Silêncio quebrado para tirar o álibi dos opositores

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14 Março 2018

A descida em campo de Bento XVI para confirmar a continuidade entre seu pontificado e o do seu sucessor fala de uma medida que chegou ao extremo. Não tanto por causa das acusações feitas a Francisco de ser herege e de não ter base teológica adequada, mas pelo fato de os detratores usarem Ratzinger para justificar suas posições. Mais ratzingerianos do que próprio Ratzinger, membros de uma ala conservadora intransigente e, ao mesmo tempo, nunca domada, protegem-se, não de agora, usando o nome de Bento XVI como escudo para justificar a legitimidade de suas acusações.

A reportagem é de Paolo Rodari, publicada por La Repubblica, 13-03-2018. A tradução é de Ramiro Mincato.

Muitas vezes, soprando sobre o fogo das críticas e das acusações, eles são teólogos e bispos com medo de perder posições em nível acadêmico, funções adquiridas, às vezes, mediante interpretações restritas, arbitrárias e unívocas da própria doutrina.

O nome de Ratzinger era usado de forma inadequada mesmo quando ele ainda estava sentado no trono de São Pedro. Uma parte da Igreja, próxima do mundo lefebvriano, usou o Motu próprio "Summorum Pontificum" que "liberalizou" o antigo Missal, para justificar o avanço em funções de poder, aspirando, ao mesmo tempo, posições cada vez mais altas.

Vatileaks e a consequente investigação feita por três cardeais instruídos por Ratzinger para lançar luz sobre o vazamento de documentos, desmascarou o jogo de alguns, tanto que o próprio Bento XVI, renunciou improvisadamente ao pontificado, zerou com plena consciência a classe dirigente que se sentava ao seu lado, mas nem sempre agia da melhor maneira.

Bento XVI é hoje uma pessoa idosa, mas muito lúcida. Aqueles que o visitam dizem que se lembra de tudo, perfeitamente consciente. O que ele escreveu para o prefeito Dario Edoardo Viganò, portanto, é farinha do seu saco, palavras escolhidas para que ninguém possa se dar ao luxo de atacar o Papa reinante usando seu nome. Diz, não por acaso, Gianfranco Svidercoschi, observador que há sessenta anos segue a história do Vaticano, antigo vice-diretor de L'Osservatore Romano e recente autor da Rubbettino, "Un Papa che divide?", que a saída ontem do Papa Emérito "confirma, por um lado, que a tentativa de deslegitimar Bergoglio existe e que não deve ser subestimada".

Por outro lado, no entanto, ele acredita "que o Papa não precisa da defesa de ninguém. Sua força consiste precisamente no fato de que ele é o bispo de Roma e, como tal, nenhuma crítica, mesmo que legítima, pode arranhá-lo".

Bento XVI já se expressara outras vezes pró-Francisco.

Em outubro de 2015, em uma entrevista com o teólogo jesuíta Jacques Servais, falou longamente sobre o tema da misericórdia tão querida por Francisco, confirmando assim a correção da linha de seu sucessor. "Sua prática pastoral - disse ele – expressa-se precisamente no fato de que constantemente nos fala sobre a misericórdia de Deus". E também, em 28 de junho de 2016, por ocasião do 65º aniversário de sua ordenação sacerdotal, Ratzinger disse que era "a bondade" de Francisco a protegê-lo: "Mais do que nos Jardins do Vaticano, com sua beleza, a bondade de Francisco é o lugar onde moro: sinto-me protegido”.

Mas as palavras de ontem são de outro teor e sem precedentes: uma estocada que o velho Pontífice, evidentemente, sentia a obrigação de dar.

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