Filme 'Created Equal' usa a ordenação de mulheres para tratar de questões sociais e jurídicas mais amplas

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07 Fevereiro 2018

Nos últimos anos, a indústria do cinema não tem se esquivado do catolicismo — principalmente visto através da lente do escândalo de casos de abuso sexual. No entanto, um novo filme visa ampliar a discussão sobre as injustiças tanto na Igreja Católica como na sociedade em geral.

A reportagem é de Kristen Whitney Daniels, publicada por National Catholic Reporter, 05-02-2018. A tradução é de  Luísa Flores Somavilla.

"Created Equal" — dirigido por Bill Duke e baseado no romance de Roger A. Brown — começa quando o advogado Thomas "Tommy" Reilly (Aaron Tveit) recebe, contra sua vontade, um caso pro bono da Irmã Alejandra "Allie" Batista (Edy Ganem).

Quando se encontram pela primeira vez, Reilly diz a ela que lamenta pelo abuso pelo qual supõe que ela passou, já que o caso deve processar a Igreja Católica. Depois de alguns segundos estranhos em que Batista explica que não está processando a Arquidiocese de Nova Orleans por causa do abuso, mas está processando a Igreja para poder entrar num seminário católico e cumprir seu chamado de se tornar padre.

O filme não se deixa de esmiuçar as questões teológicas e legais mais profundas que seriam levantadas por um caso como este: É possível ser uma boa católica e ainda assim querer ser padre? Quem decide a vocação de quem é válida? O tribunal pode intervir legalmente nas tradições da Igreja? As leis de liberdade religiosa isentam as religiões das leis de discriminação?

Perguntas como essas e sua retratação no filme foi o que inicialmente atraiu o ator Aaron Tveit ao roteiro. Criado em uma família católica, ele sentiu que era importante que o roteiro representasse o caso de maneira justa.

"Acho que se tivessem, se o roteiro tivesse colocado a Igreja como vilã de alguma forma, eu não me interessaria", disse Tveit ao NCR.

Embora a Igreja Católica tenha um papel crítico em sua narrativa, o produtor Thada Catalon explicou que o filme na verdade dialoga com tendências mais amplas entre outras religiões, a política e a sociedade.

"O que me atraiu [à história] é que é uma questão de igualdade de direitos", disse Catalon ao NCR. "Eu não sou católico, então quando me deparei com ele o que vi foi uma mulher que queria ser padre e que não podia simplesmente porque era uma mulher. ... Eu queria fazer parte de algo que pudesse transmitir uma mensagem, que pudesse fazer parte de um movimento progressivo que ajude as mulheres."

Embora o filme tenha sido produzido antes do início do movimento #MeToo e #TimesUp, o elenco está contente em contribuir com essa discussão mais ampla.

"É aquela história, pensamos que era algo em voga no nosso país e não fazíamos ideia de que tudo isso estaria acontecendo exatamente no momento do nosso lançamento", acrescentou Tveit. "Mas, sabe, já era a hora de as pessoas finalmente discutirem coisas que não têm sido discutidas há muito tempo; já passou da hora. E é ótimo que sejamos uma pequena parte disso, é maravilhoso."

Catalon concordou, mas salientou que quando a ideia do filme chegou até ela os EUA estavam no meio de outra discussão sobre igualdade de direitos.

"Na época em que foi apresentado para mim, havia três mulheres concorrendo à presidência dos Estados Unidos e nós ainda estávamos naquela conversa sobre se uma mulher poderia quebrar esse teto de vidro. E por que não?", disse. "Então, para mim, todo o movimento começou lá, honestamente, com uma mulher tentando se tornar presidente dos Estados Unidos. ... Com as mulheres tentando se posicionar e dizer: 'Estamos aqui e devemos ser iguais'."

Apesar de "Created Equal" estar em meio a um movimento cultural, alguns católicos ainda podem achar o argumento do filme um pouco exagerado. O magistério da Igreja não usou meias palavras ao falar sobre a ordenação de mulheres. O filme até mesmo termina com uma cena do Papa Francisco a bordo do avião papal falando sobre a possibilidade da ordenação de mulheres.

"Com relação à ordenação de mulheres", disse Francisco em 2013, "a Igreja já falou e disse não. O Papa João Paulo [II] disse isso com uma fórmula definitiva. A porta está fechada".

No entanto, em uma recente exibição do filme em Nova York, o público parecia ansioso para abordar o assunto.

Após a sessão, Tveit e Catalon participaram de uma sessão de perguntas e respostas com o público. Uma mulher contou sobre sua luta de 25 anos em relação ao chamado ao sacerdócio católico — espelhando o chamado de Batista no filme. Ela disse ao público — pelo que foi aplaudida — que tinha sido ordenada padre na Igreja Católica em segredo.

Outra mulher falou sobre uma luta similar dentro da igreja Mórmon. Ela contou ao público que foi excomungada depois de fundar um grupo de apoio à ordenação de mulheres dentro do grupo.

Apesar de as experiências dessas mulheres terem sido as primeiras numa exibição, Catalon acredita que fala com o desejo e a vontade do público de participar mais nesta discussão.

Embora não tenha havido nenhuma resposta oficial da Igreja Católica, disse, ainda, que alguns padres vieram ver o filme. Até agora, as opiniões estão divididas. De acordo com Catalon, quatro dos sete sacerdotes com quem ela conversou disseram: “sim, vamos conversar [sobre a ordenação de mulheres]".

"Quando se tem esse tipo de filme... e essas [exibições]", afirmou, "o boca a boca pega, porque as pessoas querem querer ter esse tipo de conversa e perguntar o que os outros pensam a respeito".

E isso já está acontecendo. O filme "Created Equal" circulou durante os festivais de cinema de 2017, ganhando prêmios em festivais de cinema como o Sunscreen Film Festival, San Antonio Film Festival, Action on Film Festival, BronzeLens Film Festival, Lady Filmmakers Film Festival e o CineSol Film Festival.

Para continuando a conversa, as exibições comunitárias seguem acontecendo ao redor dos EUA. A produção em parceria com a Tugg.com, "uma plataforma digital que permite que indivíduos, grupos e organizações organizem sessões personalizadas de Created Equal em cinemas e espaços comunitários em todo o país".

O filme já foi exibido em uma série de lugares, como Los Angeles, Nova York, Nova Orleans, Cleveland, Oklahoma e Fairfax, Virginia.

Agora que o filme está disponível em DVD e video on demand, Catalon está ansiosa para que mais pessoas juntem-se ao diálogo e incentivem o público a utilizar as redes sociais para "saber como as outras pessoas se sentem a respeito".

Tveit disse que espera que os novos telespectadores "vão ver o filme com a mente aberta e vejam que não estamos tentando depreciar a Igreja de forma alguma. Acho que é só uma questão para a Igreja e para toda a nossa sociedade."

E ainda que o filme não procure responder a algumas das questões sobre as quais Tveit fala diretamente, deixa uma mensagem ao espectador.

Em uma das últimas cenas do filme, Reilly pergunta a Batista: "Alguma coisa mudou?".

E ela responde: "Não. Mas podemos lutar por mais um dia."

Trailer oficial de "Created Equal", produzido pela T-Cat Films e distribuído pela Vision Films.

 

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