Cardeal Wuerl tem audiência com Papa Francisco sobre a crise na diocese de Washington

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05 Setembro 2018

O Papa Francisco se reuniu com o cardeal Donald Wuerl de Washington na última quinta-feira no Vaticano. Posteriormente, o cardeal relatou a conversa em conferência à padres de sua diocese. Wuerl disse que na reunião com o Papa foi discutido a situação particular do cardeal, segundo uma fonte. 

A reportagem é de Daniel Burke, publicada por CNN, 04-09-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Wuerl, que é arcebispo de Washington, relatou o conselho de Francisco de que o ele deveria consultar os padres de sua diocese enquanto discerne seu futuro. Isso foi parte de uma conversa mais ampla entre o papa e Wuerl, disse a fonte.

O diretor de comunicações da Arquidiocese de Washington, Edward McFadden, disse que Wuerl viajou ao Vaticano na semana passada, mas se recusou a dar mais detalhes sobre a viagem. O cardeal é membro de vários dicastérios poderosos do Vaticano.

Mas Wuerl, de 77 anos, está enfrentando cada vez mais críticas sobre o que sabia das acusações de abuso contra seu antecessor, o ex-cardeal Theodore McCarrick, em Washington, e como lidava com padres abusivos enquanto dirigia a diocese de Pittsburgh.

Wuerl "negou categoricamente" que qualquer informação sobre acusações contra McCarrick tenham sido trazidas a ele. Ele também defendeu seu tratamento geral de abusos clericais em Pittsburgh, mesmo reconhecendo "erros de julgamento".

Ainda assim, Wuerl tem estado sob pressão crescente para abdicar de seu cargo, incluindo pedidos de católicos proeminentes que dizem que a o processo de cura na igreja requer nova liderança. Oficiais da arquidiocese dizem que ele não tem planos de renunciar.

"O cardeal Wuerl falou extensivamente nos últimos dois meses, transmitiu sua profunda tristeza, desculpas e contrição, e tratou de todas as questões, uma vez que elas surgiram de maneira direta e transparente", disse McFadden, o porta-voz de Wuerl.

'Você deveria se envergonhar'

Enquanto Wuerl no domingo passado, em Washington, se referia ao escândalo de abuso sexual do clero da Igreja Católica, um católico gritou "você deveria ter vergonha!" enquanto outro virou as costas para o cardeal em protesto.

Wuerl  celebrava a missa na Igreja Católica da Anunciação de Washington, onde o cardeal estava instalando um novo padre, em um breve discurso depois da missa. Wuerl pediu aos cerca de 200 fieis da congregação que perdoassem seus "erros de julgamento" e "inadequações".

Wuerl também exortou a paróquia a orar e permanecer fiel ao Papa Francisco, já que "cada vez mais está claro que ele é objeto de considerável animosidade".

Quando Wuerl mencionou o papa, Brian Garfield, que estava sentado no meio da igreja, levantou-se e gritou: "você deveria se envergonhar!" e rapidamente saiu.

Wuerl notou a interrupção, mas continuou falando.

"Sim, meus irmãos e irmãs, vergonha", disse Wuerl. "Eu gostaria de poder refazer tudo ao longo desses 30 anos como bispo e acertar todas as vezes. Esse não foi o caso. Acredito que juntos, pedindo a misericórdia de Deus, pedindo a graça de Deus, reconhecendo que podemos nos mover em direção à luz, eu simplesmente peço a vocês para que mantenham a mim e a todos aqueles que foram abusados, todos aqueles que sofreram, toda a igreja em suas orações."

Depois disso, Garfield, católico de longa data, disse à CNN que estava chateado com a resposta de Wuerl a um relatório condenatório do júri da Pensilvânia, que descobriu que mais de 300 padres católicos haviam abusado de mais de 1.000 crianças desde 1947 em seis dioceses, incluindo Pittsburgh.

O relatório do grande júri, juntamente com um escândalo envolvendo McCarrick, ex-arcebispo de Washington, abalou a Igreja Católica nos Estados Unidos e desencadeou um jogo de poder de alto risco no Vaticano, com alguns incentivando o afastamento do papa.

"Eu não acho que ele seja um monstro, mas eu gostaria que ele se defendesse menos e falasse mais sobre suas falhas", disse Garfield sobre Wuerl. "É um pouco irritante ser ensinado sobre transparência por pessoas que estão mentindo para nós", continuou ele. "Eu gostaria que ele falasse conosco como um pastor e não como um político."

A maioria da congregação bateu palmas para Wuerl quando ele terminou seu breve discurso e, ao sair da igreja no domingo, muitos apertaram a mão do cardeal e ofereceram breves sentimentos de apoio.

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