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11 Agosto 2017

A Cinemateca Capitólio está exibindo uma pequena joia que não deve passar despercebida pelo público: Os Campos Voltarão (2014), do mestre Ermanno Olmi. Um dos cineastas mais destacados do cinema político italiano das décadas de 1960 e 70, conhecido por títulos contundentes como O Posto (1961) e, principalmente, A Árvore dos Tamancos (1978), vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes, Olmi adaptou para a tela o livro La Paura (O Medo), de Federico De Roberto, relato ambientado nas trincheiras da I Guerra Mundial.

O comentário é de Roger Lerina, publicado por Zero Hora, 10-08-2017.

Os Campos Voltarão acompanha o cotidiano de um grupo de soldados italianos cercado por tropas inimigas em uma montanha nevada no nordeste do país, em 1917, após os sangrentos enfrentamentos na região do Altipiano. Enquanto esperam por um desfecho para sua angustiante e precária situação, abrigados em uma claustrofóbica casamata bombardeada de tempos em tempos pelo exército austro-húngaro, os combatentes dividem histórias e sonhos em meio a feridos em estado grave e ordens absurdas vindas do alto comando.

Obra-prima antibelicista, Os Campos Voltarão está em cartaz na Capital coincidentemente ao mesmo tempo que Dunkirk (2017), outra poderosa narrativa sobre homens encurralados pelo adversário, mas que se passa na II Guerra. Outra característica a aproximar esses filmes é a curta duração de ambos: a superprodução do diretor inglês Christopher Nolan tem apenas 1h46min, enquanto o longa de Olmi não passa de 80 minutos.

Esquecidos em uma espécie de limbo coberto de neve, os personagens de Os Campos Voltarão apegam-se a momentos de inesperada graça naquele clima de expectativa fatídica, como as noites calmas e brancas cujo silêncio é quebrado pela melodiosa voz de um soldado entoando tristes canções napolitanas, que acalantam tanto os companheiros quanto os inimigos.

Dedicado pelo veterano Olmi a seu pai (“Que viveu a guerra quando criança e me contava sempre histórias sobre ela”) e pontuado por imagens de arquivo de época, esse filme de dura beleza lembra que, passado o inverno, os campos sempre voltam ainda que cobrindo com o manto do esquecimento a dor e o sofrimento dos quais aquelas paisagens serviram de palco.

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