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27 Novembro 2017

Francisco definiu seu papado pelas suas frequentes denúncias às injustiças cometidas contra os refugiados, e é esperado que ele fale duramente contra a difícil situação dos rohingya.

O Papa Francisco se dirige à Birmânia e Bangladesh em meio a uma intensa crise de refugiados rohingya, que a comunidade internacional tem criticado como "limpeza étnica", mas que a Igreja Católica tem defendido a líder civil, Aung San Suu Kyi, como a única esperança para a democracia na Birmânia.

A informação é publicada por Religión Digital, 25-11-2017. A tradução é de Henrique Denis Lucas.

Assim, o pontífice irá andar por uma corda bamba diplomática tensa, durante a sua visita de 27 de novembro à 2 de Dezembro, da qual incluirá reuniões particulares com Suu Kyi, o poderoso chefe das forças armadas da Birmânia e um pequeno grupo de muçulmanos rohingya, uma vez que o papa chegue à vizinha Bangladesh.

Francisco definiu seu papado por suas frequentes denúncias às injustiças cometidas contra os refugiados, e é esperado que ele fale duramente contra a difícil situação dos rohingya. Mas ele também é hóspede do governo da Birmânia e deve prezar pelo bem-estar de seu pequeno rebanho, uma minoria de 659 mil católicos neste país de maioria budista de 51 milhões de habitantes.

"Digamos apenas que é muito interessante do ponto de vista diplomático", respondeu o porta-voz vaticano, Greg Burke, quando perguntado se a 21ª viagem de Francisco ao exterior será a mais difícil que que ele tenha realizado até agora.

O Padre Thomas Reese, um comentarista jesuíta norte-americano, foi mais direto: "Admiro o Papa e suas capacidades, mas alguém deveria tê-lo convencido a não fazer esta viagem", escreveu Reese no Religion News Service, um serviço de notícias especializado em religião e espiritualidade.

Reese argumentou que o legado de Francisco como um paladino inflexível dos oprimidos será enfrentado com a dura realidade de retaliação para com a minoria cristã da Birmânia, caso ele vá longe demais na defesa dos rohingya contra as "operações de limpeza" das forças armadas no estado do Arracão.

"Se ele se mostrar profético, coloca os cristãos em risco", disse Reese. "Se ele guardar silêncio sobre a perseguição dos rohingyas, perde credibilidade moral".

Francisco não é conhecido por seu respeito ao protocolo, e tende a chamar as coisas pelo seu nome. Mas a Igreja Católica na Birmânia já pediu a ele e também ao cardeal Charles Bo, ordenado por ele, para que se abstenham inclusive de usar o termo "rohingya", rejeitado pela maioria dos habitantes da Birmânia.

"Obviamente, o papa leva a sério essas recomendações", afirmou Burke. "Mas já veremos como será".

O governo da Birmânia e a maior parte dos habitantes budistas não reconhecem os rohingya como um grupo étnico, e insistem que são imigrantes ilegais de Bangladesh.

O Ministério das Relações Exteriores de Bangladesh informou neste sábado que, após um acordo alcançado com as autoridades da Birmânia, ambos os países receberão o apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) para iniciar o processo de repatriamento de milhares de muçulmanos rohingya que estão no território de Bangladesh.

O acordo ocorre antes da viagem que o Papa Francisco realizará na região asiática, onde visitará ambos os países entre o dia 27 de novembro e o dia 2 de dezembro.

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