Equador: um vice-presidente atrás das grades

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Por: Lara Ely | 11 Outubro 2017

A justiça equatoriana decretou, há uma semana, a prisão preventiva do vice-presidente Jorge Glas devido aos escândalos de corrupção da Odebrecht – ele é acusado de associação ilícita no período em que foi responsável por setores estratégicos do Equador.  Em meio à profunda divisão entre os governistas, Glas foi afastado de suas funções pelo presidente Lenín Moreno porque teria recebido do ex-diretor da Odebrecht no país José Conceição Filho, U$ 16 milhões de propina em troca de contratos de obras com o governo.

Além da prisão preventiva de Glas, a sentença do Procurador Geral do Estado, Carlos Baca, determinou o bloqueio dos bens e das contas do vice-presidente e a prisão preventiva do seu tio, Ricardo Rivera, que estava em prisão domiciliar. Aos 48 anos, o político afirmou que a decisão foi adotada "sem provas e com indícios forjados", e revelou que recorrerá "a instâncias nacionais e internacionais para se defender”.

Um pouco antes de se entregar à Justiça, no dia 02-10-2017, ele gravou um vídeo que publicou em seu Twitter dizendo que os inocentes não têm por que fugir.

“Acato em protesto uma resolução do sistema de justiça, inconstitucional, ilegal, em um processo cheio de falhas, do qual não posso me esconder”, afirmou. Ele diz ainda que é vítima de uma conspiração, e mandou um abraço revolucionário aos militantes. “Não esmoreçam, briguem por sua revolução, não fiquem triste por mim, sempre tive uma vida difícil, vou seguir lutando, pela verdade e justiça de todo o povo equatoriano”.

O processo em que está envolvido no caso Odebrecht se mistura com a luta de poder no Equador, entre os partidários de Lenín Moreno e de seu antecessor, Rafael Correa. Em função do escândalo, Correa desistiu de concorrer à reeleição, no começo do ano. Mas o movimento de Moreno para se desvincular dos maiores escândalos de corrupção da última década irritou seu antecessor. Correa reforçou a tese de uma nova frente política sem perder a oportunidade de lançar insultos contra quem foi seu vice-presidente por seis anos.

Durante a ausência de Glas, foi nomeada para o seu lugar a vice-presidenta María Alejandra Vicuña por meio de um decreto presidencial na última quarta-feira, 04-10. Ela é do partido do governo Alianza País e atual ministra de Desenvolvimento Urbano e Moradia.

As investigações da Operação Lava-Jato espalharam-se pelas entranhas da América Latina e estão estremecendo a relação entre presidentes de países como a Venezuela, Equador e Colômbia.

 

 

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