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14 Novembro 2017

Editorial da importante publicação norte-americana National Catholic Reporter atesta que a tíbia reação do presidente da Conferência dos Bispos Católicos do EUA à dura crítica do frei capuchinho Thomas Weinany, ex-consultor da conferência episcopal, é a indicação do maior problema da liderança da Igreja dos EUA.

O editorial foi publicado no dia 13-11-2017. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

Segundo o editorial, “se algum católico está confuso, não é por causa de Francisco; é por causa de Burke, Weinandy e pessoas como eles. Eles semeiam a confusão que condenam. Afirmam que querem diálogo, mas não querem. Querem estar no comando, e não estão”.

Eis o editorial.

A declaração do Cardeal Daniel DiNardo após a renúncia do Padre Capuchinho Thomas Weinandy do cargo de consultor da Comissão dos Bispos dos EUA para a Doutrina, após ter divulgado uma carta criticando o papa Francisco por criar "confusão crônica" entre os fiéis católicos, foi realmente estranha.

O que se esperava de um cardeal e do presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos era uma repreensão clara a Weinandy e uma defesa veemente de Francisco. Não foi o que aconteceu.

Quase toda a declaração foi uma reflexão, nas palavras de DiNardo, "sobre a natureza do diálogo dentro da Igreja". Ele escreveu: "Todos nós devemos reconhecer que existem diferenças legítimas e que faz parte do trabalho da Igreja, de todo o corpo de Cristo, trabalhar em direção à compreensão crescente da verdade de Deus". DiNardo está claramente defendendo a necessidade de Weinandy de corrigir o Papa.

Resta apenas perguntar onde estava o apelo de DiNardo por diálogo e entendimento quando Weinandy, na posição de líder do gabinete para a doutrina e assuntos canônicos dos bispos dos EUA, estava reunindo evidências contra teólogos como a Irmã de São José Elizabeth Johnson e o Pe. Peter Phan, bem como contra a Conferência de Liderança das Religiosas (Leadership Conference of Women Religious). Onde estava a "caridade cristã" nesta época? Parafraseando a citação de Santo Inácio de Loyola usada por DiNardo, onde estava a premissa da boa intenção do irmão cristão?

Weinandy estava realmente seguindo as orientações dos bispos que o contrataram. É uma reviravolta e tanto que Weinandy, cujo mandato como líder doutrinário foi considerado antagônico e marcado pelo "zelo acusatório" pelos teólogos, esteja agora entre os dissidentes. Ele está se deparando com o exterior de um lugar desconfortável.

Claro, ele estava apenas replicando o que acontecia nos gabinetes do Vaticano na Conferência dos Bispos dos EUA, não menos na Congregação para a Doutrina da Fé, encurralando teólogos e mantendo os bispos na linha de acordo com Roma. As histórias de investigações do Vaticano a teólogos como o padre jesuíta Jacques Dupuis e o padre oblato do Sri Lanka Tissa Balasuriya foram bem documentadas na NCR, assim como as histórias do Arcebispo Raymond Hunthausen, de Seattle, e do Bispo William Morris, de Toowoomba, Austrália, ambos bispos amados pelo povo de sua diocese, mas temidos pela Cúria. Francisco parou esse tipo de investigação em larga escala.

A NCR está entre as últimas a encontrar problemas em um católico que queira criticar a ação ou a falta de ação de um papa ou de quem questione de forma sincera o ensino da Igreja. Na verdade, nós defenderíamos uma pessoa que buscasse o verdadeiro diálogo e o engajamento. É assim, nas palavras do DiNardo, que se "trabalha em direção a uma compreensão crescente da verdade de Deus".

Mas vamos criticar alguém que pede por compreensão e diálogo sem nunca ter oferecido isso aos outros. Também vamos questionar alguém que não tem nada de verdadeiro nessa crítica.

Temos visto muitas críticas a Francisco. Weinandy é o mais recente, mas em setembro um pequeno grupo de teólogos e pastores emitiu uma correção "filial" a ele. Antes deles, foram os famosos quatro cardeais da dubia, que pediram por diversas vezes que Francisco esclarecesse o ensino de sua exortação apostólica de 2016 sobre a família e o matrimônio, Amoris Laetitia, da qual alegam haver partes que não estão de acordo com o ensinamento e a prática constantes da Igreja.

Um desses cardeais, Raymond Burke, concedeu inúmeras entrevistas na mídia dizendo que planeja emitir uma correção fraternal ao Papa se o Santo Padre se recusar a responder à dubia. Todos dizem coisas parecidas com o que Burke disse recentemente ao National Catholic Register: que os que estão questionando Francisco estão fazendo isso pelo bem da Igreja, do papado e da alma dos fiéis.

Tudo isso "pesa muito no meu coração", disse Burke ao National Catholic Register, acrescentando que vê "muita confusão, e também pessoas que sentem que a Igreja não é um ponto seguro de referência".

Se algum católico está confuso, não é por causa de Francisco; é por causa de Burke, Weinandy e pessoas como eles. Eles semeiam a confusão que condenam. Afirmam que querem diálogo, mas não querem. Querem estar no comando, e não estão.
As pessoas nessa parte da comunidade católica, nos últimos 25 anos, têm buscado uma "Igreja mais pura". Disseram que se a Igreja tem que ser menor para ser autêntica, que seja menor. Eles têm sido os guardiões da porta estreita. Ressentem-se com o fato de que Francisco está escancarando as portas e tentando derrubar muros. Eles têm comandado a diminuição da Igreja e não suportam que Francisco queira que todos abracem a Igreja com amor.

Francisco é o Papa mais popular da História recente, provavelmente de toda a História, e isso os irrita. São muito poucos os que escrevem dubias e correções filiais e, em grande parte, restringem-se à Igreja de língua inglesa. Infelizmente, têm forte representação no clero e poderosas instituições católicas nos Estados Unidos. DiNardo poderia ter emitido uma correção filial para o grupo, mas não o fez.

A promessa de lealdade de DiNardo chegou tarde, em uma declaração que em outro contexto seria sentimental e sinuosa, mas que pouco esclarece a insensatez de Weinandy aos bispos dos EUA. DiNardo poderia ter dado uma declaração decisiva, colocando a Igreja dos EUA atrás de Francisco, mas não o fez.

Não buscamos os bispos para encontrar respostas, mas sim orientação, e vemos que não a têm

O que o Cardeal Daniel DiNardo não disse indica o maior problema de liderança da Igreja dos EUA. Estamos em um momento de grande agitação social em muitos níveis. As notícias estão cheias de histórias de violência por armas, assim como uma cultura generalizada de violência sexual que perpassa muitas das nossas instituições. As pessoas estão perdendo a confiança nos fundamentos democráticos sobre os quais nossa sociedade foi construída. As pessoas têm medo de não encontrar novos empregos caso sejam demitidas, de não conseguir dar educação adequada aos filhos, de não conseguir pagar pelos cuidados de saúde se alguém da família adoecer.

Muitas são questões de políticas públicas que envolvem soluções civis, mas todas são questões de humanidade e espiritualidade, de fé e de esperança. Em relação a essas questões subjacentes, não buscamos os bispos para encontrar respostas, mas sim orientação, e vemos que não a têm. Buscamos os bispos para nos acompanhar nesta viagem e não os encontramos.
Francisco, por outro lado, fala sobre como a maior tragédia de hoje é uma "esclerose espiritual" e uma "esclerose do coração". Ele entende a ansiedade geral da atualidade e pode, como pastor, falar sobre isso. Ele se oferece para caminhar conosco. Católicos — e muitos não católicos — não ficam confusos por isso, mas são cativados. É isso que DiNardo não disse, mas deveria ter dito.

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