Cardeal O’Malley: papa reconhece erros de quem cometeu abusos na Igreja

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22 Janeiro 2018

Em uma nota publicada no site Boston Catholic, o cardeal Sean Patrick O’Malley, arcebispo de Boston, presidente da Pontifícia Comissão para a Proteção dos Menores, reiterou o compromisso do pontífice com as vítimas de abuso sexual por parte de membros do clero.

A informação é de Benedetta Capelli, publicada por Vatican News, 21-01-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Na nota, o cardeal Patrick O’Malley, arcebispo de Boston, volta ao tema da luta contra os abusos sexuais na Igreja. “É compreensível – afirma a nota – que as afirmações do Papa Francisco em Santiago, no Chile, foram uma fonte de grande dor para os sobreviventes de abusos sexuais por parte de membros do clero ou de qualquer outro culpado.”

O purpurado lembra que expressões como: “Se você não pode provar as suas acusações, então não é possível acreditar em você” fazem com que se sintam abandonados aqueles que sofreram “repreensíveis violações criminosas da sua dignidade humana e relegam os sobreviventes a um exílio de descrédito”.

“Não tendo estado envolvido pessoalmente nos casos que foram o objeto da entrevista – explica o cardeal O’Malley –, eu não posso dizer por que razão o Santo Padre escolheu as palavras específicas que usou naquele momento. Mas o que eu sei é que o Papa Francisco reconhece plenamente as enormes falhas da Igreja e do seu clero que abusou de crianças, e o devastador impacto que esses crimes tiveram sobre os sobreviventes e sobre entes queridos”.

“Ao acompanhar o Santo Padre em inúmeros encontros com os sobreviventes, pude testemunhar a sua dor ao saber da profundidade e da amplitude das feridas infligidas aos que foram abusados e ao constatar que o processo de cura pode levar uma vida inteira.”

“As afirmações do papa – diz ainda a nota – de que não há lugar na vida da Igreja para quem abusa de crianças e de que devemos aderir à tolerância zero em relação a esses crimes são genuínas e são o seu compromisso.”

“As minhas orações e o meu pensamento sempre estarão com os sobreviventes e com os seus entes queridos. Nunca poderemos desfazer o sofrimento que eles experimentaram, nem curar plenamente a sua dor. Em alguns casos, devemos aceitar que até mesmo os nossos esforços para oferecer assistência podem ser uma fonte de angústia para os sobreviventes, e que devemos rezar silenciosamente por elas, enquanto oferecemos a elas o nosso apoio como resposta à nossa obrigação moral. Pessoalmente, eu continuo dedicado ao trabalho pela cura de todos aqueles que foram tão gravemente feridos e pela vigilância em fazer tudo o que é possível para garantir a segurança das crianças na comunidade da Igreja, para que esses crimes nunca mais aconteçam.”

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