Direção dos tiros contra Marielle reforça hipótese de ataque premeditado

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16 Março 2018

Uma execução premeditada, ligada à atividade política da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL), é investigada pela Polícia Civil do Rio como hipótese para explicar o assassinato da parlamentar na noite de quarta-feira. Ela foi morta com três tiros na cabeça e um no pescoço quando ia para casa, de carro, com o motorista Anderson Gomes, de 39 anos, assassinado com três tiros pelas costas. Uma assessora, que estava ao lado da parlamentar, sobreviveu sem ferimentos e prestou depoimento à polícia.

A reportagem é de Roberta Jansen, Marcio Dolzan e Fabio Grellet, publicada por O Estado de S. Paulo, 16-03-2018.

“Uma das possibilidades, sim, é essa da execução. Mas a gente não descarta ainda outras (possibilidades) até porque o crime aconteceu há 10, 12 horas”, declarou o chefe da Polícia Civil, delegado Rivaldo Barbosa, na manhã de quinta. Ele se reuniu com o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), os delegados Fábio Cardoso, que está assumindo a Divisão de Homicídios, e Gineton Lages, agora titular da Delegacia de Homicídios da capital.

Antes de ser morta, Marielle participou de uma reunião de mulheres negras na Lapa, no centro do Rio. Deixou o encontro por volta das 21h30, acompanhada de Gomes e da assessora. As duas mulheres se sentaram no banco de trás do carro, e Gomes assumiu o volante. O veículo seguia para a casa de Marielle, na Tijuca, na zona norte.

Na altura da Praça da Bandeira, na Rua Joaquim Palhares, um Chevrolet Cobalt prata emparelhou à direita do veículo em que Marielle seguia. Um dos ocupantes disparou nove vezes contra a parlamentar, atingindo o vidro e parte da porta traseira direita do automóvel em que estava Marielle.

O carro onde estava a vereadora andou mais alguns metros, e os assassinos fugiram. Marielle e Gomes morreram imediatamente Os tiros alvejaram a parlamentar e o motorista. A assessora foi atingida apenas por estilhaços e prestou depoimento ainda de madrugada, durante cinco horas, na Delegacia de Homicídios, na Barra da Tijuca, na zona oeste.

Outra testemunha, alguém que passava pelo local na hora do ataque, também teria prestado depoimento. A arma usada no crime foi uma pistola 9 milímetros, segundo a perícia, que recolheu cartuchos no local do crime. A polícia acredita que o carro foi seguido pelo veículo onde estava o assassino desde que ela saiu da reunião na Lapa.

O motivo é que, embora os vidros do automóvel de Marielle estivessem cobertos por película escura, os atacantes pareciam saber exatamente onde ela estava sentada - a vereadora não costumava ir atrás. Foi na direção daquele ponto que os disparos foram feitos. A exatidão dos tiros também chamou a atenção dos investigadores.

Ajuda federal. A Polícia Federal vai auxiliar a investigação sobre o ataque, mas a chefia da apuração ficará a cargo da Polícia Civil fluminense. A possibilidade de federalizar a investigação havia sido cogitada mais cedo pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

Investigações são federalizadas quando há delito contra os direitos humanos e incapacidade do Estado para apurar o episódio. Com a federalização, o crime é apurado pela PF e eventual denúncia passa a ser analisada pela Justiça Federal.

“Este é um caso que precisa do apoio de todas as forças investigatórias”, disse Raquel. “Certamente a colaboração da PF é importante, porque o crime no Rio de Janeiro tem acontecido em diversas áreas, e muitas delas são relativas a crimes federais. É preciso fazer a troca adequada de informações.”

De manhã, Rivaldo não demonstrou entusiasmo sobre a ajuda da PF. “Temos nossos protocolos estabelecidos. Quem quiser nos ajudar, receberemos a ajuda, de qualquer instituição. Entretanto, quero dizer que a Polícia Civil do Rio tem capacidade para resolver esse caso.”

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