Ocupação do MTST em São Bernardo é um retrato do Brasil pós-golpe, constata Dieese

Revista ihu on-line

Base Nacional Comum Curricular – O futuro da educação brasileira

Edição: 516

Leia mais

Renúncia suprema. O suicídio em debate

Edição: 515

Leia mais

Lutero e a Reforma – 500 anos depois. Um debate

Edição: 514

Leia mais

Mais Lidos

  • Papa Francisco sugere reformulação do Pai Nosso. O problema? A tradução da frase 'Não nos deixeis cair em tentação'

    LER MAIS
  • “As redes sociais estão dilacerando a sociedade”, diz um ex-executivo do Facebook

    LER MAIS
  • Julgamento de Lula, a primeira data crucial da eleição presidencial de 2018

    LER MAIS

Newsletter IHU

Fique atualizado das Notícias do Dia, inscreva-se na newsletter do IHU


close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Enviar

05 Dezembro 2017

Pesquisa com ocupantes desmonta estigmas e mostra maioria de trabalhadores pobres, ocupando empregos precários e com salários baixos.

A reportagem é de Rodrigo Gomes e publicada por Rede Brasil Atual - RBA, 04-12-2017.

Estão na escola: 93,6% dos que têm 4 e 5 anos de idade; 97,6% dos que têm de 6 a 14 anos; e 83% daqueles com idade entre 15 e 17 anos. População economicamente ativa: 73,1%. Renda média: R$ 1.137. Taxa de desemprego: 41,8%. Esses dados poderiam ser de qualquer cidade brasileira, mas são de uma pesquisa conduzida pelo Dieese para traçar o perfil dos moradores da Ocupação Povo Sem Medo, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) em São Bernardo do Campo, na região do ABC paulista. O estudo põe abaixo uma série de estigmas sobre os ocupantes e mostra que a situação social do país é muito grave.

“As famílias da ocupação são tipicamente brasileiras. O que significa que a maior parte da população do país está em uma situação de vulnerabilidade muito grande”, ressaltou a socióloga do Dieese Adriana Marcolino. Para ela, os dados mostram a forte desigualdade que ainda existe no Brasil. “É um retrato da situação brasileira. Mostra que retomar o crescimento é importante, mas é preciso priorizar os programas sociais. E demonstra que o trabalho formal pode ser sinônimo de pobreza, se não acompanhado de políticas sociais, como a valorização do salário mínimo”, afirmou.

Segundo a pesquisa, o perfil dos moradores da ocupação está muito distante do estereótipo de “vagabundos”, “aproveitadores” ou “fazedores de filhos pra receber Bolsa Família”, como disparam algumas críticas baseadas no senso comum. Os 73,1% de população economicamente ativa dentre os moradores da ocupação é bem superior aos 62,1% da população que vive na região metropolitana de São Paulo. As taxas de frequência escolar de crianças e adolescentes estão muito próximas da média nacional. Porém, a taxa de desemprego e a renda média destoam.

“A pesquisa é uma enorme arma para quebrar o preconceito na luta pela moradia com as ocupações. São trabalhadores, muitos desempregados por essa política econômica criminosa que vem sendo tocada no país. Existe estereótipo de que sem teto é morador de rua. Não. A maioria é de trabalhadores de baixa renda, que não aguentam mais pagar aluguel ou se humilhar para viver de favor”, afirmou o coordenador nacional do MTST Guilherme Boulos.

“O Brasil vive uma recessão terrível. O país andou 8% para trás na economia. 14 milhões de desempregados. A última informação do PIB revelou que os empregos criados são majoritariamente informais. Nesse momento que o Estado devia intervir mais promovendo políticas públicas, o governo faz exatamente o contrário. Há dois anos não temos uma contratação nova do Minha Casa, Minha Vida faixa 1. A questão da moradia é um barril de pólvora”, disse Boulos.

As ocupações mais frequentes dos moradores são diarista, ajudante geralauxiliar de limpeza, garçom, motorista, auxiliar administrativo, operador de telemarketing e pedreiro. A maior parte dos ocupantes é composta por mulheres ( 53,4%) e negros (59,8%). O levantamento também revelou que 30,7% das 12 mil famílias – cerca de 33 mil pessoas – moradoras da ocupação Povo Sem Medo recebe o benefício do Bolsa Família. E que a maior parte das famílias é composta por até três integrantes: 62,2%.

“São pessoas que, com qualquer problema no orçamento, veem explodir as contas do mês. Deixam de pagar alguma conta, pedem dinheiro emprestado. Mas qualquer problema e a situação delas se agrava”, explicou Adriana. E um agravamento significativo foi justamente o aumento do preço dos aluguéis nos últimos nove anos. Enquanto os rendimentos ficaram estáveis, o valor dos aluguéis subiu quase 100 pontos no índice Fipe Zap Imóveis. Com isso, 77,3% das famílias ocupantes estava comprometendo mais de 30% da renda apenas com aluguel nos últimos meses.

Ainda segundo a pesquisa, 59,4% dos ocupantes foram para lá porque não conseguem mais pagar aluguel. Outros 22% moravam de favor. Além disso, 67,9% nunca conseguiram acessar programas habitacionais e veem no MTST um instrumento para conseguir dialogar com Estado, já que as políticas não chegam nelas. Dos moradores, 8,9% dizem acreditar que o caminho pra conquista da casa é a luta social.

O presidente da CUT São Paulo, Douglas Izzo, ressaltou que o país nunca teve uma política habitacional efetiva. “A terra aqui é trabalhada somente na lógica do lucro de uns poucos e não na sua função social. E essa política equivocada do governo Temer tende a aprofundar essa situação”, afirmou.

Leia mais

Comunicar erro

close

FECHAR

Comunicar erro.

Comunique à redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta página:

Ocupação do MTST em São Bernardo é um retrato do Brasil pós-golpe, constata Dieese - Instituto Humanitas Unisinos - IHU

##CHILD
picture
ASAV