Igreja não pode se calar frente a iniciativas que retiram direitos de povos indígenas

Revista ihu on-line

A virada profética de Francisco – Uma “Igreja em saída” e os desafios do mundo contemporâneo

Edição: 522

Leia mais

1968, um ano múltiplo – Meio século de um tempo que desafiou diversas formas de poder

Edição: 521

Leia mais

Fake news – Ambiência digital e os novos modos de ser

Edição: 520

Leia mais

Mais Lidos

  • Sete comentários rápidos sobre a criação de 14 novos cardeais

    LER MAIS
  • 'Neoliberalismo está moribundo, mas não sabemos para onde vamos'. Entrevista com Luiz Gonzaga Belluzzo

    LER MAIS
  • Nota de falecimento

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

19 Abril 2018

Para o arcebispo de Boa Vista (RO), dom Roque Paloschi, falar da causa indígena é olhar para a cruz e o mistério do sofrimento. “O sofrimento dos indígenas nunca passa da sexta-feira Santa, eles são sempre vilipendiados e vítimas de escárnio no Brasil”, disse o presidente do Conselho Indígena Missionário (CIMI) na Coletiva de Imprensa desta quarta-feira, 18, na 56ª Assembleia Geral da CNBB.

A informação é publicada por CNBB, 19-04-2018.

Para exemplificar, o religioso citou o assassinato do professor da etnia Xokleng Marcondes Namblá, morto na cidade de Penha (SP) em janeiro, o assassinato do também professor Daniel Kabixana Tapirapé, em Confresa (MT) no mesmo mês, o incêndio na sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) na terra indígena Karipuna, no estado do Rondônia, em fevereiro deste ano. E ainda a ação violenta da Polícia Militar em Passo Fundo (RS), praticada contra 12 famílias do Povo Kaingang, no dia 15 de fevereiro.

Estes casos, segundo dom Palochi, não são isolados mas revelam como estão sendo tratados os povos indígenas no Brasil. O religioso disse que os relatórios anuais que o CIMI publica vem demonstrando regularmente um aumento da violência contra os povos originários.

Omissão dos 3 poderes

O presidente atribuiu esta escalada de violência à omissão dos três poderes do Estado Brasileiro e ainda apontou as iniciativas que estão em curso em cada um destes que farão retroceder os direitos dos povos indígenas no Brasil. No Executivo, ele citou parecer vinculante da Advocacia Geral da União (AGU), nº 001/2017, com a finalidade de paralisar processos de demarcação de terras indígenas no Brasil, bem como anular demarcações já realizadas.

Ele citou também a emenda constitucional nº 95 do governo federal que congela os gastos sociais por 20 anos. O orçamento da Funai, com esta emenda, sofreu corte de 0,018% para 0,02%, o que para o religioso trata-se de um enfraquecimento das ações governamentais para assegurar direitos dos índios.

No poder Legislativo, ele citou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215/2000 que busca transferir do Executivo para o Legislativo a palavra final sobre demarcação de terras indígenas. No Judiciário ele citou a tese do “marco temporal” que buscam restringir o alcance do direito à demarcação das terras indígenas, já que vincula este à presença física, e não tradicional, das comunidades nos seus territórios ao período de 05 de outubro de 1988, data da promulgação da nossa atual Constituição Federal.

O religioso afirmou que este conjunto de ações está sendo coordenado para que haja perda de direitos e mais criminalização de lideranças que lutam pelos direitos dos povos originários no Brasil. Diante deste quadro, defende dom Roque Paloschi, a Igreja não pode ficar calada. “A Igreja não pode se omitir e ficar indiferente aos direitos que estão sendo negados e à destruição da mãe Natureza”, disse.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Igreja não pode se calar frente a iniciativas que retiram direitos de povos indígenas - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV
Fechar

Deixe seu Comentário

profile picture
ASAV