A instabilidade neoliberal na América Latina

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14 Setembro 2018

“A verdadeira expertise do neoliberalismo é comunicar o que não sabe fazer. Não estabiliza, nem dá certeza, nem confiança; e tampouco consegue consolidar economias eficientes”, avalia o economista Alfredo Serrano Mancilla, em artigo publicado por CELAG, 11-09-2018. A tradução é do Cepat.

Eis o artigo.

Estabilidade, confiança, certeza e eficiência são as quatro promessas mais repetidas por qualquer projeto neoliberal. São cumpridas? É um governo neoliberal capaz de dar estabilidade a um país? Sabem como gerar confiança e certeza? Conseguem ter economias eficientes? Vejamos o que acontece na América Latina. Comecemos pela Argentina. Criar um bom slogan é sempre mais fácil que estabilizar a economia de um país em um ambiente de forte restrição externa. O macrismo se desgasta com muito mais velocidade que o previsível porque demonstra que não sabe governar, nem gerir. Em algo menos de três anos, conseguiu que o país esteja de pernas para o alto. A economia não caminha, em qualquer aspecto que se olhe.

A inflação aponta este ano, 2018, ficar acima dos 40%, segundo as últimas estimativas oficiais, apesar de que a tinham calculado em 15%, em fins do ano passado. A economia se contrairá acima dos 2%, ainda que haviam prognosticado que cresceria acima dos 3%. A liberalização cambial provocou uma desvalorização que não tem fim: neste tempo, levaram de 10 pesos para quase 40, e veremos como acaba. O investimento estrangeiro jamais chegou. Foram prometidos dólares que era impossível de produzir em casa, e só puderam ser obtidos parcialmente, com uma dívida eterna com o mundo. O Fundo Monetário Internacional pede mais ajuste: mais cortes sociais, menos salários, fazendo com que a demanda interna perca toda a sua força como motor econômico. A taxa de juros vai pelos 60%: respaldo ideal para que a economia financeirizada acabe com a economia real. A indústria se desmorona. A balança comercial é cada dia mais deficitária, após a liberalização das importações.

O quadro macroeconômico do neoliberalismo na Argentina não resiste a nenhum teste de equilíbrio, nem eficiência. Mauricio Macri e Cambiemos trouxeram consigo justamente o contrário daquilo que sempre promete: incerteza e desconfiança. A instabilidade não é apenas econômica, também é política e social. Os protestos crescem e se estendem a quase todos os setores organizados. A marcha das mulheres demonstrou também a incapacidade do Governo em entender que está surgindo outra nova maioria que reflete um sentido comum de cada vez maior protagonismo na sociedade argentina. Seu ouvido também não funciona. Distanciaram-se de tudo o que passa na rua. O timbreo como aposta publicitária vai bem, mas não serve para que os cidadãos resolvam seus problemas. Estão presos em seus próprios anúncios, enquanto a instabilidade atinge as pessoas.

Mas, não é somente na Argentina que o neoliberalismo e a instabilidade dão as mãos. O Brasil é outro bom exemplo disso. Com eleições à vista e um presidente não eleito há anos, este país apresenta um longo percurso de acontecimentos que formam um panorama certamente instável. Sua economia não cresce. O real se desvaloriza. O país se militarizou para frear protestos. E as Nações Unidas desautoriza que se impeça Lula de ser candidato a presidente.

Outro caso é o Peru, que embora sua macroeconomia esteja estável, o sistema político e judicial faz águas por todas as partes. Possui um presidente não eleito, após o caso de corrupção que tirou Kuczynski de sua condição. Também conta com outros tantos ex-presidentes na prisão ou fugitivos por ter se enriquecido ilegalmente. O sistema judiciário está completamente podre. O atual promotor geral conta com múltiplos casos contra ele. A maioria dos cidadãos não acreditam nas instituições.

É fácil seguir dando exemplos de países que sob a gestão neoliberal não sabem gerar confiança, nem certeza. A Colômbia é outro país com uma economia real raquítica, desindustrializada progressivamente, com produtividade muito baixa, sem demanda interna que consiga gerar crescimento sustentável e com indicadores sociais mais próprios de países em guerra. E com um conflito cada vez mais difícil de resolver pela chegada de Iván Duque à presidência. E, enquanto isso, as mortes de líderes sociais continuam.

O Chile é outro destino não tão ideal como é apresentado. Com uma economia que não decola e em meio a contínuas paralisações nacionais por parte de uma grande diversidade de setores, o país também não demonstra um marco de estabilidade. E não se esquecer do México, cujo neoliberalismo fez com que a economia siga estagnada, com alta inflação, fortemente endividado, com um setor petroleiro que caiu após as últimas reformas, e com pobreza e desigualdade de caráter estrutural que, além de ser injustas, supõem um freio a qualquer tentativa de reativação econômica.

Olhe para qual lado for, o neoliberalismo não sabe governar, nem sequer sob suas próprias premissas. Diga-me o que você presume e eu lhe direi o que lhe falta. Se as agências de qualificação de risco fizessem bem o seu trabalho, a partir de critérios estritamente ortodoxos, daria a todos eles uma nota muito negativa.

A verdadeira expertise do neoliberalismo é comunicar o que não sabe fazer. Não estabiliza, nem dá certeza, nem confiança; e tampouco consegue consolidar economias eficientes.

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