em praça pública, digamos assim, da intimidade com outras pessoas, às vezes com os próprios familiares e amigos. Tem-se a impressão que tal comportamento seja movido por uma dose extrema de vaidade. Do outro lado da linha, o olhar e o aplauso do internauta tornam-se incenso indispensável para uma certa auto-idolatria. Tudo e todos podem ser objetos desse jogo onde está em campo um exagerado apaixonar-se por si mesmo e pela própria performance. Esta palavra, por si só, representa uma espécie de imaginário fabuloso, hollywoodiano, da perfeição nas formas, no vestiário, no modo de apresentar-se ou de aparentar. Aparentar, com efeito, toma o lugar não só do ser, mas, em determinadas circunstâncias, até do ter.

Semelhante obsessão conduz em geral a um consumismo igualmente exagerado, sem falar dos custos. De fato, a necessidade permanente de corrigir e aperfeiçoar o design requer uma série de produtos inovadores e de recente lançamento, por um lado, e de artifícios engenhosos e especializados, por outro. Não é fácil surfar na onda da moda! A moda, entretanto, é uma sombra: sempre efêmera, fugaz, fictícia, provisória e descartável. Faz-se necessário correr atrás dessa sombra traiçoeira. O pior é que, escorregadia como ela costuma ser, quanto mais a perseguimos, mais ela nos escapa. Melhor nem entrar no mérito dos efeitos e consequências de tal acompanhamento da moda, seja no balanço entre os custos-benefícios, seja no que diz respeito à preservação do meio ambiente. Evidente que, em tudo isso, o bolso, a balança e o espelho acabam convertendo-se nos órgãos mais sensíveis do corpo: amigos fiéis ou letais inimigos.

Estacionados no presente! E o passado? Melhor fugir dos fantasmas que essa palavra pode ressuscitar. Por que correr riscos desnecessários. Noticiário, formas de pensar, argumentos sobre causas e efeitos, compromissos, engajamento social ou político, conhecer tradições, cultura e raízes... Tudo isso só complica as coisas. Para que olhar para trás se ao redor tudo está se apresenta positivamente? O importante é curtir o que a terra, a existência, a produção crescente e o poder de aquisição oferecem neste exato momento. Prevalece a miopia de usar, abusar e jogar fora – tudo se torna descartável! O “viver bem”, desfrutando toda e qualquer possibilidade de fartura, conforto e benesses, toma o lugar do “bem viver”, responsável e solidário com os pobres e excluídos, com o planeta e com as gerações futuras.

Quanto ao futuro, amanhã será outro dia! Nada de projetos, eles podem antecipar desgraças. Nada de empenhos para toda vida. Melhor saborear a vida como ela se apresenta. E partilhar pelas redes sociais, viver duas vezes. Em vez de prever e elaborar um plano, bastam as respostas imediatas para problemas imediatos. Plano para quê, se as coisas mudam com a velocidade de um toque digital na telinha do smartphone. Instala-se, desse modo, o império do hoje absoluto. A colheita pura e simples desconhece a tarefa lenta e laboriosa de preparar o terreno, lançar a semente e cultivar a fragilidade do nascimento e do crescimento.

Inútil acrescentar que tal imediatismo do presente responde, em boa medida, à própria linguagem da Internet e das redes sociais. Nestas novas formas de comunicar-se, fatos e notícias são simultâneos. Tudo ocorre on-line. A história não figura como um entrelaçamento entre passado-presente-futuro, e sim como um espetáculo grandioso e inédito, a ser desfrutado diante de nossos olhos e ouvidos. Em outras palavras, não há história, apenas um suceder-se descontínuo e desconectado de “presentes”.

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