O caso Alfie Evans é político

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08 Mai 2018

"Em dezembro passado, começou um conflito legal entre os pais e os médicos do hospital que queriam suspender a respiração artificial que mantinha Alfie vivo, em um estado semivegetativo. Eles consideravam a prorrogação do tratamento cruel e desumana". 

O comentário é de Sarantis Thanopulos, psiquiatra e psicanalista greco-italiano, em artigo publicado por Il manifesto, 05-05-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Eis o artigo.

Alfie Evans nasceu em Liverpool em 9 de maio de 2016. Na idade de sete meses foi internado em um hospital em sua cidade natal em decorrência de convulsões.

Em dezembro passado, começou um conflito legal entre os pais e os médicos do hospital que queriam suspender a respiração artificial que mantinha Alfie vivo, em um estado semivegetativo. Eles consideravam a prorrogação do tratamento cruel e desumana.

O Tribunal de Recurso e o Supremo Tribunal deram razão aos médicos, aderindo à sua tese: a continuação do tratamento não estava no "melhor interesse" da criança. O Tribunal Europeu dos Direitos Humanos não considerou cabível o recurso dos pais. Os médicos interromperam a respiração artificial e as autoridades judiciais impediram o transporte da criança para a Itália. A morte colocou um fim ao sofrimento de Alfie e ao seu desejo de vida do qual não sabemos muito (nossas inferências científicas não são suficientes para saber alguma coisa). Ele deixou atrás de si a dor dos pais e as questões éticas que não são resolvidas pelos tribunais nem, muito menos, pelos médicos.

Novamente se falou em obscurantismo anticientífico. Esquecendo que não existem respostas científicas para as questões éticas, que a ciência muitas vezes foi usada, e ainda é usada, de forma não ética. Basta pensar nas experiências dos médicos nazistas nos campos de concentração (muitas vezes muito precisas do ponto de vista científico), na bomba atômica e nos algoritmos de manipulação de massa que gradualmente substituem o poder político. Ao lado de um preconceito alarmante contra a ciência, existe um desejo de instituí-la como um juiz infalível de cada aspecto de nossas vidas. Essas duas tendências opostas, que lutaram entre si incessantemente, na verdade se refletem uma na outra e representam o domínio da ideia sobre a vida, o medo de viver.

Existem pessoas que, tendo vivido por muito tempo suas vidas, estão na condição de não poder mais desfrutar dela, de sentir-se reduzidas, sem nenhuma esperança de recuperação, a destroços de si mesmas. Elas podem decidir partir e devem ser respeitadas. Depois, há aqueles pelos quais nós mesmos é que temos de decidir, porque são incapazes de fazê-lo. O caso de Eluana Englaro, uma jovem que, tendo efetivamente vivido, já estava há muitos anos presa a uma existência puramente biológica e estava tão emagrecida a ponto de não mais suportar uma vida psíquica, não é o mesmo de uma criança que não pode expressar-se, mas nascida para a vida, vive a sua experiência ainda que semivegetativa, e luta, de forma obscura para o nosso conhecimento, para manter-se agarrada à própria respiração.

Quem pode estabelecer por conta própria qual é o seu "melhor interesse", o limiar invisível do sofrimento que supera o impulso para a vida, tornando preferível a morte?

Não é fácil para os pais aceitar um decreto de cessação de vida contra um filho que complica o seu luto. Especialmente quando eles vivem a sua doença como uma verdadeira derrota e às suas dificuldades pessoais corresponde uma hipocrisia das instituições políticas. Elas se escondem por trás da inutilidade (e às vezes a desumanidade) da ''obstinação terapêutica "e impõem uma ''eutanásia” ditada pelos custos. A sentença à morte que toma forma de mil maneiras, em desafio ao "direito à vida", está se tornando em muitos países o destino dos indigentes (e o risco dos não-ricos) quando ficam seriamente doentes. Torna violentas as decisões judiciais, mesmo quando são legalmente corretas, e mesmo aquelas dos médicos, independentemente do seu valor científico.

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