Assessor do Papa diz que as tensões em torno de Amoris Laetitia refletem uma 'mudança de paradigma'

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12 Janeiro 2018

De acordo com o principal assessor do Papa, os debates - às vezes tumultuados - desencadeados no catolicismo pelo documento de Francisco sobre a família, Amoris Laetitia, publicado em 2016, não se devem tanto a "certos aspectos de seu conteúdo", mas à "mudança de paradigma" que o documento representa para a Igreja.

O comentário é de John L. Allen Jr., publicado por Crux, 11-01-2018. A tradução é de Luisa Flores Somavilla.

"Em última análise, o que Amoris Laetitia trouxe foi um novo paradigma, que o Papa Francisco está levando adiante com sabedoria, prudência e também paciência", disse o cardeal italiano Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano e figura mais experiente da Igreja depois do próprio Papa.

"Provavelmente, as dificuldades que vieram [com o documento] e que ainda existem na Igreja, para além de certos aspectos do conteúdo, devem-se justamente a esta mudança de atitude que o Papa está nos pedindo", disse.

"É uma mudança de paradigma, e o próprio texto reforça isto, é o que se pede de nós - este novo espírito, esta nova abordagem! ... Qualquer mudança traz dificuldades, mas estas dificuldades têm de ser tratadas e confrontados com comprometimento”, afirmou Pietro Parolin.

Seus comentários apresentaram-se em uma entrevista com o Vatican News, um portal de notícias lançado pela nova Secretaria do Vaticano para a Comunicação. O texto da entrevista foi publicado nesta quinta-feira, em Roma.

O termo "mudança paradigma" popularizou-se, em inglês, nos anos 60 pelo físico e filósofo Thomas Kuhn para se referir a uma mudança fundamental nos conceitos e práticas subjacentes a um determinado ramo da ciência.

Pietro Parolin não explicitou que tipo de mudança de paradigma Francisco pretendia realizar com Amoris, mas grande parte das controvérsias girou em torno de uma abertura cautelosa que permite que pessoas que se divorciaram ou casaram novamente no civil participem da Comunhão em determinadas circunstâncias. Alguns analistas têm sugerido que o movimento é parte de uma "conversão pastoral" mais ampla, que acentua uma abordagem pastoral em situações concretas em detrimento de um quadro mais doutrinário ou legal.

O documento foi publicado após dois polêmicos sínodos dos bispos sobre a família, convocados pelo b em outubro de 2014 e 2015.

Falando sobre outros assuntos, Parolin aborda o projeto em andamento do Papa Francisco de reforma da Cúria Romana, ou seja, da parte burocrática e administrativa do Vaticano. Nos últimos meses, alguns observadores sugeriram que essas reformas parecem estar estagnadas, apontando particularmente para a tentativa de introduzir maior transparência e responsabilidade às finanças do Vaticano, que parece ter retrocedido ou ter sido abandonada.

Pietro Parolin insistiu que "já foram alcançados avanços notáveis", mas também argumentou que o que Francisco realmente quer não é tanto uma mudança estrutural, mas conversão.

"Não se trata tanto de uma reforma estrutural, com a promulgação de novas leis, novas normas, nomeação de equipe, e coisas do gênero", disse. "Trata-se mais do espírito profundo que deve animar cada reforma da Cúria e é a dimensão fundamental da vida cristã, que é a conversão".

A ideia, segundo Parolin, "é que a Cúria - cada vez mais e melhor, sem as sombras que podem obscurecer o seu dever e missão - possa ser realmente uma assistência ao Papa ao anunciar o Evangelho, dar testemunho do Evangelho e evangelizar o mundo atual".

Ele também respondeu a uma pergunta sobre a próxima viagem do Papa Francisco ao Chile e ao Peru, de 15 a 22 de janeiro, dizendo que não vai ser uma viagem "simples", mas será "animada”.

Mais especificamente, citou duas questões gerais em que acredita que Francisco quer se concentrar durante o passeio de uma semana à sua América Latina:

  • Os desafios para as pessoas e populações indígenas, perguntado "Qual é o papel, a contribuição, dessas populações aos seus países, suas sociedades, para contribuir com essas sociedades?"
  • Parolin disse que também é um tema importante para o Sínodo sobre a Amazônia que Francisco convocou para 2019.
  • A corrupção, "que impede o desenvolvimento e também atrapalha a superação da pobreza e da miséria".

Por fim, Parolin disse que 2018 será um ano para "concentrar especial atenção para a juventude em todos os níveis na Igreja”, culminando no Sínodo dos Bispos sobre a juventude, convocado pelo Papa Francisco e previsto para outubro.

Sobre isso, também, disse que há um "novo paradigma" em jogo.

"O mais inovador desta abordagem é a busca por uma nova relação entre a Igreja e a juventude, constituída por um paradigma de responsabilidade e destituição de qualquer paternalismo", afirmou.

"A Igreja quer entrar em diálogo com as realidades da juventude atual”, declarou ele. "Quer entender os jovens e ajudá-los."

Citando o presidente dos EUA John F. Kennedy, em sua famosa frase "Não pergunte o que seu país pode fazer por você”, de seu discurso de posse em 1961, disse ainda que o foco de 2018 na juventude anima-se por um espírito semelhante.

"A Igreja está perguntando aos jovens, o Papa e a Igreja estão perguntando, o que eles podem fazer pela Igreja, que contribuição podem dar para o Evangelho e para divulgar o Evangelho hoje".

Em um briefing para repórteres na quinta-feira, um funcionário do Escritório do Vaticano para o Sínodo dos Bispos apresentou uma campanha ambiciosa para as redes sociais no período antecedendo o encontro dos bispos em outubro, no intuito de potencializar a participação da juventude ao redor na preparação para o sínodo.

A campanha organiza-se através da hashtag #Synod2018, com materiais preparatórios do site da campanha. (Rindo, destacou que até a Conferência Episcopal da França aprovou o uso de uma única hashtag, em inglês, para todas as línguas e disse: "Se os franceses concordaram, quem vai discordar?")

A preparação para o sínodo também contará com um encontro de 300 jovens em Roma, escolhidos por Conferências Episcopais do mundo todo, de 19 a 24 de março.

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