Chile. A carta que avisou sobre o papel dos jesuítas na diocese de Juan Barros

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16 Maio 2018

A carta enviada por um grupo de sacerdotes locais ao provincial da Companhia de Jesus no Chile questionava principalmente o papel que Germán Arana, amigo do Papa, teria tido após a nomeação do bispo de Osorno.

A reportagem é de Carla Pía Ruiz e Carlos Reyes, publicada por La Tercera, 14-05-2018. A tradução é de André Langer.

“Como sacerdotes diocesanos, recebemos queixas e reclamações de alguns pais e professores, bem como de alunos e ex-alunos do Colégio São Mateus, sobre a falta de ação, de compromisso e de uma posição definida por parte dos membros da comunidade jesuíta local sobre a questão da presença e permanência do bispo Barros em Osorno”.

Este é um trecho da carta que, em 25 de maio de 2016, um grupo de sacerdotes da diocese de Osorno enviou ao provincial da Companhia de Jesus no Chile, Cristián Del Campo Simonetti, SJ. O documento de três páginas foi assinado pelos padres Peter Kliegel, Américo Vidal, Enrique Hernández, Maurício Paredes e Oscar Escobar, além de sete diáconos permanentes da diocese.

Esses religiosos abordaram na carta “algumas situações que nos chamaram muito a atenção e achamos necessário fazê-las chegar seu conhecimento”, sobre o papel que até aquela data tiveram alguns membros jesuítas após a nomeação do bispo Juan Barros.

De acordo com esses sacerdotes, depois da chegada de Barros à diocese, “veio um padre jesuíta, de sobrenome Arana, convidado ou induzido não sabemos por quem, para participar da reunião do Colégio de Consultores, na segunda-feira, 23 de março de 2015, que tomou voz em nome do Santo Padre, sem mostrar as credenciais oficiais, reprovando a atitude do clero e da população de Osorno em relação a dom Barros. Atitude que o padre Arana descreveu, entre outras coisas, como ‘péssima’”.

Eles acrescentaram que “esse mesmo sacerdote, naquela ocasião, nos tratou de maneira muito pouco prudente, para dizer o mínimo. Ele nos tratou como crianças e nos passou um sermão até não poder mais com frases, tais como: ‘quem vocês acham que são?’, etc. Evidenciava claramente raiva diante do que acontecia em Osorno (protestos, palavras de ordem públicas contra o bispo, envio de cartas às autoridades eclesiásticas, etc.). Consideramos que não é justo ou bem visto que uma pessoa fora da diocese se imiscua em assuntos de nossa Igreja local que não lhe dizem respeito”.

Os religiosos de Osorno estavam se referindo ao jesuíta e grande amigo do Papa, Germán Arana. Ele teria desempenhado um papel crucial na manutenção da nomeação de Barros como bispo de Osorno. Ele também é apontado como um dos principais responsáveis pela “má informação” que Francisco recebeu sobre as acusações contra o prelado.

Os religiosos detalharam, além disso, que “no sábado, 7 de novembro de 2015, o padre Larry Yévenes veio para um dia de reflexão com o movimento de leigos e leigas de Osorno. Além disso, ouvimos declarações do padre Felipe Berríos apoiando a posição dos fiéis e sacerdotes que são contrários à nomeação de dom Barros. O que estamos dizendo? Não é isso uma contradição? Isso leva a comunidade de Osorno e a comunidade educativa do Colégio São Mateus a uma enorme confusão, contraste e comportamento errático dos membros da Companhia de Jesus de Osorno por não serem claros, precisos e transparentes sobre essa questão”.

Conforme detalharam, essa situação fez com que muitos membros da comunidade sentissem “que foram abandonados pela Companhia de Jesus e que fez muito pouco ou quase nada em relação ao caso Barros”.

Outro questionamento feito por esses membros da Igreja diz respeito às palavras que o jesuíta Thomas Gavin teria tido “em 19 de março, quando nossos irmãos leigos e leigas fizeram manifestações pacíficas fora da catedral, o que foi reproduzido pelo jornal El Austral de Osorno no dia 20 de março de 2016: ‘A catedral é de todos, é verdade, mas não é bom manifestar-se dessa maneira; nós recebemos instruções para apoiar o bispo, e é isso que fazemos...’”.

Sobre esses fatos, Kliegel e os outros signatários da carta dirigiram ao provincial uma série de consultas: “Quem deu as instruções para apoiar o bispo? Você como provincial? Quem? Sugerimos que isso seja esclarecido o quanto antes, para que se crie um clima de transparência diante de toda a comunidade de Osorno”, concluíram.

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