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04 Janeiro 2018

Como batizados, precisamos atuar conforme o Espírito Santo: ele é a força que Deus nos dá para anunciarmos a justiça e o direito dos mais fracos. Não podemos usar o Espírito Santo só para nosso gozo pessoal, num espiritualismo dobrado sobre si mesmo e fechado em nosso comodismo. É necessário “rasgar” o comodismo, o individualismo e o egoísmo, para denunciar as injustiças presentes em todos os setores da nossa sociedade. Só assim poderemos “ver o Espírito de Deus presente”, e ouvir a voz de Deus ecoar na sociedade. 

A reflexão é de Rita de Cácia Ló correspondentes à Liturgia do Batismo do Senhor (08-01-2018). Ela é graduada em Teologia pela Faculdade Teológica Sul Americana (2006) e mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (2006). Atualmente é professora de estudos bíblicos na Escola de Teologia e Espiritualidade Franciscana – ESTEF, de Porto Alegre/RS.

Referências Bíblicas
Is. 42,1-4.6-7
Salmo 28(29)
Atos Apóstolos 10,34-38
Mc. 1,7-11

Breve comentário das leituras

O Salmo celebra Deus Todo Poderoso que vem com toda “força” e com o poder de sua “voz” defender e garantir a paz e dar força ao seu povo.

Em Isaías, Javé, o Deus Todo Poderoso, apresenta solenemente o servo, seu escolhido. Podemos compor o “currículo” do servo:
– Quem o formou? – Foi modelado pelas mãos de Javé;
– E sua capacitação? – Recebeu o Espírito e a “força” do seu criador;
– Em que atuará? – Está a serviço da justiça e do direito; será a luz na luta pelos mais fracos, pois “não quebrará a cana rachada” nem “apagará chama que ainda fumega”.

Na leitura dos Atos dos Apóstolos, quem está com toda “força” e com o Espírito Santo é Pedro, que num discurso corajoso retoma o Antigo Testamento para lembrar que “Deus não faz acepção de pessoas”. Pedro faz um alerta aos chefes e às nações que Deus não aceita a injustiça e a opressão daqueles que promovem a guerra.

No Evangelho de Marcos, João Batista dá testemunho de que Jesus é “mais forte” do que ele, isto é, mais forte do que todos que foram enviados antes: Moisés, os profetas e os líderes do povo. A voz que rasga o céu confirma que Jesus é mais forte do que João Batista: Ele é “o meu filho”.

A nossa frágil missão, a partir de agora, tem a “força” do Filho de Deus para vencermos e denunciarmos os que tornam torto o caminho da justiça e do direito e, assim, confundem o povo de Deus.

O Evangelho recorre a uma imagem muito conhecida no Antigo Testamento: Deus é o esposo. O trecho de hoje tem como pano de fundo Rute 4,7-8, que fala do seguinte costume de antigamente: quando dois homens fechavam o negócio da venda de um campo, os dois trocavam as sandálias. O vendedor calçava as sandálias do comprador e o comprador calçava as sandálias do vendedor. Era um modo de atestar quem tinha o direito de pisar naquele terreno como dono. Na história de Rute, ao adquirir o campo, Booz adquiriu também o direito de se casar com Rute. Neste costume antigo, “calçar as sandálias” equivale a ter direito e poder sobre uma propriedade. Então, Quando João Batista diz “não tenho o direito de, abaixando-me, desatar a correia das sandálias”, ele não está dizendo que é humilde, e sim que não se deixa cair na tentação de ocupar o lugar do verdadeiro esposo, que é Jesus. João Batista não se deixa levar pelo estrelismo, nem pelo desejo de aparecer mais do que Jesus.

João Batista sabe qual é o seu lugar e a sua missão. Ele batiza com a água; Jesus, porém, batizará com o Espírito Santo. O batismo com o Espírito Santo indica o tempo messiânico: terminou a espera e o noivo chegou. O tempo messiânico, prometido pelos profetas, realiza-se em Jesus.

No Antigo Testamento, pouco a pouco foi se formando a ideia de um personagem quase mítico denominado “Messias”. Ele seria um descendente do grande Rei Davi e viria restaurar o reino de Israel e trazer tudo o que é bom para o povo: justiça, verdade, paz, saúde, educação, salário justo, emprego, fim da corrupção etc. Um exemplo dessa atuação do Messias movido pelo Espírito Santo está em Is 11,2: “Sobre ele repousará o Espírito de Javé, espírito de sabedoria e de inteligência, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de conhecimento e de temor a Javé”. O Espírito Santo dará ao Messias todas as qualidades necessárias para ser um bom governante e conduzir o povo à paz e à felicidade. Quem governa o povo sem a ajuda do Espírito de Deus conduz o povo à morte e à infelicidade, e aí reina a injustiça, o medo e a corrupção, e as pessoas estão sempre apreensivas e inseguras.

No evangelho de hoje, logo depois de apresentar João Batista, Marcos diz que Jesus “veio de Nazaré da Galileia”. Nazaré é uma cidade insignificante da Galileia. E o povo da Galileia tinha a fama de ser gente ruim. Significa que Jesus não tem nenhuma qualidade humana que pudesse dar autoridade à sua missão. Quem vai dar esta autoridade é Deus. Assim que Jesus é batizado, “os céus se rasgam”. Esta é uma imagem para dizer que se rompeu a distância entre Deus e seu povo. As fronteiras foram rompidas com a presença de Jesus no meio de nós.

No Espírito Santo e nas fronteiras rompidas (rasgados) ouve-se a voz do Pai: “Tu és meu filho amado, em ti eu me comprazo”. O texto não só afirma que o jovem desconhecido vindo de uma cidadezinha insignificante é, na verdade, o filho de Deus. O texto diz mais: afirma que Jesus decidiu que tipo de Messias ele quer ser e que Deus Pai “assina embaixo”, isto é, concorda com as decisões e as atitudes de Jesus. Jesus decidiu ser o Messias da liberdade, do perdão, da justiça, do direito, e Deus Pai, sabendo disso tudo, diz: “Gostei!... Eu assino embaixo! É isso o que eu quero!”

A escolha de Jesus deve ser também a nossa. Todas as leituras vêm confirmar a missão dos batizados. Nessa missão contamos com a força e a presença do Deus Todo Poderoso, que é confirmada pela ação do Espírito Santo.

Como batizados, precisamos atuar conforme o Espírito Santo: ele é a força que Deus nos dá para anunciarmos a justiça e o direito dos mais fracos. Não podemos usar o Espírito Santo só para nosso gozo pessoal, num espiritualismo dobrado sobre si mesmo e fechado em nosso comodismo. É necessário “rasgar” o comodismo, o individualismo e o egoísmo, para denunciar as injustiças presentes em todos os setores da nossa sociedade. Só assim poderemos “ver o Espírito de Deus presente”, e ouvir a voz de Deus ecoar na sociedade.

 

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