Universidades católicas. Teólogos questionam uso de corpo docente terceirizado

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13 Junho 2018

A teóloga Claire Bischoff estava nervosa para falar a seus colegas na convenção da College Theology Society, mas não era estado normal de frio na barriga.

Para ela, trabalhar como membro adjunto do corpo docente significa viver em constante estado de ansiedade, medo e vigilância para não perder seu emprego.

"Eu coloquei tanta energia em permanecer empregada", disse Bischoff. "Eu estou sempre esperando o próximo golpe."

A reportagem é de Heidi Schlumpf, publicada por National Catholic Reporter, 12-06-2018. A tradução é de Victor D. Thiesen.

Bischoff compartilhou suas experiências na sessão plenária sobre "The Crisis of Contingent Faculty in U.S. Higher Education” (Crise do Docente Terceirizado no Ensino Superior Americano) da convenção anual da College Theology Society, que se reuniu entre 31 de maio e 03 de junho na Universidade St Catherine, em St. Paul.

Embora detenha uma posição de um ano no St Catherine, Bischoff trabalhou como adjunta durante seis anos em duas instituições. Ela descreveu como ser um membro terceirizado do corpo docente foi uma crise espiritual para ela, levando-a a interiorizar um sentimento de ser "inferior" e a impedindo de ter relacionamentos autênticos com seus alunos ou colegas.

A hipervigilância que vem junto com a proximidade do desemprego também não significava "pouco ou nenhum espaço para sentir Deus em nossas vidas", disse ela.

"Docente terceirizado" se refere a qualquer professor não-titular que não possui segurança de emprego ou proteções para exercer liberdade acadêmica. Eles incluem adjuntos, pós-docs, assistentes, parciais, conferencistas e instrutores.

Estima-se que 70% de todos professores do ensino superior, incluindo alunos de pós-graduação que dão aulas — são contingentes, disse Gerald Beyer, professor de teologia e estudos religiosos na Universidade de Villanova na Pensilvânia.

Embora dados sobre universidades e faculdades católicas sejam difíceis de confirmar, Beyer acredita que espelham a tendência nacional de um movimento em direção à docência terceirizada, o que é "particularmente problemático", dado o ensinamento da Igreja sobre a dignidade dos trabalhadores, um salário só, o direito a cuidados de saúde e outros benefícios, disse ele.

"Se não vamos praticar, não precisamos ensinar também", disse Beyer em relação da doutrina social católica sobre o trabalho. "Muitas de nossas instituições são boas em promover justiça somente do muro para fora."

A média dos professores terceirizados nos EUA ganha menos de US $3.000 por classe e não recebe benefícios. Mesmo com uma alta carga de oito cursos por ano, o salário anual só chegaria a $24,000. Contudo, para um terceirizado ganhar isso, teria que trabalhar em mais de uma instituição, o que significaria fazer viagens para chegar de uma a outra.

Consequentemente, quase um terço do corpo docente de tempo parcial vive perto ou abaixo da linha de pobreza federal, enquanto só um quarto recebe Medicaid (programa de saúde social, ndt) ou vale-alimentação, disse Beyer.

Ao mesmo tempo, o aumento da remuneração para cargos executivos em faculdades e universidades é "surpreendente", disse ele, compartilhando dados sobre salários presidenciais em instituições católicas e como são desproporcionalmente altos em comparação com os próximos salários nas instituições.

Por exemplo, o antigo presidente da Universidade de Dayton, Daniel Curran, teve uma remuneração total de US$ 2,4 milhões em 2015.

Enquanto isso, Steve Werner tem tentado ganhar a vida como professor adjunto de teologia por 28 anos e "não sendo bem-sucedido", disse ele. "Você não consegue sobreviver da remuneração de adjunto."

Enquanto, um professor titular ensinaria, no máximo, cerca de 200 cursos em 25 anos, Werner ensinou 527. Em um semestre, ele tinha 13 classes. "Você faz o que precisa fazer", disse ele.

Adjuntos são mais baratos, podem ser acionados facilmente, e "existe um excesso de oferta", disse Werner, explicando a tendência.

Alguns professores titulares na plateia manifestaram a importância da honestidade com estudantes de doutorado sobre o mercado extremamente apertado.

Beyer levantou uma questão mais espinhosa: corte solidário de salários. Quando há crises de orçamento, aqueles que ganham mais — incluindo cargos administrativos — têm seus salários cortados proporcionalmente mais.

Claro, alguns professores titulares querem proteger o que têm, Beyer disse, mas isso levanta questões morais e éticas.

Na Universidade de St Catherine, quando a administração mandou cortar uma posição integral do departamento de teologia, Bischoff foi a primeira a sair.

Mas em vez disso, todos no departamento fizeram sacrifícios — aceitaram mais alunos em suas aulas, ou desistiram de uma aula para assumirem funções administrativas ou de pesquisa — para que ninguém perdesse seu emprego. O trabalho de tempo integral de Bischoff se transformou em dois turnos, mas ela continua empregada.

Esse ato de solidariedade demonstra o poder do amor sobre o medo e a capacidade de uma comunidade de sacrificar para o bem comum, disse ela.

"Pelos padrões do mundo, nós não demos um golpe certeiro na crise americana de docentes terceirizados. Podemos ter conseguido um ano a mais de trabalho para alguns aqui no St Catherine", disse ela. "Ainda assim, pelos padrões da espiritualidade católica, a solidariedade daqueles que fizeram sacrifícios fez toda a diferença no mundo."

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