Parte da Amazônia pode deixar de ser floresta, afirma estudo

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13 Julho 2018

Pesquisador diz que se o desmatamento não parar, boa parte da floresta será substituída por uma savana tropical, ‘um cerrado bem degradado’.

A reportagem é publicada por Jornal Nacional, 11-07-2018. 

Um estudo sobre o desmatamento na Amazônia concluiu que a derrubada da floresta em algumas áreas está quase chegando a um nível irreversível.

Difícil saber quem começou e impossível prever onde vai terminar um incêndio assim, na beira de uma rodovia, na cidade de Ariquemes, em Rondônia. A fumaça encobre tudo, e o motociclista desiste de seguir viagem.

Depois de controlar o fogo, o que fica é um cenário cinzento. Por pouco, as chamas não chegaram até a casa de Antônio. “As nossas coisas já são poucas né? Aí fiquei com medo. São 22 anos morando nesse lugar. Todo ano é assim”, conta Antônio.

Mesmo sendo crime ambiental, que prevê multas e até prisão, a queimada ainda é muito comum na região Norte. No campo, é uma prática antiga, que serve de preparo da terra para o novo plantio. O clima e a vegetação secos e o calor nessa época facilitam a propagação das chamas. Só em uma área, em um único dia, três quilômetros de vegetação foram destruídos.

Uma pesquisa divulgada numa das principais revistas científicas do mundo, a “Science Advances” concluiu que se o desmatamento atingir de 20% a 25% da Floresta Amazônica, boa parte da Amazônia pode deixar de ser floresta. Hoje, a área derrubada corresponde a 18%.

Um dos responsáveis pelo alerta é o pesquisador brasileiro Carlos Nobre: “Se não conseguirmos parar esse processo, existe um enorme risco de boa parte da Floresta Amazônica não existir no futuro. Ela será substituída por uma savana tropical, um cerrado, mas bem degradado”, afirma Carlos.

A pesquisa chega a mesma conclusão de outro levantamento feito pelo Sistema de Proteção da Amazônia. O Sipam vem acompanhando, desde 2007, os mananciais, rios que abastecem cidades de Rondônia, e tem sentido reflexos no armazenamento de água da chuva no subsolo.

“É do subsolo, a vazão mínima, o escoamento de base, que a gente espera essa recarga para os rios, e o que a gente tem avaliado nesses estudos que avaliam os mananciais de abastecimento é que essa vazão ela está sendo cada vez menor. Ela está sendo impactada. Esse impacto, nós temos buscado, consequência ou motivação justamente no desmatamento”, explica Ana Strava, assessora operacional Sipam/RO.

“O agricultor tropical tem que parar de usar o fogo como ferramenta nas suas atividades. O fogo na agricultura ele passa para a floresta, e ele está fazendo com que a floresta fique muito vulnerável”, diz Carlos.

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