Solenidade de São Pedro e São Paulo - Ano B - Representantes da humanidade que crê e espera em Deus

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Por: MpvM | 29 Junho 2018

"Pedro e Paulo representam a humanidade que crê e espera em Deus uma humanidade que vive uma história conturbada e amedrontadora, ameaçada pelos Herodes de ontem e de hoje.

Esta humanidade crente e agente constitui a pedra firme que sustenta a Igreja e que não permite que os muitos Herodes a destruam. Pedro, que hoje é Francisco, lidera o Povo de Deus, ajudando-o a discernir e a escolher a fidelidade em detrimento da tentadora traição, traição possível porque gerenciada pelo medo e pela autorreferencialidade: 'não conheço esse homem' ”.

A reflexão é da teóloga leiga Maria Inês de Castro Millen, graduada em Medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora, MG (1971) e em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-Rio (1992), mestre em Ciências da Religião pela Universidade Federal, de Juiz de Fora, MG (1997) e possui doutorado em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-Rio  (2003). Atualmente é ouvidora e assessora pedagógica do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora e professora titular no curso de Teologia do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora. Tem experiência na área de Medicina, com ênfase em Ginecologia e Obstetrícia, atuando principalmente nos seguintes temas: moral fundamental, moral social, moral sexual conjugal e familiar, bioética e antropologia teológica.

Referências Bíblicas
1ª Leitura – At 12,1-11
Salmo 33(34)
2ª Leitura – 2Tm4,6-8.17-18
Evangelho – Mt 16, 13-19

A liturgia de hoje pede que voltemos nosso olhar para Pedro e para Paulo, dois apóstolos, seguidores de Jesus, colunas de uma Igreja que tem como tarefa primordial sinalizar o Reino de Deus que se faz presente entre nós. A Palavra que nos é proposta nos convida a refletir sobre nosso modo de ser Igreja, Povo de Deus a caminho.

O Evangelho (Mt 16, 13-19) nos fala de Simão Pedro. Quem é mesmo este homem? Pedro é aquele pescador que foi pessoalmente chamado por Jesus. Foi convidado a ir com ele, a sair da sua situação inicial e a começar um caminho novo, a partir do modo mesmo como ele se encontrava. Jesus não fez nenhuma exigência a Pedro, apenas o convidou: Venha! E ele foi. Pedro é humano, frágil, capaz do bem e do mal, capaz de trair e de ser fiel, mas, sobretudo capaz de se deixar cativar pelo Amor, capaz de crer no Amor e, por isso, capaz de seguir amando, mesmo em meio aos muitos conflitos.

A segunda leitura (2Tm4,6-8.17-18) nos fala de Paulo, nos momentos finais de sua caminhada. Ele também viveu momentos difíceis e precisou mudar de rota ao conhecer Jesus. De defensor intransigente da lei, capaz de matar por causa dela, se tornou um outro combatente ao assumir o bom combate, aquele que privilegia, na fé, por amor, a vida das pessoas.

A primeira leitura (At 12,1-11) nos apresenta Herodes, uma autoridade daquele tempo que exerce seu poder, em nome dos romanos, pelo medo, pela coação, pela perseguição, pela tortura, pela morte de muitos. Acostumado a tirar de seu caminho quem o incomodasse, agia em nome da ordem e da lei.

Os Herodes de hoje vivem por aí. Ainda prendem, torturam e matam de muitas formas. São sempre intolerantes e donos da verdade. Revestidos de poder, representam o anti-Reino e precisamos crer que não podemos vencê-los sozinhos.

Três personagens que podem e devem ser atualizados.

Pedro e Paulo representam a humanidade que crê e espera em Deus uma humanidade que vive uma história conturbada e amedrontadora, ameaçada pelos Herodes de ontem e de hoje.

Esta humanidade crente e agente constitui a pedra firme que sustenta a Igreja e que não permite que os muitos Herodes a destruam. Pedro, que hoje é Francisco, lidera o Povo de Deus, ajudando-o a discernir e a escolher a fidelidade em detrimento da tentadora traição, traição possível porque gerenciada pelo medo e pela autorreferencialidade: “não conheço esse homem”.

O salmo canta o que eles, Pedro e Paulo, souberam e cantaram no seu coração fortalecido pela fé e pela esperança.
Nós somos chamados a cantar com eles, confiando sempre: “de todos os temores me livrou o Senhor”. “Bendirei o Senhor Deus em todo o tempo, seu louvor estará sempre em minha boca. Minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem!”

Assim cremos: O Senhor está ao nosso lado e nos dá forças. É ele que faz com que a mensagem seja anunciada por nós e ouvida por todos. Ele nos liberta de todo o mal e nos salva.

Crendo nisto vamos seguindo, com o olhar fixo em Jesus, confessando com a nossa vida, a cada vez: Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.
Confessar Jesus, pela inspiração que vem do alto, é a nossa garantia, é o remédio contra todo medo e angústia, contra todo imobilismo, contra toda idolatria.

Papa Francisco nos disse certa vez: “Quem confessa Jesus, sabe que está obrigado não apenas a dar conselhos, mas a dar a vida; sabe que não pode crer de maneira tíbia, mas é chamado a ‘abrasar’ por amor; sabe que, na vida, não pode ‘flutuar’ ou reclinar-se no bem-estar, mas deve arriscar fazendo-se ao largo, apostando tudo, dia a dia, na oferta de si mesmo”.

Para que isto aconteça não podemos perder a referência da oração. É ela que nos conecta a Deus, que nos salva da inviável solidão, e por isso nos sustenta e nos capacita a superar o medo e as provações. É ela que nos permite avançar nos momentos de escuridão, porque acende para nós a luz que é Deus, que ilumina nossas vidas e nossas errâncias.

Rezar é entregar a Deus nossos caminhos para que as muitas correntes que nos aprisionam, oprimem e paralisam possam ser cortadas e que, uma vez livres, possamos, sem medo, amar e nos entregar aos que de nós precisam com maior entusiasmo e amor. A oração é a força que nos une, é a ponte estendida entre o céu e a terra.

Que o anjo do Senhor acampe ao nosso redor, que nos cure e nos salve e assim possamos provar quão suave é este Senhor. Na leveza de seu amor sigamos, com o olhar iluminado e as mãos sempre abertas, na coragem dos que não se acomodam porque esperam sempre em Deus.
Amém!

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