Francisco, aos jovens: "Uma Igreja fechada e clerical é um escândalo, uma perversão"

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13 Agosto 2018

"A Igreja sem testemunho é apenas fumaça". A frase do Papa Francisco foi proferida diante dos olhos de mais de 70.000 meninos e meninas que, vindos de toda Itália, se reuniram nesta tarde, no Circo Máximo de Roma, com o Papa Francisco.

A informação foi publicada por Religión Digital, 12-08-2018. A tradução é de Graziela Wolfart.

Tratou-se de um encontro preparatório ao Sínodo dos Jovens. Um encontro emocionante, vibrante, com música, vídeos, oração e um intenso diálogo, no qual Francisco parecia mais um entre os jovens. E um jovem que voltou a reivindicar a importância dos sonhos para construir a realidade. Melhor do que nunca, no lugar onde foram martirizados os primeiros cristãos. Uma grande lição de vida.

"Os sonhos são dados a nós para que nós os demos aos outros", salientou Bergoglio, em sua primeira intervenção, recordando os jovens que "o contrário de ‘eu’ é o ‘nós’. Os sonhos grandes sempre incluem".

No começo dos testemunhos, os jovens lhes entregaram um báculo de madeira esculpida, símbolo de uma Igreja pobre e para os pobres. Francisco recebeu o presente, e, nas respostas, confessou que "não tenho respostas para tudo. Por exemplo, por que as crianças sofrem? Não sei".

O que o Papa quis deixar claro é que "sem testemunho Jesus será nosso prisioneiro", atacando uma "Igreja fechada e clerical" que "é um escândalo". "A Igreja sem testemunho é apenas fumaça".

"O escândalo é uma Igreja formal, que não dá exemplo, uma Igreja fechada, que não sai de si", disse o pontífice, que animou a dar exemplos, "ir até os outros, além das fronteiras que dão segurança".

Nesse sentido, alertou sobre o clericalismo, modo clerical de viver que afeta também os fieis e que, segundo ponderou, "é uma perversão da própria Igreja".

"Qual é o oposto de ‘Eu’? Não, não é o ‘Tu’. Este é o princípio da guerra. O contrário de ‘Eu’ é o ‘Nós’. Assim devemos estar, juntos", argumentou Francisco, que pediu que "o amor deve ser sincero, aberto. Devemos colocar toda a carne no espeto. Assim dizemos na Argentina. Correr o risco no amor, mas no verdadeiro, não no entusiasmo maquiado de amor. O amor é fiel, se há infidelidade é um amor doente ou pequeno, que não cresce", afirmou.

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