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16 Abril 2018

Moysés Pinto Neto

Alguns pitacos sobre a pesquisa:

1) Ainda é cedo para julgar porque Lula não adotou um sucessor. Como 66% dizem que irão seguir a indicação e Lula teria cerca de 31%, isso significa que algo como 17% iria para esse sucessor. Com esse índice, teria chance de ir para o segundo turno.

2) Marina mostra uma grande resiliência, pois continua sempre com 10% no mínimo e lembro que Alckmin e Ciro, por exemplo, sempre lembrados como mais favoritos que ela, nunca chegaram a esse patamar. Enquanto a minha timeline a chama de sonsa e indecisa, achando que a "unidade da esquerda" com menos de 3% chega a algum lugar, ela tem 15% sem Lula. Nesse meio do caminho, a Rede vem sinalizando que abandonou a pretensão de contar com os votos da esquerda e se aposta como alternativa de centro-direita, incorporando o Livres e sendo uma opção não-tucana para a agenda mais liberal na economia, apoiando a burocracia jurídica com um viés mais progressista que os outros candidatos (Alckmin, Bolsonaro e Flávio Rocha). Há tempos, aliás, estava certo que Marina tentaria ser o Macron brasileiro. E, como Macron, vence com folga todas as candidaturas rivais viáveis no segundo turno;

3) Bolsonaro parece ter atingido seu teto, tem muita rejeição e apenas começou a artilharia contra ele. Alckmin virá com tudo de agora em diante. O paulista sabe que, se não retirar os votos de Bolsonaro logo, estará fora da disputa. Alckmin perde para Marina, Barbosa e Ciro o voto de centro e agora precisa recuperar a hegemonia entre os conservadores;

4) Um cenário com Jaques Wagner ou Haddad é arriscado para a esquerda por ora, uma vez que são os únicos que perdem feio para Bolsonaro. Isso reforça minha preocupação com Lula levar até o fim a eleição e entregar o segundo turno para o poste. A meu ver, essa é a única chance de Bolsonaro vencer. Ciro apenas empata, mas provavelmente com o apoio de Lula venceria. Manuela e Boulos estão muito atrás, Boulos com menos de 1% (pra gente ver o tamanho da bolha de esquerda);

5) Barbosa tem uma entrada espetacular e o PSB vai se tornando um partido fortíssimo no Brasil;

6) Ciro, Barbosa e Marina podem levar a eleição por não fazerem parte das forças petistas e tucanas. Para eles, a sobrevivência dependerá de constituir alianças. Aliança ou morte. Quem conseguir se aliar no primeiro turno provavelmente levará uma das vagas. Se ninguém se aliar e todos saírem em voo solo, teremos um grande ponto de interrogação pela frente. O candidato petista poderá chegar até a 17, 18%, Bolsonaro e Alckmin disputarão a outra vaga e os três tentarão, por fora, desbancar um dos dois, se aliando no segundo turno;

7) Ainda falta o apoio do MDB que, embora o governismo seja tóxico, tem uma estrutura monstruosa que provavelmente vai fazer diferença. Isso pode reforçar a candidatura de Alckmin, talvez numa dobradinha com Meirelles. Essa entrada pode roubar votos não só de Bolsonaro, mas do centro mesmo;

8) Como a minha preocupação é só ganhar tempo (não tenho ilusões sobre o período 18-22), o melhor cenário seria o PT apoiar o Ciro, colocando Haddad de vice, e com isso chegando a algo em torno de 20%. A outra chapa seria Barbosa e Marina ou vice-versa. Ambos ultrapassariam Bolsonaro e o principal concorrente seria mesmo Alckmin e o MDB.

 

Moysés Pinto Neto

Hoje é dia 15 de abril de 2018 e o único desejo que eu tenho para outubro é que o nosso lado -- daqueles que se opõem ao candidato fascista que tem mínimas chances, mas tem -- não tenha sua estratégia pensada por aqueles que acham que os principais assuntos para pautar o debate são a denúncia do golpe e da prisão de Lula, a unidade da esquerda, o fim da conciliação de classes e a transição ao socialismo.

Em um contexto tão arriscado no qual a própria parca democracia que temos está em risco, não podemos ficar na mão dessa galera que está louca pra perder.

 

Idelber Avelar

Aí vai um resumão, com algumas observações minhas, do Datafolha que saiu hoje.

Lula ainda é o centro da parada, mas já caiu bastante. Seis pontos não é pouca coisa. Na anterior, tinha 37%; agora foi para 31%. Ainda lidera com folga em todos os cenários. Nos cenários com Lula, Bolsonaro está à frente de Marina para além da margem de erro: 15% contra 10%. Nos cenários sem Lula, Bolsonaro estaciona e Marina sobe, levando a um empate técnico entre os dois na liderança: 17% a 15%.

Como se vê, confirma-se aqui que a saída de Lula é ruim para Bolsonaro: Lula é o grande avalista ao revés de sua candidatura. É como o anti-Lula que ele ganha fôlego.

Não deixam de ser impressionantes os números de Joaquim Barbosa. Ele ainda nem se apresentou como candidato e entra nas pesquisas com pontuações que vão de 8% a 10%, dependendo do cenário.

Vai ter muito militante petista se roendo de raiva disso, mas o que mostram os números é que quem mais herda votos de Lula é Marina. O que, aliás, faz todo o sentido do mundo, se você se perguntar por qual é o(a) candidato(a) que mais evoca no eleitor de Lula a sua história de vida e a sua experiência.

O Datafolha também testou cenários com Fernando Haddad e Jaques Wagner no lugar de Lula. Eles pontuam entre 1% e 2% e perdem de todos os outros candidatos no segundo turno, inclusive de Bolsonaro. Aliás, Bolsonaro só vence simulações de segundo turno contra petistas.

O outro dado impressionante é como Alckmin não decola. O sujeito é conhecido do eleitorado, já foi candidato a Presidente, tem um partido de projeção nacional, mas não consegue sair do patamar dos 6% a 8%, em todos os cenários, com Lula ou sem Lula.

Dois de cada três eleitores de Lula se dizem dispostos a votar em um candidato indicado por ele. Isso, combinado com a queda de seis pontos do próprio Lula na pesquisa, deve intensificar a pressão para o PT se resolva e lance alguém.

Ciro tem 5% nos cenários com Lula. Sem Lula, ele sobe para 9%. Depois de Marina, é ele quem mais herda votos de Lula. Marina, aliás, vence todos os outros candidatos nas simulações de segundo turno.

Em todos cenários, Boulos é traço. Marca 0% em alguns e 1% em outros. Já Manuela consegue 2% ou 3% em quase todos os cenários. Tudo indica que as urnas vão punir o PSOL severamente pelo caminho escolhido.

Uma das razões pelas quais esta é uma das eleições mais imprevisíveis que já se viu foi resumida em uma frase muito boa do sociólogo Igor Suzano Machado: até agora, quem tem partido (e, portanto, tempo de televisão e grana do fundo partidário) não tem voto. Quem tem voto não tem partido.

Melhor retrato da bancarrota dos partidos políticos não poderia haver.

 

Gustavo Gindre

A pesquisa DataFolha tem uma fragilidade evidente: Lula ainda não ungiu um candidato. Somente nesse momento será possível verificar sua capacidade de transferência de votos.

Dito isso, cabem alguns comentários.

Jacques Wagner e Fernando Haddad partem de percentuais ínfimos e uma candidatura de um dos dois depende exclusivamente de Lula ainda ter a capacidade de eleger até um poste. Se Lula estiver preso, obviamente tudo fica mais difícil.

Ciro, com sua campanha "racional", parece ter enorme dificuldade de crescer.

Alckmin ainda não foi beneficiado pelo apoio que provavelmente receberá da grande mídia, mas seu ponto de partida é bem inferior a sua tentativa anterior.

Bolsonaro deverá ser desmontado pela grande mídia e também parece estar próximo do seu teto.

Marina não tem partido nem tempo de TV. Mais uma vez ela deve fazer o papel do "coelho", aquele corredor que puxa o pelotão no início e que depois vai ficando pra trás.

Mas a grande novidade da pesquisa, concordando com a Helena Martins, é que o "centro" parece ter finalmente produzido seu candidato: Joaquim Barbosa. Um cara que nunca disputou uma eleição (o que, na situação atual, é visto como positivo), que tem em seu currículo o mensalão, ao mesmo tempo negro e um professor universitário, ex-juiz e advogado, e que vem por um partido médio, com estrutura e tempo de TV. Resta saber o que farão os tucanos paulistas e mineiros alojados no PSB. Mas a candidatura é forte e é o fato novo. Se Marina topasse uma vice do JB, a chapa poderia ser quase imbatível.

 

Gustavo Gindre

O Moishe Postone em uma entrevista fez um questionamento interessante.

Há setores de esquerda na Síria e no Iraque que enfrentaram as ditaduras do nasserismo degradado. Gente que foi presa, torturada, exilada, etc.

Quando o imperialismo norte-americano se intrometeu nesses países, em geral a esquerda ocidental apoiou os regimes ditatoriais e não a esquerda que já estava por lá.

Por que, com raras exceções, não buscamos interlocução com essa esquerda?

 

Idelber Avelar

O balanço da candidatura Boulos para o PSOL até agora poderia ser resumida em uma fórmula: eles acumulam todo o desgaste do lulismo sem colher nada do seu prestígio. Sobem no palanque com ele e afastam de cara os 54% da população que querem ver Lula preso. Ao reduzir a defesa da democracia à defesa de Lula, afastam também todos os eleitores progressistas que já se descolaram do lulismo. E não herdam votos de Lula, porque Lula não lhes vai brindar seu apoio.

Entregam tudo e não recebem nada de volta, igualzinho ao segundo turno de 2014, em que na noite da apuração do primeiro turno de uma eleição apertada, ofereceram declarações de amor à Dilma sem exigir nada em troca.

Uma estratégia de gênio mesmo. Todo o 0% de castigo é pouco.

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