Acreditar no amor

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27 Outubro 2017

A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 22,34-40, que corresponde ao 30° Domingo do Tempo Comum, ciclo A do Ano Litúrgico. O teólogo espanhol José Antonio Pagola comenta o texto. 

Eis o texto

A religião cristã representa, para muitos, um sistema religioso difícil de entender e, sobretudo, um quadro de leis demasiado complicado para viver corretamente ante Deus. Não necessitamos, os cristãos, de concentrar muito mais a nossa atenção em cuidar antes de mais nada do essencial da experiência cristã?

Os evangelhos recolheram a resposta de Jesus a um setor de fariseus que lhe perguntam qual é o mandamento principal da Lei. Assim resume Jesus o essencial: o primeiro é “amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu ser”; o segundo é “amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

A afirmação de Jesus é clara. O amor é tudo. O decisivo na vida é amar. Aí está o fundamento de tudo. Por isso, o primeiro é viver ante Deus e ante os demais numa atitude de amor. Não devemos perder-nos em coisas acidentais e secundárias, esquecendo o essencial. Do amor sai todo o resto. Sem amor, tudo fica desvirtuado.

Ao falar do amor a Deus, Jesus não está pensando nos sentimentos ou emoções que podem brotar do nosso coração; tampouco está nos convidando à multiplicação das nossas rezas e orações. Amar o Senhor, nosso Deus, com todo o coração é reconhecer Deus como Fonte última da nossa existência, despertar em nós uma adesão total à sua vontade e responder com fé incondicional ao seu amor universal de Pai de todos.

Por isso agrega Jesus um segundo mandamento. Não é possível amar a Deus e viver de costas aos seus filhos e filhas. Uma religião que predica o amor a Deus e se esquece dos que sofrem é uma grande mentira. A única postura realmente humana ante qualquer pessoa que encontramos no nosso caminho é amá-la e procurar o seu bem como quiséssemos para nós mesmos.

Toda esta linguagem pode parecer demasiado velha, demasiado gasta e pouco eficaz. No entanto, também hoje o primeiro problema no mundo é a falta de amor, que vai desumanizando uma e outra vez os esforços e as lutas por construir uma convivência mais humana.

Há alguns anos, o pensador francês Jean Onimus escrevia assim: “O cristianismo está, todavia, nos seus começos: tem vindo a trabalhar apenas há dois mil anos. A massa é pesada e serão necessários séculos de maduração antes que a caridade a faça fermentar”. Os seguidores de Jesus não devem esquecer-se da sua responsabilidade. O mundo necessita de testemunhas vivas que ajudem as futuras gerações a acreditar no amor, pois não há um futuro esperançoso para o ser humano se acaba por perder a fé no amor.


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