Peru. Promotoria solicitou documentação para a investigação do cardeal Cipriani

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10 Agosto 2018

Caso Sodalício. Ministério Público investiga Juan Luis Cipriani e outras três pessoas por acobertamento. Buscam saber o que aconteceu com as denúncias de abuso contra menores que chegaram à Igreja. Vítimas aguardam que o Poder Judiciário programe audiência de prisão preventiva contra Luis Figari.

A reportagem é publicada pelo jornal peruano La República, 08-08-2018. A tradução é do Cepat.

A 25ª Promotoria Provincial Penal de Lima solicitou documentação à Conferência Episcopal Peruana (CEP) no marco da investigação aberta a respeito do cardeal Juan Luis Cipriani pelo suposto crime de acobertamento no caso Sodalício.

Segundo um ofício da Promotoria, pediu-se “com caráter de urgência” o comunicado da CEP, difundido no último dia 1º de junho, no qual se aponta que não é absoluta a proibição para que Luis Figari, fundador do Sodalício de Vida Cristã, volte ao Peru.

Se no futuro surge a necessidade de que Luis Figari regresse ao Peru para prestar contas à justiça, seu regresso poderá ser autorizado, lê-se no comunicado.

A Conferência Episcopal destacou que a permanência de Figari na Itália só tinha como objetivo evitar que cause mais danos aos crentes católicos no país.

Na mira da Promotoria também estão Víctor Huapaya, vigário judicial e presidente do Tribunal Eclesiástico da Arquidiocese de Lima; Enrique Elías Dupuy, procurador do Sodalício de Vida Cristã; e Alessandro Moroni, superior geral do Sodalício de Vida Cristã.

Todos eles são investigados pelo suposto cometimento dos crimes de acobertamento pessoal e real, obstrução à justiça e omissão de denúncia, assim como contra a liberdade sexual, na qualidade de cúmplices.

Segundo La República apurou, a Conferência Episcopal fez a entrega do documento dentro do prazo estabelecido pelo Ministério Público.

Tentamos nos comunicar com o cardeal Juan Luis Cipriani, mas até o fechamento desta edição não se obteve uma resposta da autoridade eclesiástica.

Pesquisas

Em 2016, o promotor superior Carlos Villalta Infante ordenou que fosse aberta uma investigação preliminar pelo acobertamento, com a finalidade de conhecer o que a Igreja católica fez diante das denúncias de abusos sexuais contra menores que lhe foram reportadas.

O Instituto de Defesa dos Direitos do Menor denunciou, em 2015, que Juan Luis Cipriani, em sua qualidade de moderador do Tribunal Eclesiástico, foi informado de que quatro pessoas teriam sofrido agressões sexuais, quando eram menores de idade, por parte de Luis Figari Rodrigo e outros membros do Sodalício, e que não teria feito nada a respeito.

Segundo apontaram, as quatro denúncias identificadas que chegaram ao Tribunal Eclesiástico entre 2011 e 2013 foram remetidas à Santa Sé e não à Promotoria.

O Ministério Público arquivou o caso sustentando que Cipriani não tinha a “obrigação de conhecer o teor ou conteúdo das quatro denúncias apresentadas pelos integrantes do Sodalício de Vida Cristã contra Luis Fernando Figari”.

É diante da apelação da instituição que denunciou que o promotor superior dispõe de uma investigação contra Cipriani e as outras três pessoas.

Deve-se destacar que outra Promotoria está investigando os abusos sexuais e psicológicos que se deram contra menores de idade por parte de membros do Sodalício de Vida Cristã.

Proteção

Após a publicação do livro Mitad monjes, mitad soldados, que apresenta depoimentos de ex-sodálites que sofreram abuso sexual, o cardeal Juan Luis Cipriani procurou proteger Luis Figari ao expressar que não se deveria adiantar uma opinião sobre o caso.

Em seu programa de rádio Diálogo de Fé, Cipriani afirmou que o fundador do Sodalício não deve ser condenado “sem o deixar se defender”.

“Não podemos dizer expulsão porque não temos a certeza da culpabilidade, mas, sim, o afastamento pelo bem da instituição”, declarou o cardeal após ter sido difundido os graves depoimentos.

Juan Luis Cipriani também fez um chamado para não se estigmatizar o Sodalício pelas denúncias contra Figari.

“Tenho a obrigação de salvar a honra e a imagem de muitos membros que fazem um bom trabalho. Nem todos podem estar sob o estigma de que é uma instituição que está podre”, manifestou.

“O superior geral dos sodalícios precisa intimar Figari a dar a cara e falar”, acrescentou.

Figari continua vivendo nas redondezas da Itália.

Intervenção

Este ano, antes de visitar nosso país, o Papa Francisco anunciou sua decisão de intervir no Sodalício, diante das numerosas denúncias de abusos contra menores.

“O Papa demonstrou estar particularmente atento à gravidade da informação relativa à normativa interna, a formação e a gestão econômica e financeira, pelo que instou a Congregação a ter atenção. A isto se acrescentou, recentemente, a série de medidas adotadas pela autoridade judicial peruana contra o senhor Luis Fernando Figari”, apontou o Vaticano.

A Santa Sé nomeou o bispo colombiano Noel Antonio Londoño Buitrago para o cargo de comissário apostólico do Sodalício.

A medida tomada pelo Pontífice permitirá que o bispo intervenha em todas as decisões que a organização tomar.

Não fixam data para audiência desde dezembro

- As vítimas de abuso sexual, físico e psicológico do Sodalício de Vida Cristã se encontram à espera de que a justiça programe uma audiência para avaliar o pedido de prisão preventiva contra os sodálites Luis Figari, Virgilio Eugenio Levaggi Vega, Jeffery Stewart Daniels Valderrama e Daniel Bernardo Murguia Award.

- A solicitação da promotora María León Pizarro, da 18ª Promotoria Penal Provincial de Lima, foi apresentada em dezembro e até a data não se programou a audiência.

- A decisão está nas mãos da juíza Fernanda Ayasta, do 25º Juizado Penal da Corte Superior de Justiça de Lima.

- O pedido de prisão preventiva está relacionado aos supostos crimes de associação ilícita para delinquir e lesões psicológicas graves.

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