Enviado do Papa ao Chile para avaliar os casos de abusos em menores. O escândalo se amplia

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21 Fevereiro 2018

O arcebispo de Malta, Charles Scicluna, homem chave do Vaticano na investigação contra os abusos em menores, chegou ao Chile para a missão que lhe foi confiada pelo Papa Francisco: a partir desta terça-feira até sexta-feira irá ouvir em Santiago as vítimas do padre pedófilo Fernando Karadima, no episódio que monsenhor Juan Barros, bispo de Osorno e de quem Karadima era discípulo, é acusado de ter acobertado.

A reportagem é de Gian Guido Vecchi, publicada por Corriere della Sera, 20-02-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

Mas agora já não se trata mais apenas do ‘caso Barros', que marcou de protestos a recente viagem de Francisco ao Chile. A investigação do enviado do Papa abala os líderes da Igreja chilena, começando pelos cardeais Ricardo Ezzati e Francisco Javier Errazuriz: o arcebispo de Santiago e o emérito que faz parte do "C9", o grupo de conselho do Pontífice, justamente como o Cardeal Seán O'Malley, presidente da comissão do Vaticano para a proteção dos menores.

Antes de chegar a Santiago, monsenhor Scicluna fez uma escala nos Estados Unidos; em uma paróquia em Manhattan, falou durante quatro horas com Juan Carlos Cruz, uma das vítimas de Karadima, que acusa Barros de ter testemunhado as violências e ter acobertado. Cruz afirmou que tudo correu bem no encontro, "pela primeira vez desde 2009, tive a sensação de estar sendo ouvido, oramos juntos". Ele também disse que "não só me perguntaram sobre Barros, mas inclusive sobre os cardeais Errázuriz e Ezzati e sobre outros bispos. Eu tenho a impressão que Barros é o foco central; no entanto, a situação é bem maior do que ele".

Scicluna registra cada audiência, e ao seu retorno vai entregar tudo a Francisco. Cruz entregou-lhe duas cartas que escreveu em 2015, que não receberam resposta, ao núncio e ao Papa. Em Santiago, Scicluna ouvirá as vítimas James Hamilton e José Andrés Murillo e um grupo de fiéis de Osorno. De acordo com Cruz, poderiam também ser ouvidos os cardeais e outros três bispos acusados pelas vítimas, Koljatic, Valenzuela e Arteaga, pertencentes à "fraternidade" de Karadima e que se tornaram bispos, como Barros, na época de Wojtyla. "Na Igreja chilena há uma máquina especializada em encobrimentos", declara Cruz.

Três anos atrás apareceram e-mails entre os dois cardeais, preocupados com a possibilidade de que Juan Cruz fosse nomeado para a comissão do Vaticano para a pedofilia: "Seria muito grave para a Igreja no Chile. Significaria dar crédito a uma elaboração que o Sr. Cruz foi construindo de forma astuta."

A popularidade da Igreja no país nunca esteve tão baixa. Foi Francisco, em 16 de janeiro, que pediu perdão e expressou "dor e vergonha". No entanto, sobre Barros ele havia exclamado: "Não há sombra de prova, são calúnias." No voo de regresso acabou pedindo desculpas ("sei que muitas pessoas que sofreram abuso não podem trazer provas"), mas explicou que tinha rejeitado duas vezes a renúncia de Barros depois de falar com ele, que estava "convencido que é inocente" e que não poderia condenar sem "evidências": "Eu não ouvi nenhuma vítima de Barros, não se apresentaram. Se alguma me der uma evidência, meu coração está aberto".

Poucos dias depois, o Vaticano informava que "em decorrência de algumas informações recentemente recebidas” Francisco iria enviar Scicluna ao Chile.

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