Nicarágua. Carta urgente de Ernesto Cardenal

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22 Junho 2018

"O mundo deve saber e se pronunciar a respeito do que está ocorrendo na Nicarágua: uma verdadeira crise de direitos humanos e terrorismo de Estado", afirma Ernesto Cardenal, poeta e padre nicaraguense, em carta publicada por Página/12, 21-6-2018. A tradução é de Wagner Fernandes de Azevedo.

Eis a carta.

Reconhecendo que você é um defensor dos direitos humanos, da luta pela dignidade e fonte de inspiração para toda América Latina, a juventude e o povo que luta nas ruas da Nicarágua, necessitamos que some sua voz à nossa causa que é digna e justa.

Desde abril de 2018, os jovens nicaraguenses voltaram às ruas para clamar por democracia e liberdade. Estão cumprindo a profecia de um dos principais artífices da cruzada nacional de alfabetização na Nicarágua, o padre Fernando Cardenal, quem nunca se cansou de assegurar que assim ocorreria. Lamentavelmente, o ímpeto e determinação da juventude foram respondidos com a mais violenta repressão governamental que esse país viu em sua história.

Em 19 de abril, há dois meses, o governo de Daniel Ortega e Rosário Murillo tirou a vida do primeiro de mais de 180 nicaraguenses, em sua maioria jovens e inclusive crianças. Há mais de 1500 feridos, muitos desaparecidos e presos políticos. Esses números aumentam cada dia que Ortega segue no poder.

No sábado 16 de junho, uma família completa foi calcinada em um incêndio provocado pelos esquadrões da morte do regime, em represália por não permitir franco-atiradores entrarem em sua casa para dali matar aqueles que protestavam nas ruas.

Apesar da repressão, a mobilização cidadã se mantém forte, obrigando Daniel Ortega e Rosario Murillo a se sentarem em um diálogo nacional com interlocutores para além do grande capital. Pela primeira vez, em onze anos, tiveram que se sentar com estudantes universitários, movimento campesino e a sociedade civil.

A estratégia do regime orteguista foi estancar o diálogo para desatar sua estratégia de terror nas ruas. Ainda é incerto se o diálogo nacional poderá dar resposta ao clamor popular que demanda que saiam imediatamente do poder e que haja justiça.

A pressão popular também permitiu que realizasse uma visita de trabalho da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), cujo informe preliminar coincide com o informe da Anistia Internacional a respeito das graves violações aos direitos humanos ocorridas na Nicarágua nas mãos do regime orteguista. Ambos organismos conseguiram documentar o uso excessivo da força e da violência por parte dos corpos de segurança do Estado e forças de choque paramilitares armadas, incluindo franco-atiradores que lançaram disparos mortais a muitíssimas vítimas, incluindo o jornalista Angel Gahona e várias crianças.

Ortega e Murillo não podem seguir encontrando legitimidade nos movimentos de esquerda, aos quais traíram com seus atos sem escrúpulos. Os heróis e mártires da revolução sandinista não merecem que sua memória seja manchada por atos genocidas de um ditador que os traiu. As vítimas de Ortega e Murillo merecem justiça.

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