Uma caminhada de fé no coração de ‘Uma Dobra no Tempo’ (A Wrinkle in Time)

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14 Março 2018

Jim Whitaker é leigo católico e cineasta de Hollywood que trabalhou como produtor do filme que em breve  será lançado pela Disney chamado A Wrinkle in Time (“Uma Dobra no Tempo”) (Ava DuVernay, 2018), obra adaptada do livro de Madeleine L’Engle de mesmo título. Entre outras produções de Whitaker estão “Robin Hood”, estrelando Russell Crowe, “Tudo pela Vitória”, “Horas Decisivas”, “A Estranha Vida de Timothy Green”, “8 Mile – Rua das ilusões” e “Meu Amigo, o Dragão”.

Whitaker dirigiu um documentário sobre os eventos de 9 de setembro intitulado “Rebirth” e trabalhou 16 anos na Imagine Entertainment antes de se mudar da Universal para a Disney. Ex-aluno da Universidade de Georgetown, instituição jesuíta, Whitaker contribuiu em projetos do Berkley Center for Religion, Peace & World Affairs. Em 2 de março, entrevistei Whitaker por telefone.

A entrevista é de Sean Salai, jesuíta, publicada por America, 05-03-2018. A tradução é de Isaque Gomes Correa.

Eis a entrevista.

Como católico, o que o levou a adaptar este romance para as telas de cinema?

Duas coisas: uma é que ele fala sobre a esperança, e a outra é que fala sobre uma garota que se encontra numa situação muito difícil e segue nesta incrível jornada através do universo para descobrir que o poder do universo está, na verdade, dentro dela. Ela, no entanto, precisou continuar nessa jornada celestial para descobrir tudo isso. Estas duas ideias foram muito poderosas e importantes para eu crescer como católico e como ser humano.

A autora Madeleine L’Engle era protestante, mas que temas universais neste filme podem ressoar em pessoas de outros contextos religiosos?

Há uma grande personagem chamada Sra. Quem que cita muitos místicos e pessoas de convicções religiosas ao longo de todo o filme, e eles são multiculturais. Tem um momento em que os personagens despertam no primeiro planeta e a Sra. Quem ergue Meg e diz: “O pé sente o pé quando sente o chão”. É uma citação de Buda, mas eu a adoro porque muitas vezes penso o quanto é importante mantermos os pés assentados ao chão e conectados.

O que espera que as pessoas aprendam com o filme?

O amor conquista tudo e a bondade supera o mal. Os temas no livro são muito amplos, e eu espero que as pessoas saiam tendo a sensação pessoal de serem capazes de se conectar com os outros e simplesmente dizer aquelas três palavras: “Eu te amo”.

Que destaques e desafios houve na produção deste filme?

O destaque do filme foi Ava DuVernay, diretora de personalidade muito forte que se tornou minha amiga neste processo. O desafio: foi dito que este livro era uma adaptação impossível de ser feita. De fato, nós tivemos que encontrar um jeito de simplificá-lo em sua essência fundamental em torno dessa garota, de sua jornada emocional e da aventura divertida que acontece. Mas, na verdade, é uma grande história infantil que precisou ser resumida e reduzida a algo que fosse filmável – e esse isso nos desafiou diariamente.

Como a sua formação jesuíta na Georgetown influencia a sua produção cinematográfica?

A minha formação jesuíta influencia enormemente a minha produção cinematográfica. Ela começa com os projetos que escolho. Quero que tudo o que faço tenha algum nível de impacto, significado e propósito – e essa é uma linha direta para eu deixar Georgetown, vindo aqui para Hollywood, por alguns anos, quando tentava descobrir, antes de poder escolher, quais coisas eu gostaria de fazer.

O filme “8 Mile – Rua das ilusões” pode não parecer um exemplo óbvio, mas, na verdade, é um filme incrível sobre alguém que tenta encontrar sua voz no meio de grande escuridão, e essa produção foi, realmente, importante para mim naquele momento. Para fins de comparação, “Uma Dobra no Tempo” é um filme sobre alguém que se percebe muito diferente, mas que em seguida descobre ser completamente do mundo e do universo.

Como a sua fé católica se transformou ou evoluiu com o passar dos anos?

Diria que no ano passado ela ganhou um maior destaque, pois o tempo que passo na Igreja é maior. Mas, o mais importante, é que me tornei muito mais atento a escutar. Os jesuítas têm esta palavra que sempre está comigo, que diz que na vida descobrimos onde devemos estar e qual o nosso propósito através de um processo de “discernimento”. E eu realmente me acho num lugar muito mais alto e mais antenado de escuta ao mundo exterior e ao que há dentro de mim.

Penso que a minha fé ficou mais antenada com o mundo em que vivo, e é um mundo bastante sombrio: há muito sofrimento. E pessoalmente acho que o que faço tem, em certa medida, uma capacidade de aliviar esse sofrimento.

Quem o inspira e sustenta em sua fé?

Nesse momento é São Francisco de Assis. Ele meio que recentemente voltou à minha vida, como santo e como pessoa cujo objetivo foi aliviar o sofrimento das pessoas e que esteve voltado à escuta. Li uma biografia dele e achei muito interessante.

Acima menciona o discernimento, mas como reza?

Passei a acreditar que a oração é feita na jornada diária, momento a momento. Se estou na parte “conectada” do meu modo de caminhar na vida, então quase tudo que faço é, em certo sentido, um modo de oração. Além disso, busco rezar pelas manhãs.

Algo a acrescentar?

Acho que o filme [Uma Dobra no Tempo] tem muitos elementos religiosos. É realmente a jornada de uma menina que, sem ter evidências reais de seu pai, viaja por todo o universo para encontrá-lo. Acho que temos aqui uma metáfora e uma afirmação muito poderosas que fazem valer a pena pensar sobre a natureza da fé. Como ter fé, sem ser capaz de ter evidências “reais”, é meio que a chave – e um desafio – da vida.

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