Testemunhas de esperança. Entrevista com Olav Fykse Tveit

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13 Junho 2018

O estado do diálogo ecumênico e a iminente visita do Papa Francisco a Genebra são alguns dos temas que o pastor luterano Olav FykseTveit, secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), abordou em uma entrevista para o L'Osservatore Romano.

A entrevista é de Riccardo Burigana, publicada por L'Osservatore Romano, 11/12-06-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis a entrevista.

Qual foi o impacto da oração ecumênica de Lund em 31 de outubro de 2016?

A reunião Lund foi um marco no diálogo ecumênico: definiu o tom para um ano de comemoração e de reconciliação, a ponto de ser um ponto de referência para os muitos encontros que animaram 2017. Eu mesmo experimentei o quanto estava presente a oração ecumênica de Lund, guiada pelo Papa Francisco e pelo bispo luterano Munib, nos encontros em que participei em comemoração aos quinhentos anos do início da Reforma. Isso aconteceu porque a oração de Lund não foi um momento de diálogo entre católicos e luteranos, mas foi pensada para o mundo inteiro, propondo uma leitura compartilhada sobre a Reforma da Igreja do XVI século. Com a sua própria celebração, foi colocada a questão de onde está o caminho ecumênico, abrindo uma reflexão sobre os percursos e modelos de unidade à luz do que foi feito nas décadas anteriores.

Como está indo o programa Pilgrimage of Justice and Peace (Peregrinação da Justiça e da Paz)? E quando será anunciado o tema e local da próxima assembleia do Conselho Mundial de Igrejas?

Quando em Busan, em 2013, na última assembleia geral do CMI, foi decidido promover o programa Pilgrimage of Justice and Peace, ficou claro que esse era muito mais do que um simples programa; com isso, pretendia-se indicar o que o CMI queria fazer à luz de sua história e do presente caminho ecumênico. Para isso, desde os primeiros passos, o programa foi sendo articulado em uma série de iniciativas que queriam promover e aprofundar o testemunho ecumênico na missão, no diálogo entre as religiões, na diaconia, na educação, na construção da paz e na defesa dos direitos humanos, especialmente entre os marginalizados. Sem querer fazer um balanço desse programa, deve-se dizer que, por um lado, não foi fácil para muitos membros definir em uma perspectiva ecumênica, o termo "peregrinação", pela sua história e seu significado; por outro lado, foi uma experiência particularmente significativa, pois, em muitos lugares, juntos, os cristãos descobriram o que Deus pede para viver a unidade. Buscar a justiça e a paz não é um programa político; é uma questão de viver os valores cristãos com os quais superar os conflitos. Precisamente por isso, a Pilgrimage of Justice and Peace tem uma dimensão ecumênica, mas não se limita à participação dos cristãos; está aberta a homens e mulheres de boa vontade que são sempre bem-vindos. Quanto à próxima assembleia geral, o tema e o local serão decididos na próxima reunião do Comitê Central do CMI.

Qual é a posição do Conselho Mundial de Igrejas sobre o envolvimento do movimento ecumênico no diálogo entre as religiões?

O envolvimento do movimento ecumênico no diálogo interreligioso não está em questão; essa é uma decisão que o CMI já tomou anos atrás. Nos últimos tempos, foi percebida a necessidade de reafirmar essa decisão, também à luz do clima que foi criado. É por isso que o CMI quis reiterar o papel fundamental que as religiões desempenham na construção da paz; multiplicaram-se as reuniões para fortalecer o compromisso com a paz. Sobre esse aspecto, há uma grande sintonia com a Igreja católica, como testemunham, entre outras coisas, os frequentes e contínuos contatos com o Pontifício Conselho para o Diálogo Interreligioso. Com o Papa Francisco nós compartilhamos esse compromisso em Assis, relançando a ideia de que para os cristãos é um dever construir a paz: o amor de Cristo exorta os cristãos a serem construtores da paz, como fala o apóstolo Paulo muito claramente.

O que acha do papel do Papa Francisco no caminho ecumênico?

Ao responder a essa pergunta, gostaria de distinguir dois níveis: o da igreja luterana e o do CMI. Como pastor luterano, vejo em Francisco um "colega" apaixonado pela anunciação do Evangelho, como demonstram as suas palavras e gestos, que tanto ajudam a entender como os cristãos devem viver a palavra de Deus, colocando-se ao serviço dos mais necessitados do mundo. Como secretário-geral do CMI, tenho que reconhecer que o trabalho para a unidade Papa Francisco é um encorajamento para lembrar que devemos fazer juntos tudo o que podemos, prosseguindo no caminho que já compartilhamos há anos naquela dimensão global, que é uma das peculiaridades do diálogo ecumênico. Devemos definir uma agenda para os próximos anos que nos permita viver cada vez mais a unidade, enfrentando também as questões que ainda dividem os cristãos, como o Papa Francisco tantas vezes vem recomendando. Nessa fase do caminho ecumênico pode ser útil manter em mente o modelo da Trindade para compreender a unidade que deve conduzir os cristãos a um maior compartilhamento, graças a uma plena participação na peregrinação ecumênica.

Qual é o significado da visita iminente do Papa a Genebra?

Essa visita é um dos frutos do caminho ecumênico, entre Roma e Genebra, que iniciou várias décadas atrás; é um momento muito importante nessa jornada, uma etapa, certamente não um ponto de chegada, porque há tantos temas que somos chamados a aprofundar, no nível local, nacional e global, tais como a proteção da criação, a construção da paz, a educação para o diálogo dos jovens, a justiça econômica, só para lembrar alguns, em uma agenda que queremos levar adiante para promover um compartilhamento cada vez mais pleno. Essa visita também tem uma dimensão espiritual: no abraço entre irmãos testemunha-se aquele amor de Deus que é o impulso para o diálogo ecumênico, que nasce do encontro; o caminho ecumênico tem uma dimensão teológica, cultural e histórica, mas é, sobretudo, o encontro dos irmãos na luz de Cristo. Essa dimensão espiritual enriquece o nosso caminho e é uma mensagem para todos os cristãos do mundo, que são chamados a viver o compartilhamento, a partir do encontro com o outro, que é o encontro com Deus.

Como vê o futuro do diálogo ecumênico entre Genebra e Roma?

Espero que possamos encontrar mais e mais oportunidades de trabalhar juntos, para rezar juntos, para caminhar juntos. O CMI e a Igreja Católica, mesmo com suas profundas diferenças, devem ser vozes e testemunhas de esperança para o caminho ecumênico e no mundo, de modo a contribuir, como tentam fazer há mais de 50 anos, juntos, a cultivar a esperança de viver a unidade, a partir do amor e do cuidado que um tem pelo outro, de modo a tornar cada vez mais forte a anunciação da palavra de Deus.

Devemos fazer isso, somos chamados a fazê-lo, não para nós mesmos, mas por obediência às palavras de Jesus Cristo que nos pede para nos colocarmos a serviço um do outro para proclamar o seu amor pelo mundo.

O que gostaria de dizer aos leitores do Osservatore Romano?

Eu gostaria de pedir que orem pelo CMI, pela visita do Papa, pelo caminho ecumênico que deve envolver sempre mais os cristãos, para que possamos viver juntos, com criatividade, com alegria e com eficácia, a vocação cristã de sermos construtores do Reino de Deus na terra, peregrinos da justiça e da paz.

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