"O racismo é heresia teológica". O Manifesto dos evangélicos italianos sobre o acolhimento

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10 Agosto 2018

"Qualquer forma de racismo é uma heresia teológica". Isso foi afirmado pelo Conselho da Federação das Igrejas Evangélicas na Itália (FCEI) que, em 8 de agosto, aprovou um documento para denunciar e opor-se ao clima e cultura xenófobos que estão se espalhando na Itália nas últimas semanas.

A informação é Luca Kocci, publicada por Agência Adista, 08-08-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

"Há meses estamos ouvindo palavras violentas e carregadas de rancor contra imigrantes, que no meio do verão foram seguidas por gestos xenófobos e racistas contra italianos de pele negra, requerentes de asilo e ciganos", explica a Pastora Luca Maria Negro, Presidente da FCEI. "Como cristãos evangélicos acreditamos que o limite da tolerabilidade dessa linguagem e dessas atitudes tenha sido amplamente superado e é por isso que decidimos lançar uma mensagem clara e forte de que nós não concordamos. Embora hoje seja impopular, afirmamos que nós, evangélicos, somos a favor do acolhimento dos imigrantes e dos refugiados, pela proteção das vidas daqueles que fogem da guerra e perseguições atravessando o Mediterrâneo, pela integração".

O instrumento é um "Manifesto para o acolhimento", a ser afixado nas portas de todas as Igrejas protestantes na Itália, que se inspira em seis passagens bíblicas, atualizadas pela crônica:

"Quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes "(Mt 25:40). Deus se aproxima de nós como estrangeiro: rejeitando aqueles que pedem a nossa ajuda fechamos a porta para Jesus, que nos procura e estende a mão.

"Eu era estrangeiro e me acolhestes" (Mt 25:35). Anunciamos que a fé em Cristo nos compromete ao acolhimento em relação ao próximo que bate à nossa porta à procura de ajuda, proteção e cuidado.

“No dia em que Deus criou o homem, o fez à semelhança de Deus" (Gn 5.1). Afirmamos que cada homem, cada mulher, cada menino e cada menina são criaturas de Deus, à sua imagem e semelhança, e, portanto, não é possível discriminar ninguém por causa de sua pele, de sua religião, de sua identidade de gênero. Toda forma de racismo é para nós uma heresia teológica.

"Maldito quem negar justiça ao estrangeiro" (Dt 27,19). Somos chamados a defender a vida, a dignidade e os direitos dos migrantes, requerentes de asilo, ciganos, minorias étnicas e religiosas e de todos aqueles que são perseguidos e marginalizados.

"Não há judeu nem grego (...) porque todos vós sois um em Cristo Jesus" (Gl 3,28).

O evangelho de Cristo acaba com as diferenças étnicas e nos chama a ser uma Igreja aberta ao encontro e à troca, na qual italianos e imigrantes vivem juntos a fé cristã.

"Um homem descia de Jerusalém para Jericó quando caiu nas mãos de assaltantes que tiraram suas roupas, espancaram-no e se foram, deixando-o quase morto (...) um samaritano (...) quando o viu, teve piedade dele; aproximou-se, enfaixou-lhe as feridas, derramando nelas óleo e vinho. Depois, colocou-o sobre seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e cuidou dele" (LCA 10,30.33-34).

Estimamos e apoiamos aqueles que salvam a vida dos migrantes vítimas de tráfico e proporcionam o socorro humanitário no Mediterrâneo ou nas fronteiras alpinas[1].

Portanto, afirmam os evangélicos italianos "rejeitamos a falsa contraposição entre o acolhimento de imigrantes e a necessidade dos italianos, porque um país entre os mais ricos no mundo tem os recursos para garantir tanto um como a outra, e porque sabemos que, ao longo do tempo, também os novos imigrantes constituem um recurso para um país como a Itália, com alto declínio demográfico. Estamos empenhados em garantir corredores humanitários em favor dos requerentes de asilo para que possam chegar à Europa de forma segura e legalmente; fazemos isso ecumenicamente (também participa da iniciativa a Comunidade de Sant'Egidio, nde) e no respeito com as normativas europeias. Acreditamos na necessidade de integração dos imigrantes em uma sociedade acolhedora, capaz de promover o encontro e o intercâmbio cultural no âmbito dos princípios da Constituição. Somos contra as políticas italianas e europeias de fechamento de fronteiras, de rejeição e de redução das garantias de proteção internacional dos requerentes de asilo, especialmente quando fontes institucionais das Nações Unidas atestam sistemáticas violações dos direitos humanos nos países de origem e de trânsito. Para todos, mas ainda mais para aqueles que têm responsabilidades institucionais, pedimos para adotar uma linguagem respeitosa pela dignidade dos imigrantes e para combater com gestos e ações concretas atitudes xenófobas e racistas.

Denunciamos e criticamos a campanha política contra os imigrantes e requerentes de asilo que, diante de chegadas em diminuição e perfeitamente sustentáveis em um quadro de solidariedade europeia, exaspera e dramatiza a debate público. Apelamos às igrejas irmãs da Europa - concluem os evangélicos italianos – para que acolham cotas de requerentes de asilo e exortem seus governos a promover políticas de compartilhamento dos fluxos migratórios num quadro de solidariedade e de responsabilidades compartilhadas".

A íntegra do Manifesto, em italiano, está disponível aqui

Nota:

[1] Operador FCEI-Mediterranean Hope.

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