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Por: Viviane Aparecida Ferreira de Lara Matos | 16 Dezembro 2017

Construir estratégias profissionais e, na conjuntura atual, enfrentar os avanços das políticas neoliberais do governo de Michel Temer foram preocupações centrais do ciclo de estudos e debates Trabalhadoras(es) do Sistema Único da Assistência Social (SUAS), promovido pelo CEPAT, com apoio do IHU, finalizado no último dia 12 de dezembro.  Em oito encontros, foram debatidos temas como a metodologia do SUAS e a dimensão ética e política do trabalho desempenhado pelos profissionais que atuam nesta área.

Durante o último encontro, Solange Fernandes (PUCPR), uma das assessoras deste ciclo, apontou alguns elementos centrais para o enfrentamento do cenário em que vivemos na Assistência Social, com a vigência da Emenda Constitucional 95, que estabeleceu o teto dos gastos públicos. A Emenda atinge diretamente as áreas da educação e saúde, com reflexos na assistência social, onde ressurgem propostas assistencialistas, como por exemplo o Programa Criança Feliz.

Para Fernandes, existem formas para fazer frente à essa realidade.  “O conhecimento, a compreensão das novas normativas e o fortalecimentos das(os) trabalhadoras(es) e da população que acessa essa política, com estratégias de participação e de resistência na defesa e garantia dos direitos humanos é importante”, apontou. Outra estratégica citada pela professora é atrair a participação da população com atividades que possam promover a discussão do cotidiano e a busca de respostas conjuntas.

“A tendência é que as pessoas que participam de um processo formativo levem respostas para seus espaços de trabalho. Da mesma forma, ocorre com a população, que busca nos serviços respostas para seus problemas. A proposta, aqui, é romper com essa lógica absoluta de respostas prontas e construirmos saídas possíveis para os problemas individuais e coletivos”, disse Fernandes.

Outra dimensão abordada durante esse ciclo de estudos e debates foi a de sensibilização para as diversas realidades enfrentadas no cotidiano profissional, levando em consideração os diferentes públicos atendidos: população negra, moradores de rua, jovens, idosos, apenas e usuários de álcool e drogas. O ciclo apontou a necessidade de rompimento com as visões preconceituosas e conservadoras que permeiam a sociedade. É fundamental ter um pensamento autônomo para realizar a defesa dos direitos humanos.

Gisele Carneiro, assistente social, coordenou a dinâmica de escuta ativa das(os) participantes, como o objetivo de reunir a percepção das(os) trabalhadoras(es), após as oito etapas de estudo e debate. Nesse processo, foram avaliados inúmeros aspectos, como o tempo individual de desenvolvimento, a Justiça Restaurativa como solução de conflitos e redução de danos, a experiência de vida das pessoas na terceira idade, a memória dos tempos da ditadura, a relação ente narcotráfico e o sistema capitalista.

Ao mesmo tempo, surgiram discussões sobre a violência, as drogas, o racismo, entre outras problemáticas sociais. Os participantes puderam expressar suas expectativas e dúvidas.  

Ao final, o entendimento predominante foi o de que a sociedade almeja mudanças, mas não consegue identificar como chegar a um resultado positivo. Nesse sentido, o profissional da assistência social, quando embebido por um compromisso ético e político, pode orientar essa busca e também oferecer caminhos para atingir os objetivos.

A acolhida e a mística, durante o ciclo de debates, foram destacadas pelo grupo com expressões como: “ela nos deixa leve”, “despertou-nos o desejo da mudança”, “trouxe-nos esperança”, “despertou o acreditar em mim mesma”. Entre as místicas preparadas, usufruímos de grandes contribuições de poemas e canções, desde Pedro Bomba, Bertolt Brecht, Dani Black, Isis Cristina a Ivan Lins, Mercedes Sosa, Wilson Simonal, Caetano Velo, Milton Nascimento e Elis Regina.

Encerramos a última etapa, com a apresentação cultural e a reflexão do processo histórico da Ditadura civil-militar no Brasil, através de músicas selecionadas pelo professor e artista popular Paulo Borges, que entoou diversas canções. A canção Sampa, de Caetano Veloso, expressou muito bem a tônica do momento: “do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas; Da força da grana que ergue e destrói coisas belas; Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas”. E, por fim, a canção, Antes Que Seja Tarde, de Ivan Lins: “com força e com vontade a felicidade há de se espalhar com toda a intensidade”, disse de nosso anseio para o presente.

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