Nicarágua. Daniel Ortega, o "revolucionário anti somoza" que acabou por conduzir uma política repressiva como aquela de seu inimigo, Anastásio Somoza

Revista ihu on-line

China, nova potência mundial – Contradições e lógicas que vêm transformando o país

Edição: 528

Leia mais

Ore Ywy – A necessidade de construir uma outra relação com a nossa terra

Edição: 527

Leia mais

Sistema público e universal de saúde – Aos 30 anos, o desafio de combater o desmonte do SUS

Edição: 526

Leia mais

Mais Lidos

  • Esse triste silêncio dos 50 milhões de jovens brasileiros

    LER MAIS
  • Bolsonaro, ou: Quem lança mão da espada, pela espada perecerá (Mt 26, 52)

    LER MAIS
  • Quem são os bolsonaristas convictos, segundo o Ibope

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

11 Julho 2018

Na segunda-feira, dia 09 de julho, na Nicarágua, na pequena cidade de Diriamba, a 41 km a oeste da capital Manágua (no departamento de Carazo), estiveram presentes o Arcebispo de Manágua, Cardeal Leopoldo Brenes, seu auxiliar, Silvio Báez e o novo Núncio, Mons. Waldemar Stanislaw Sommertag. O propósito era idêntico àquele que os bispos, no passado, pretendiam mostrar visitando outras localidades, ou seja, expressar fisicamente solidariedade e proximidade ao povo da Nicarágua, aos fiéis de diferentes denominações cristãs, ao clero e às religiosas, aos colaboradores da Cáritas e aos tantos leigos comprometidos, todos vítimas de agressões violentas e ferozes por parte dos bandos armados do presidente da República Daniel Ortega e da vice-presidente, sua esposa, a poetisa Rosario Murillo.

O comentário é de Luis Badilla, jornalista, publicado por Il Sismografo, 10-07-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Mais uma vez os bispos presentes na cidade de Diriamba-Carazo  foram atacados por grupos que se denominam "jovens sandinistas defensores da revolução", espancados, empurrados, ameaçados de morte e insultados com palavras de ordem do governo tão caras a Ortega e sua esposa "vermes ao serviço do imperialismo, agentes de Trump, traidores da Pátria". Aliás, como foi relatado, grande parcela destas ações dos "novos revolucionários orteguistas" foram realizadas no interior na Basílica de São Sebastião, onde a delegação episcopal tentou encontrar refúgio.

Dias atrás, Ortega deu a esperada resposta ao pedido da igreja local e das entidades sociais que haviam proposto de antecipar para março de 2019 as eleições presidenciais com o objetivo de dar um desenlace legítimo e democrático para a crise que em quase três meses custou a vida a mais de 300 nicaraguenses, especialmente jovens e trabalhadores.

Em um comício, com tom cansado, mas agressivo, Ortega disse "não" voltando a reiterar que pedir eleições antecipadas é "golpismo". Em outras palavras: sou eu quem decide se, quando e como dar voz ao povo para que decida livremente. Isso equivale ao exato oposto do que ele disse em sua longa vida política de mais de meio século. Hoje, Ortega, deste povo, do seu povo, não confia, e certamente tem boas razões.

Ele que já foi o "mítico Comandante Ortega" agora está reduzido a uma trágica e triste máscara do ditador Anastásio Somoza contra o qual, anos atrás, lutou com as armas até sua derrubada para depois, neste segundo período na liderança do governo, se desfazer de modo brutal de todos os seus ex-companheiros de luta, e afundar gradualmente no apego patologicamente autorreferencial que fez dele, hoje, um pequeno ditador sanguinário não muito diferente do seu arqui-inimigo Somoza. Não é apenas o "sonho sandinista" que morre como um pesadelo horroroso, mas também a triste parábola de um revolucionário que acaba por seguir os passos de seu inimigo, quase o imitando nas pequenas e nas grandes coisas.

A operação baderneira de ontem em Diriamba-Carazo não é nova na história da Nicarágua. Ataques e intimidações deste tipo eram uma técnica da ditadura dos Somoza, família dinástica que governou e controlou a Nicarágua de 1934 até 17 de julho de 1979, o dia em que os guerrilheiros da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), liderados por Daniel Ortega e outros, encerraram para sempre um dos períodos históricos centro-americanos mais dolorosos e humilhantes.

A dinastia governou primeiro com Anastásio Somoza García (1937-1947), que mais tarde voltou ao poder entre 1950 e 1956. Depois, foi a vez de Luis Somoza Debayle (1956-1963), e Anastásio Somoza Debayle (1967-1972 e 1974-1979).

Os Somoza, na parte final do seu domínio, identificaram na igreja um alvo estratégico, em especial na figura do então arcebispo e mais tarde cardeal, que morreu recentemente, Miguel Obando Bravo. E, como anos atrás, novamente hoje é para a igreja católica nicaraguense que se apontam as armas, quase da mesma maneira que vimos agora na localidade de Diriamba.

Um velho script que na história da América Latina se repete ininterruptamente, e volta a ser visto periodicamente como um rio cársico. Mas agora os anticorpos existem e são fortes.

Veja os vídeos das agressões aos membros da igreja:

 

 

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Nicarágua. Daniel Ortega, o "revolucionário anti somoza" que acabou por conduzir uma política repressiva como aquela de seu inimigo, Anastásio Somoza - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV