"Reconciliação agora", Meris pede perdão pelo pai militante da resistência que matou o seminarista

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16 Abril 2018

Pedirá perdão por seu pai, um militante da resistência que matou um seminarista de 14 anos de idade. Um gesto de reconciliação, que chega com mais de setenta anos de distância daqueles anos de violência. Anos em que milhares de italianos lutaram e foram mortos pelos fascistas, mas nos quais também alguns religiosos sofreram abusos e vinganças. O gesto que realizará neste domingo durante uma cerimônia religiosa Meris Corghi, filha de Giuseppe, militante da resistência comunista que em 1945 assassinou Rolando Rivi, é o resultado de um percurso iniciado em 2011.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada por La Repubblica, 15-04-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Até sete anos atrás, a mulher nem sabia sobre o crime que havia manchado a vida de seu pai. Mas quando o descobriu através de uma tia começou uma jornada que vai acabar hoje. O objetivo: superar com uma mensagem de paz uma página escura de Libertação. O jovem seminarista havia nascido em San Valentino, na província de Reggio Emilia, a cidade ferida, em dezembro de 1943, pelo massacre dos irmãos Cervi. Na primavera de 1945, no clima difícil que abalava a península dividida ao meio, os pais de Rolando, preocupados, haviam tentado dissuadi-lo de circular com a batina. Mas ele não quis ouvi-los. Foi capturado pelos militantes da resistência e torturado por três dias. Depois assassinado. Em 2013, após o placet do Papa, a Igreja beatificou-o reconhecendo o seu martírio, a morte por odium fidei.

Meris Corghi falará do altar sob o qual é guardado em uma urna de cristal o corpo de Rolando. A seu lado estará o bispo de Reggio Emilia Massimo Camisasca, que favoreceu o caminho da reconciliação em todo o país. "Eu estou feliz - disse ao jornal La Repubblica – que um dos frutos mais belos do sacrifício de Rolando seja agora um gesto de reconciliação. Não é apenas um pedido de perdão, mas também um perdão aceito. Espero que este seja o início fecundo de uma reconciliação mais profunda de que o país tanto necessita. E eu estou feliz que isso aconteça na esteira do convite à misericórdia do Papa Francisco semeado nestes anos".

Meris Corghi soube a verdade de uma tia. A mulher ficou sabendo do homicídio diretamente por Giuseppe Corghi que, pouco antes de sua morte, havia confessado, arrependido, ter sido ele quem matou o jovem. Corghi, 73 anos atrás, comandava o batalhão Frittelli da Divisão Modena Montanha pertencente à Brigada Garibaldi. Sequestrou Rolando um dia de abril, juntamente com o seu companheiro de luta Delciso Rioli. Levaram-no para um bosque, onde, depois de torturá-lo, fizeram com que cavasse a cova em que ele morreu. Corghi e Rioli foram posteriormente condenados, mas dos 22 anos de sentença eles só ficaram presos por seis, graças à anistia decretada por De Gasperi e Togliatti.

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